MERCADO FINANCEIRO
Alta global
Os investidores gostaram do detalhamento do plano do Tesouro dos EUA para limpar ativos tóxicos do mercado e foram às compras. As Bolsas subiram em todo o globo, sendo que a Bovespa subiu 5,89% e voltou ao nível do início do mês passado, com poucas ações do índice em baixa. Ontem foi a maior alta porcentual desde 2 de janeiro (+7,17%). Fechou nos 42.438,55 pontos, o mais alto patamar desde os 42.755,50 pontos do dia 6 de fevereiro. Durante a sessão, oscilou dos 40.077 pontos (estabilidade) na mínima até os 42.509 pontos (+6,07%) na máxima. Com o desempenho desta segunda-feira, passou a acumular alta de 11,15% no mês e de 13,02% no ano. O giro financeiro somou R$ 4,771 bilhões.
Garantia
O plano anunciado pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner, prevê a limpeza de US$ 500 bilhões de ativos lastreados por hipotecas problemáticas e outros de risco, montante que pode subir até US$ 1 trilhão. Chamada de Programa de Investimento Público-Privado, a proposta prevê que Tesouro, Federal Reserve e Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC) trabalhem em conjunto com investidores privados para tentar reiniciar o mercado para esses ativos problemáticos. Para incentivar o setor privado a participar do programa, o FDIC dará garantia à maior parte do financiamento para a compra dos ativos.
Entusiasmo
Patrick Corrêa, analista da Máxima, também diz não saber até quando esse entusiasmo de ontem vai durar, já que, segundo ele, esse pacote reforça o já elevado montante de recursos injetado no sistema, ampliando os riscos de inflação. ''Isso sem considerar que alguém vai pagar a conta'', destacou ao reforçar que a inflação é o maior risco assim que o dinheiro desempoçar. Nos Estados Unidos, os papéis do setor financeiro estiveram entre as maiores altas ontem, já que são essas as instituições primordialmente beneficiadas pelo plano do Tesouro. O Dow Jones acabou a sessão com ganho de 6,84%, a maior desde 28 de outubro de 2008.
No azul
O Bank of America fechou com ganho de 26,01%, o Citigroup, de 19,47% e o JPMorgan, de 24,67%. Entre as seguradoras, a American International Group (AIG) avançou 17,46%. A Amex avançou 18,76%. As bolsas europeias também fecharam no azul. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 subiu 2,86%; em Frankfurt, o índice Xetra-DAX avançou 2,65%; na Bolsa de Paris, o CAC-40 teve alta de 2,81%. No Brasil, embora a alta tenha sido generalizada, os bancos também estiveram entre as maiores valorizações do dia. Unibanco Unit foi a segunda maior alta da sessão, com +12,16%.
Petrobras
Petrobras ON subiu 7,30% e PN, 6,05%. Na Nymex, o contrato do petróleo para maio fechou com variação positiva de 3,32%, aos US$ 53,80. Vale ON fechou com +6,28% e PNA, com +4,80%. CSN ON teve ganho de 7,22%, Usiminas PNA, de 6,13%, Gerdau PN de 5,54% e Metalúrgica Gerdau PN, de 5,48%. Perdigão ON fechou com 4,68% e Sadia ON, com 2,80% e PN, com 5,05%. Fonte ouvida pela Agência Estado informou que o valor da transação é o único detalhe que impede a compra da Sadia pela Perdigão.
Dólar
O dólar no mercado à vista encerrou em queda e no menor valor desde o dia 9 de fevereiro (de R$ 2,237), cotado ontem a R$ 2,245 no balcão (-0,84%) e na BM&F (-0,75%). O declínio da moeda no começo do dia e também durante à tarde foi determinado pelo anúncio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. No mercado à vista, a cotação atingiu o pico de R$ 2,279, alta de 0,66%. No mercado futuro, o dólar abril/09 subiu até R$ 2,285. O giro financeiro total à vista cresceu 64%, para cerca de US$ 2,822 bilhões (cerca de US$ 2,677 bilhões em D+2).
Juros
O mercado de juros confirmou no fechamento da negociação normal na BM&F o movimento de alta que marcou a sessão desta segunda-feira. Segundo operadores, o otimismo do cenário externo balançou parte das posições vendidas montadas na aposta de uma deterioração mais acelerada do cenário econômico, estimulando uma realização de lucros. O DI janeiro de 2010 (200.560 contratos) avançou a 9,73%, de 9,57% no fechamento e 9,68% no ajuste anteriores. O DI janeiro de 2011 (52.320 contratos) subiu de 9,95% e 10,01% no fechamento e ajuste para 10,13%, enquanto o DI janeiro de 2012 (52.020 contratos) ficou cotado em 10,56%, de 10,50% e 10,54% no último pregão.
Dia D
O avanço dos juros será desafiado pela agenda desta semana. Amanhã, o IBGE informa o IPCA-15 de março, mas o dia D será o seguinte. Na quinta-feira, o mercado aguarda a divulgação da nota de crédito pelo Banco Central, relativa a fevereiro, e da taxa de desemprego do mês passado pelo IBGE - ontem, o Dieese informou que cerca de 750 mil empregos formais foram eliminados entre novembro de 2008 e fevereiro de 2009 no País. Há ainda a expectativa de que seja conhecido nesta semana o relatório trimestral de inflação, cujo prazo para publicação por parte do BC é até o final deste mês.
Agência Estado





