Bovespa em baixa
dólar em alta



Frágeis

Depois de mais de dois meses de euforia, os investidores voltaram à razão, abalroados por uma leva de indicadores frágeis. Os dados que mostraram fraqueza nas economias globais levaram a Bovespa a terminar a sexta-feira em queda de 0,89%, numa semana onde o sinal negativo foi registrado em quatro das cinco sessões. Desta forma, o índice da semana registrou perdas de 4,65%.

CPI

A criação de uma CPI para investigar a mudança do regime contábil pela Petrobras em 2008 foi um fator adicional a pesar, empurrando os papéis da estatal para baixo, assim como a queda do petróleo e o vencimento de opções sobre ações na segunda-feira. A queda em Wall Street também entrou no rol deste pregão, ainda sobrecarregado pelos últimos balanços do primeiro trimestre.

Bovespa

A Bovespa terminou a sexta-feira aos 49.007,21 pontos. No mês, tem ganhos de 3,63% e, no ano, de 30,51%. Hoje, o Ibovespa registrou a mínima de 48.796 pontos (-1,31%) e a máxima de 49.552 pontos (+0,21%). O giro financeiro totalizou R$ 4,132 bilhões. Petrobras ON terminou em baixa de 1,37% e Petrobras PN, de 1,39%. Vale, a outra blue chip, recuou 0,65% na ON e 0,67% na PNA. No setor siderúrgico, Gerdau PN perdeu 1,40%, Metalúrgica Gerdau PN, 0,84%, Usiminas PNA, 0,47%, CSN ON, 1,54%. Nos bancos, Bradesco PN recuou 0,58%, Itaú Unibanco PN, 1,08%, e BB ON, 1,84%.

Externo

O cenário externo ontem apresentou justificativas suficientes para mais um dia de correções na Bovespa. Na madrugada, saiu o PIB de Hong Kong, abaixo do esperado, dado que se replicou na zona do euro e por algumas economias da região (Alemanha, França, Holanda, Portugal, Itália, Hungria, República Checa). Tais dados imputaram perdas às bolsas europeias, que também recuaram no acumulado semanal. Em Londres, o índice FTSE-100 perdeu 0,33%; em Frankfurt, o índice Xetra-DAX caiu 0,02%. Exceção, o CAC-40 da a Bolsa de Paris teve alta de 0,40%. O Dow Jones terminou em queda de 0,75%, aos 8.268,64 pontos.

Câmbio

Após oscilar entre leves alta e queda pela manhã, o dólar no mercado doméstico engatou sinal positivo à tarde em meio à ampliação das perdas nas bolsas norte-americanas e a sustentação de ganhos pela divisa norte-americana ante as euromoedas. A movimentação dos investidores vendendo ações na Bovespa amparou em parte a demanda por dólar à vista e no mercado futuro, disse um operador de uma corretora em São Paulo. Além disso, a compra pelo Banco Central entre cerca de US$ 17 milhões e US$ 20 milhões, em leilão no fim da primeira parte dos negócios, teve como efeito a redução da queda que a moeda à vista exibia no fim da manhã. A taxa de corte no leilão foi de R$ 2,0798.

Giro financeiro

No fechamento, o dólar subiu 1,34%, a R$ 2,110 no balcão. Na BM&F, o pronto encerrou com valorização de 1,35%, cotado a R$ 2,109. Na semana, o dólar no balcão avançou 2,03%. Contudo, no mês, a moeda no balcão apura baixa de 3,56% e, no ano, de 9,64%. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 2,721 bilhões, dos quais cerca de US$ 2,582 bilhões em D+2. No mercado futuro àS 17h04, o dólar junho/09 foi cotado a R$ 2,113, em alta de 0,91%, após oscilar de R$ 2,0740 a R$ 2,122. Este vencimento girou até às 16h18 cerca de US$ 12,297 bilhões, de um total de US$ 12,336 bilhões movimentados com quatro vencimentos transacionados.

Moedas

No mercado de moedas, a notícia logo cedo sobre a queda recorde do PIB da zona do euro provocou vendas de moedas europeias com migração de parte dos investidores para o dólar. A economia da zona do euro afundou 2,5% no primeiro trimestre, em relação aos três últimos meses de 2008, um número pior do que o estimado (-2,2%). Na comparação anual, o tombo foi de 4,6%, também mais forte do que a expectativa de -4,1%. Trata-se da maior queda desde que os registros começaram a ser feitos, em 1995. Às 17h19, o euro caía 1,09%, a US$ 1,3489; e a libra esterlina recuava 0,43%, a US$ 1,5166.

Juros

Os juros futuros reagiram fortemente às declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que afirmou que ''a taxa de juros média real no Brasil tem tendência declinante, inclusive a parte longa.'' De acordo com ele, existe um aparente paradoxo entre as atuações do BC e as reações do mercado financeiro. ''Quando os bancos centrais tentam baixar juros artificialmente, quando é necessário uma visão diferente desta, isso leva a um aumento da taxa de juros do mercado, à alta do risco, da inflação, e isso é contracionista.''

Queda acelerada

Frente a este quadro, as taxas de longo prazo aceleraram a queda, enquanto os vencimentos mais curtos passaram a cair. Praticamente toda a curva foi para as mínimas, minutos antes do encerramento da negociação estendida na BM&F. Às 18 horas, o DI janeiro de 2012 estava em 10,65%, após ter atingido a mínima de 10,63%, e ante 10,69% no término da negociação normal. O DI janeiro de 2017 estava na mínima de 11,95%, após ter fechado a etapa anterior em 12,01%. O DI janeiro de 2010 também estava na mínima, a 9,33%, ante 9,36% na negociação normal.


Agência Estado

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