Apática
São Paulo- A Bovespa teve uma sessão apática e, embora em queda, não houve muito apetite dos investidores para embolsar um pouco dos ganhos dos quatro pregões seguidos de elevação na semana passada. No pior momento do dia, a Bolsa superou 2% de perdas, mas acabou fechando em baixa de 0,50%. O dólar apresentou leve recuperação e fechou em R$ 2,21, em alta de 0,54%. O mercado de juros devolveu a alta dos últimos dias e as taxas fecharam em baixa.

Receoso

O Ibovespa encerrou aos 44.167,26 pontos. Atingiu os 43.429 pontos na mínima do dia (-2,17%) e 44.385 pontos (-0,01%) na máxima. No mês, acumula ganho de 7,92% e, no ano, de 17,62%. O giro somou apenas R$ 3,953 bilhões - a média de abril é de R$ 5,091 bilhões. ''O investidor está receoso sobre a realização de lucros. Não está tão firme na decisão de vender, por isso a queda diminuiu à tarde'', comentou um especialista do mercado de renda variável de uma corretora em São Paulo. Segundo ele, o clima está melhor no mercado, daí a reticência dos investidores em se desfazer de suas posições. O Dow Jones terminou a sessão em queda de 0,52%, aos 7.975,85 pontos, o S&P 500, de 0,83%, aos 835,48 pontos, e o Nasdaq, de 0,93%, aos 1.606,71 pontos.

Perdas

Na Europa, foram os setores ligados às commodities metálicas e petróleo que conduziram as perdas. Depois de uma abertura em alta, os índices acionários viraram. Em Londres, o índice FTSE-100 perdeu 0,90%; em Frankfurt, o índice Xetra-DAX caiu 0,80%; na Bolsa de Paris, o CAC-40 teve queda de 0,98%.
Além da queda das commodities metálicas e o noticiário sobre as siderúrgicas no exterior, os papéis dessas empresas no Brasil também foram influenciados por relatório do Deutsche Bank. A instituição reduziu a recomendação para a Gerdau S.A. de ''manter'' para ''venda'' e cortou o preço-alvo do ADR de US$ 6 para US$ 5. Os papéis PN da empresa recuaram 1,91%, enquanto Metalúrgica Gerdau PN fechou em baixa de 1,31%.

Compra

Para a CSN, o Deutsche tem recomendação de ''compra'' - os papéis ON da empresa recuaram 0,80% -, e, para Usiminas, ''manter'' - a ação PNA caiu 1,29%. De acordo com o Deutsche, a demanda global por aço deve recuar 17% em 2009 e cair outros 2% em 2010, ante projeção anterior de queda de 7% no consumo deste ano e de alta de 1% no próximo exercício. Vale ON perdeu 2,62% e PNA, 1,75%. Petrobras ON recuou 1,12% e PN, 0,36%. Na Nymex, o contrato do petróleo para maio terminou em baixa de 2,78%, aos US$ 51,05.

Câmbio

O mercado doméstico de câmbio realizou um ajuste técnico de posições compradas ontem, acompanhando a maior demanda pela moeda norte-americana no exterior em meio a vendas de ações e de commodities, cujos preços recuaram. No encerramento, a cotação à vista da moeda subiu para R$ 2,218 na BM&F (0,59%) e no balcão (0,54%). O giro financeiro total manteve-se estável, em cerca de US$ 2,280 bilhões, dos quais cerca de US$ 2,160 bilhões em D+2.No mercado futuro, os três vencimentos de dólar negociados projetaram cotações mais elevadas, com um volume transacionado de cerca de US$ 11,415 bilhões.

Liquidez

O dólar maio/09 projetou no último negócio cotação de R$ 2,2325, com leve ganho de 0,34%, após oscilar da mínima na abertura de R$ 2,2165 (-0,38%) a R$ 2,2460 (+0,94%). Ontem, o anúncio do Fed de acordos de swap de moedas com os bancos centrais da Inglaterra, Suíça, Europeu e Japão não mexeu com a moeda. Pelos acordos, o Fed poderá prover liquidez às instituições nos Estados Unidos nas quatro respectivas moedas. O euro caiu 0,54% para US$ 1,3410; a libra esterlina recuou 0,63%, a US$ 1,47485; e o dólar subiu 0,73%, a 101,04 ienes.

Juros

A queda das ações e das commodities no exterior ontem deu a senha para que o mercado de juros devolvesse a alta acumulada nos últimos dias e as taxas encerrassem em baixa. O viés otimista dos mercados externos sobre a recuperação global na semana passada ontem deu lugar para a cautela e os investidores decidiram realizar lucros, enquanto esperam o início da temporada de balanços do primeiro trimestre nos EUA, a ser aberta amanhã pela Alcoa. Nos juros, esse movimento abriu espaço para que os investidores aproveitassem os prêmios dos contratos, mas a queda das taxas, novamente, não foi expressiva nos DIs de curto prazo, enquanto os longos caíram mais, mas com um volume reduzido de negócios.


Efeito positivo


No âmbito doméstico, alguns operadores acreditam que os resultados da pesquisa Focus, divulgada ontem pelo Banco Central, também teriam tido efeito positivo sobre as taxas futuras. Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2010 (125.755 contratos) projetou 9,77%, ante 9,83% no ajuste e fechamento anteriores. O DI janeiro de 2012 (31.595 contratos) ficou em 10,88%, de 10,99% no fechamento e 10,93% no ajuste de sexta-feira.


Agência Estado

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