Bovespa
A Bovespa voltou a subir ontem, pelo quarto pregão consecutivo, e encerrou a semana acima dos 44 mil pontos pela primeira vez desde outubro do ano passado, com um ganho acumulado de 5,92%. Apenas ontem, o Ibovespa fechou aos 44.390,98 pontos, em alta de 1,50%, de 44.610 pontos na máxima (+2,00%) e 43.520 pontos na mínima (-0,50%). O volume financeiro alcançou R$ 4,915 bilhões, um pouco abaixo de anteontem (R$ 5,89 bilhões) e da média do mês (R$ 5,166 bilhões), mas acima da média do ano (R$ 3,948 bilhões).

Hesitação
As operações domésticas mostraram alguma hesitação no começo do dia, com a divulgação dos números negativos sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos antes da abertura da sessão, mas logo firmaram trajetória ascendente, apesar da instabilidade dos índices acionários em Nova York. Os negócios locais continuaram sob efeito do resultado da reunião de anteontem do G20, principalmente a consonância entre os países, mas também da mudança na regras de balanços das empresas nos EUA. O Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (FASB, na sigla em inglês) decidiu ontem flexibilizar as diretrizes contábeis de marcação a mercado, permitindo às empresas maior margem de manobra para a avaliação de seus investimentos.

Indecisão
Na pauta de anteontem nos EUA, a divulgação mais aguardada, o relatório de emprego dos EUA, gerou alguma indecisão entre os investidores. O Departamento de Trabalho informou uma taxa de desemprego de 8,5% e o fechamento de 663 mil vagas. Ambos, embora fracos, em linha com as projeções, o que foi bem recebido pelos profissionais do mercado. A taxa de desemprego, contudo, foi a maior desde novembro de 1983, o que não ajudou. Além disso, o indicador de atividade do setor de serviços apurado pelo ISM caiu para 40,8 em março, pior do que as previsões dos analistas. Assim, em Wall Street, o Dow Jones encerrou em alta de 0,50%, o S&P-500, +0,97% e o Nasdaq, +1,20%.

Queda
Na Europa, por sua vez, as bolsas de Londres e Paris fecharam com queda de 2,31% e 1,11%, respectivamente, derrubadas pelo declínio no papel de farmacêuticas, apesar de dados econômicos positivos, que corroboraram a esperança de investidores de que as condições podem ter se estabilizado.

Brasil
No Brasil, o responsável pela mesa de derivativos da corretora de um banco estrangeiro em São Paulo destaca a expectativa de que o fluxo da renda fixa migre para a Bovespa. ''Com o tempo, o pessoal verá que o juro não rende mais o que rendia, e o brasileiro está acostumado a ganhar muito nas aplicações.'' A previsão de novas quedas da Selic ajuda. Para a reunião deste mês, espera-se um corte de 1 pp nos atuais 11,25% ao ano. Isso, aliás, conforme o especialista, é um dos fatores que justificam o desempenho melhor do Ibovespa frente ao Dow. ''Lá, a situação está pior. Eles não têm mais como mexer em juros. O Brasil ainda tem.''

Ausência
Para o operador de uma corretora em São Paulo, a sexta-feira não trouxe nada de novo, algo em particular que justificasse uma nova valorização do Ibovespa. ''As operações se beneficiaram da ausência de notícias.'' Ele concorda que o cenário atual de maior propensão a risco favorece as ações brasileiras, mas avalia o mercado está embalado em bases frágeis. Relatório da Itaú Securities, distribuído a clientes ontem, chamou a atenção para a valorização recente do Ibovespa futuro - que costuma ser acompanhado pelo índice à vista. Os analistas da instituição consideram que o índice ingressou em uma tendência de alta no médio prazo, tendo como primeiro objetivo os 46.300 pontos.

Câmbio
As tesourarias de bancos e investidores estrangeiros deram continuidade às vendas de dólar, iniciadas há quatro dias no mercado doméstico, com migração dos recursos principalmente para a Bovespa. O movimento no câmbio amparou-se no comportamento de baixa da moeda norte-americana no exterior em meio ao apetite por risco e em fluxo positivo, além da perspectiva de novos ingressos no mercado no curto prazo. No fechamento, o dólar recuou 1,30%, a R$ 2,206 no balcão, e caiu 1,34%, para R$ 2,205 na BM&F. O giro financeiro total diminuiu 35%, para cerca de US$ 2,240 bilhões, dos quais cerca de US$ 2,120 bilhões em D+2.

Juros
Os investidores do mercado de juros reduziram à tarde a disposição em montar posições vendidas e as taxas retomaram alta que marcou a sessão anterior. A sensação de que a pior fase da crise pode ter passado voltou a estimular o ajuste da exposição ao risco prefixado. O recuo das taxas visto pela manhã não era tido como um movimento firme e se deu mais na esteira da reação negativa das bolsas ao relatório de emprego nos EUA, que mostrou que a situação continua muito ruim no mercado de trabalho, mas levemente melhor do que os economistas imaginavam. À tarde, os índices acionários nos EUA ensaiavam melhora, operando no azul.

Agência Estado

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