Selic
São Paulo - Na véspera da divulgação pelo Banco Central da nova taxa Selic, os juros futuros ampliaram a queda, especialmente nos contratos de curto prazo. A expectativa do mercado é que o BC baixe a Selic em 1 ponto porcentual ao final da reunião de amanhã. O mercado de câmbio também se manifestou em baixa, refletindo fluxo positivo e expectativa para o leilão de venda de dólares do Banco Central agendado para amanhã, fechando em baixa de 1,04%, a R$ 2,1970. A Bolsa começou o dia em alta, caiu e no final fechou estável, aos 45.821 pontos, com destaque para a Petrobras, setor bancário e companhias energéticas. Ontem, a máxima do Ibovespa bateu nos 46.138 pontos (+0,69%) com mínima de 44.966 pontos (-1,86%). No mês, acumula ganhos de 11,96% e, no ano, de 22,03%.


Mais sereno
Apesar de a OMS ter elevado anteontem o nível de alerta de risco de pandemia da gripe suína de 3 para 4, ontem o mercado acordou mais sereno, querendo trocar em números o que pode se tornar a doença. E como por enquanto tudo ainda é muito incipiente, o noticiário da crise financeira voltou ao primeiro plano. E a iminência do resultado dos testes de estresse, na próxima segunda-feira, jogou as luzes para os bancos. Desta forma, as ações de bancos e empresas de energia foram o fiel positivo do Ibovespa, que sofreu pressão negativa sobretudo das siderúrgicas e Vale - Petrobras pesou em parte da sessão, mas virou para cima à tarde e contribuiu para garantir a estabilidade.


Mineradoras
O mesmo não se observou entre as mineradoras. Vale ON perdeu 1,75% e Vale PNA, 0,67%. Petrobras fechou na contramão do petróleo, que caiu na Nymex. O contrato para junho terminou a sessão em baixa de 0,44%, aos US$ 49,92. Petrobras ON subiu 0,25% e PN, 0,49%. No exterior, depois de ensaiar uma recuperação à tarde, o Dow Jones terminou a sessão com desvalorização de 0,10%, aos 8.016,95 pontos. O S&P 500 caiu 0,27%, a 855,16 pontos, e o Nasdaq, 0,33%, aos 1.673,81 pontos. Na Europa, as bolsas recuaram, em meio a receios com o setor bancário britânico e norte-americano e ao fraco desempenho dos papéis de empresas ligadas ao setor de turismo, que novamente foram atingidos pela preocupação com a disseminação da gripe suína.


Câmbio
A expectativa de redução da Selic hoje dos atuais 11,25% para 10,25% ao ano foi citada por um profissional como ''um tempero a mais'' nas operações cambiais. Ontem, no balcão, o dólar fechou a R$ 2,1970, em queda de 1,04% - após oscilar de R$ 2,2260 na máxima (+0,27%) a R$ 2,1930 na mínima (-1,22%). Na roda da BM&F, o pronto recuou 1,13%, para R$ 2,195. De acordo com informações do mercado, o giro interbancário somava US$ 5,142 bilhões às 16h30, sendo US$ 4,886 bilhões em D+2. No segmento futuro, o contrato para maio cedia 1,12%, a R$ 2,2025 por volta das 16 horas e representava boa parte ( US$ 15,439 bilhões) do volume transacionado até as 16h15, de US$ 15,914 bilhões, e que incluía ainda outros dois vencimentos.Às 16h20, o euro era negociado a US$ 1,3147, em alta de 0,95%. Na relação com o iene, o dólar subia 0,29%, a 96,61 ienes. Na comparação com outras divisas emergentes, a moeda norte-americana desvalorizava-se ante o peso mexicano (-1,38%, a 13,8717 pesos), o rublo russo (-0,36%, a 33,3705 rublos) e a lira turca (-0,61%, a 1,622 lira).


Juros
As mínimas dos principais contratos com vencimento até janeiro de 2010 foram atingidas na última hora da negociação normal. Às 16 horas, o DI janeiro de 2010 (247.010 contratos) projetava 9,76%, de 9,84% no ajuste e 9,83% no fechamento ontem; o DI junho de 2009 (143.365 contratos) caía a 10,16%, de 10,24% no ajuste e 10,23% no fechamento ontem; o DI janeiro de 2012 (69.040 contratos) recuava a 11,22%, de 11,34% no ajuste e 11,38% no fechamento anteriores. O mercado manteve firme a aposta de que a Selic deverá ser reduzida em 1 ponto porcentual na reunião do Copom. Para junho, no entanto, voltou a ganhar força a aposta de queda da taxa em 0,5 ponto, abalada nos últimos dias. Dessa forma, de acordo com operadores, a curva teria voltado a precificar 1,5 ponto justo de queda restante para a Selic neste primeiro semestre.


Cenário
Diante do cenário internacional ainda volátil, o mercado parece estar repensando a tese da retomada da economia doméstica antes do que o imaginado. Nos contratos longos, houve diminuição da precificação de alta da taxa básica a partir de 2011, favorecida pela renovação das incertezas externas, que ajudou a derrubar o DI janeiro de 2012. As preocupações com a evolução dos casos de gripe suína no exterior e também com a situação dos bancos nos EUA sugerem que aqui o juro básico poderá seguir acomodado em níveis baixos por mais tempo. Assim, as taxas longas, que recentemente tiveram prêmios engordados pela aversão ao risco e pelo argumento do desconforto com a questão fiscal doméstica, voltaram a cair com força.
Agência Estado

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