MERCADO FINANCEIRO
Dólar subiu
Juros futuros desceu
Em alta
Ontem as casas de câmbio trocaram o dólar comercial por R$ 2,332, o que significa alta de 1,70% sobre a cotação de sexta-feira. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado por R$ 2,470, em alta de 2,48%. Os preços da moeda americana dispararam, num dia de alta aversão ao risco e fortes perdas tanto nas Bolsas de Valores quanto no mercado de commodities (matérias-primas). A véspera do final de mês também traz um fator adicional de volatilidade: a habitual disputa entre ''comprados'' e ''vendidos'' pela Ptax, a taxa média de câmbio calculada pelo Banco Central.
Volatilidade
Os contratos futuros de dólar e outros derivativos negociados na BM&F têm como referência para liquidação financeira justamente a Ptax do último dia útil do mês. Perto deste dia, os agentes financeiros ''comprados'' (que ganham com a alta do dólar) e os chamados ''vendidos'' (que ganham com a baixa) costumam atuar no mercado à vista para influenciar na formação das cotações.
Preocupação
Essa volatilidade ''de calendário'' ganhou combustível ontem com a preocupação de investidores por todo mundo com os desdobramentos da economia americana, em que se discute a saúde financeira de bancos e montadoras, ambos setores dependentes de mais ajuda do Executivo, a um preço político que se torna cada vez mais alto.
Contrastes
O nervosismo de ontem contrasta com o bom humor registrado nos últimos dias, quando o mercado ''comemorou'' o fim do monopólio das notícias negativas sobre a economia dos EUA. Economistas do setor financeiro, no entanto, já alertavam para o risco de um euforia antecipada.
Surpresas
''Os indicadores econômicos começam a apresentar alguma ambiguidade, ao invés de sistematicamente surpreender para pior'', comenta o economista Maurício Molan, do banco Santander, em relatório distribuído ontem. ''(...) o mercado parece precificar (calcular preço) que a recuperação econômica global já está caminho. Pode até ser, mas parece cedo'', acrescenta.
Juros futuros
O mercado futuro de juros, que referencia as tesourarias dos bancos, rebaixou as taxas projetadas nos contratos mais negociados. Ontem, o Banco Central admitiu que já espera um crescimento menor da economia brasileira em 2009 -rebaixou sua projeção de 3,2% para 1,2% - e estimou que a inflação deve bater 4%, abaixo do centro da meta para este ano (4,5%), o que reforça as expectativas por mais cortes da taxa Selic, hoje em 11,25% ao ano. Economistas estimam que o juro primário caia para 9% até o final deste ano.
Projeções
No contrato com vencimento em abril de 2009, a taxa projetada recuou de 11,13% ao ano para 11,12%; no contrato para vencimento em janeiro de 2010, a taxa prevista caiu de 9,80% para 9,72%; e no contrato que vence em janeiro de 2011, a taxa projetada cedeu de 10,34% para 10,32%.
Sem gordura
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) queimou boa parte da ''gordura'' acumulada nas últimas semanas com dois pregões consecutivos de perdas. Investidores acompanharam de perto o desempenho negativo das Bolsas americanas, afetada pelas preocupações com o setor automobilístico e bancos. O câmbio doméstico bateu os R$ 2,33. No mês, o câmbio tem desvalorização de 1,6%, enquanto a Bolsa registra ganho de 6,47%.
Termômetro
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, retraiu 2,99% e desceu para os 40.653 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,62 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou com perdas de 3,27%.
Prorrogação
Entre as principais notícias do dia, o governo brasileiro anunciou que vai manter a alíquota reduzida do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automotivo por mais três meses, com o compromisso das montadoras de manter os empregos.
Rebaixado
O Banco Central rebaixou sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,2% para 1,2% neste ano, seguindo uma tendência já antecipada pelo mercado financeiro. O boletim Focus, do mesmo BC, também mostrou que os economistas do setor financeiro continuam pouco otimistas: a mediana das projeções aponta para uma estagnação do país neste ano, com expectativa de crescimento zero. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou deflação de 0,74% em março, pelo índice de preços IGP-M, utilizado como referência para o reajuste de aluguéis.
Rejeição
O dia foi bastante nervoso com a rejeição, tanto pelo governo americano quanto canadense, dos planos de reestruturação apresentados pelas montadoras General Motors e Chrylser. A aprovação desses planos era a condição para que as duas gigantes do setor automobilístico recebessem mais ajuda federal. O presidente dos EUA, Barack Obama declarou que o governo deve fornecer capital suficiente para a General Motors operar nos próximos 60 dias, dando mais prazo para a montadora reavaliar seu plano de reestruturação.
Das agências





