MERCADO FINANCEIRO
FMI
O fundo do poço parece estar agora apenas no retrovisor. Pelo menos foi essa a justificativa para embalar o comportamento dos investidores nesta quinta-feira de euforia. O anúncio de que serão liberados US$ 1,1 trilhão para o FMI e outros órgãos multilaterais, os dados melhores do que os previstos divulgados ontem nos Estados Unidos e a aprovação de mudanças nas regras para marcação a mercado de ativos nos EUA resultaram numa forte procura por ações, o que gerou disparada nos índices acionários ao redor do globo.
Bovespa
Impulsionada por forte ingresso de recursos estrangeiros, a Bovespa avançou 4,19%, para 43.736,45 pontos, o maior patamar desde os 44.517,32 pontos de 3 de outubro de 2008 (há exatos seis meses). Na mínima do dia, tocou os 41.977 pontos (estabilidade) e, na máxima, os 44.286 (+5,50%). Com o desempenho de anteontem, em apenas dois pregões de abril a Bolsa já subiu 6,87%.
Estrangeiros
A volta dos estrangeiros ontem ficou mais nítida no giro da Bolsa. O total negociado somou R$ 5,890 bilhões, bem acima da média de 2009, de R$ 3,915 bilhões, de acordo com o site da BM&FBovespa. Ontem, com a notícia de que o grupo dos 20 irrigaria a economia com mais US$ 1 trilhão, mas esse número cresceu e muito ao longo do dia. O FMI terá seus atuais recursos triplicados para US$ 750 bilhões. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, informou que a cifra total da ajuda é de US$ 5 trilhões, até 2010.
G20
Do total, US$ 250 bilhões serão fundos para financiar o comércio nos próximos dois anos. De acordo com o comunicado do G20, até o final de 2010 os estímulos anunciados pelo governo devem somar US$ 5 trilhões. Somou-se a essas notícias a decisão do Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (FASB, na sigla em inglês) de flexibilizar as regras de marcação a mercado de ativos nos EUA, o que permitirá que os grupos definam o valor justo de seus ativos. Nos EUA, as bolsas subiram mais de 2%.
Ganhos
Na Europa, os ganhos também foram firmes, guiados pelo forte desempenho dos papéis do setor financeiro diante da expectativa de que o pior momento para a economia mundial já passou. Em Londres, o índice FTSE-100 ganhou 4,28%; na Bolsa de Paris, o CAC-40 teve alta de 5,37%; em Frankfurt, o índice Xetra-DAX avançou 6,07%; em Madri, o índice IBEX-35 teve alta de 4,69%. Hoje, o Banco Central Europeu (BCE) surpreendeu as previsões dos analistas e reduziu a taxa básica de juros em 0,25 pp, para 1,25%, ante apostas de 0,50 pp.
Commodities
A euforia global impulsionou também os preços das commodities, que fecharam com altas consideráveis e também acabaram por reforçar os ganhos da Bovespa. Vale ON terminou a sessão de hoje com variação de 6,57% nas ações ON e 6,10% nas PNA. Petrobras ON subiu 4,92% e PN, 3,74%. O presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, disse ontem à noite que, se mantida durante os próximos meses a média de US$ 46 do preço do barril registrado no primeiro trimestre, a estatal teria um caixa maior para cumprir os investimentos previstos para este ano, de US$ 28,6 bilhões.
Câmbio
Já o mercado de câmbio doméstico reforçou as ordens de venda de dólares, reagindo ao rali de recuperação das bolsas pelo mundo induzido pelas decisões do G-20. O movimento de venda de dólares no mercado doméstico foi liderado por tesourarias de bancos e players estrangeiros interessados em migrar para o mercado de ações, disse um operador de tesouraria de uma instituição estrangeira. No fechamento, o dólar à vista caiu para R$ 2,235 no balcão (-2,02%) e na BM&F (-1,97%) - menor valor desde o encerramento no balcão em 6 de janeiro desde ano, a R$ 2,180.
Juros
Os juros futuros aceleraram o movimento de alta à tarde, batendo as máximas do dia, ainda em razão da onda de otimismo importada do exterior. No término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2010 (360.670 contratos) projetou 9,79%, de 9,70% no fechamento e 9,67% no ajuste. O DI julho de 2009 (126.075 contratos) ficou em 10,26%, de 10,22% no fechamento e 10,20% no ajuste. O DI janeiro de 2012, com 55.540 contratos, subiu de 10,70% no fechamento e 10,67% no ajuste para 10,80%.
Prematuro
Analistas, no entanto, veem como prematuro apostar muitas fichas na recuperação global, embora alguns indicadores estejam melhores nos EUA. Um dos testes para o bom humor dos mercados amanhã será a divulgação do payroll de março, nos EUA. Por enquanto, a aposta de que o Banco Central vai desacelerar o corte da Selic para 1 ponto este mês desponta como a mais provável, mas ninguém descarta a hipótese de uma nova redução de 1,5 ponto, especialmente após a divulgação dos dados débeis da produção industrial ontem.
Agência Estado





