MERCADO FINANCEIRO
Bovespa em baixa
Dólar sobe
Volátil
Num pregão volátil, a Bovespa perdeu o sinal positivo nos minutos finais e fechou em queda de 0,93%, aos 40.076,41 pontos, com Petrobras arrefecendo a força exibida mais cedo. Mas foram as ações da estatal do petróleo as estrelas do pregão, com giro de R$ 1,061 bilhão, 30,35% do total negociado. Os papéis operaram na contramão do petróleo praticamente o dia todo, com a compra de investidores estrangeiros. Devolveram nos minutos finais, depois que a Petrobras sinalizou que deve cortar o preço da gasolina em abril. Vale e bancos jogaram no time contrário, assim como Nova York, que fechou em baixa pela segunda sessão seguida, em dia de agenda fraca.
Juros
Os juros futuros ampliaram a queda durante o período da negociação estendida na BM&F. O recuo foi ampliado logo após a sinalização da Petrobras com relação ao reajuste nos preços dos combustíveis. Já o dólar subiu ontem e encerrou em alta de 0,71%. Apesar da queda de 0,93%, a Bovespa acumulou ganhos de 2,72% na semana. No mês, a alta é de 4,96% e, no ano, de 6,73%. Depois de um dia todo no azul, uma instituição estrangeira entrou pesado na venda de Petrobras, derrubando as ações PN da estatal (-0,51%) e levando as ON para a estabilidade. Uma das razões pode ser o anúncio feito pela empresa de que está repondo perdas com preços no passado e que os reajustes serão feitos quando terminar a reposição, o que pode acontecer em abril.
Petrobras
O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, admitiu que a companhia está repondo perdas ocorridas nos anos anteriores, quando não repassou altas consecutivas do petróleo para os preços internos da gasolina e do diesel. Ele afirmou que tão logo seja concluída esta reposição de perdas no caixa, os reajustes necessários serão repassados tanto para a gasolina quanto para o diesel. Costa não quis revelar o valor destas perdas nem o prazo necessário para repô-las. ''Pode ser que seja no mês que vem, mais pra frente. Não sei dizer. Espero que não seja muito no longo prazo e acho que não vai ser'', disse.
Contramão
Antes, a estatal operava na contramão do petróleo - o contrato para abril fechou em baixa de 1,07%, a US$ 51,06 o barril -e apesar da greve de cinco dias prevista para iniciar na próxima segunda-feira. A Petrobras também anunciou ontem ter estabelecido recorde mundial de produção de petróleo para reservatórios carbonáticos em relação à lâmina d'água com a entrada em produção do poço 7-MLL-54HP, no campo de Marlim Leste, na Bacia de Campos. Além do empurrão final de Petrobras, Vale trabalhou em baixa o dia todo, influenciando o índice à vista. Os papéis ainda oscilam ao sabor da maré vinda da Ásia, ontem com o reforço das commodities metálicas em baixa.
Briga de forças
Outra briga de forças do pregão aconteceu ontem entre dois setores com peso considerável. Bancos caíram, enquanto siderúrgicas fecharam majoritariamente em alta: exceção para CSN ON, que recuou 0,88%. Os bancos, lembram operadores, acompanharam o desempenho do setor nos EUA, responsável pela queda dos índices acionários. O Dow Jones terminou em baixa de 1,65%, aos 7.278,38 pontos, o S&P recuou 1,98%, aos 768,54 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,77%, aos 1.457,27 pontos. O setor financeiro foi influenciado pela declaração da presidente da Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC, na sigla em inglês), Sheila Bair, que reiterou que a falência de bancos nos próximos cinco anos deve provocar perdas de US$ 65 bilhões para os fundos da instituição.
Juros
Os juros futuros ampliaram a queda durante o período da negociação estendida na BM&F e os contratos de curto prazo caíam para as mínimas da sessão. O DI janeiro de 2010 chegou na mínima de 9,64% (9,77% no fechamento e 9,73% no ajuste ontem) e o janeiro de 2011 recuou a 9,97%, de 10,08% no fechamento e 10,04% no ajuste ontem.
Câmbio
Após recuar 5,19% no mês até anteontem, o dólar no mercado à vista subiu ontem e registrou as máximas intraday à tarde em meio a um volume reduzido de negócios. O dólar pronto encerrou em alta de 0,71%, a R$ 2,264 no balcão, e de 0,62%, a R$ 2,262 na BM&F. Contudo, no mês, a moeda no balcão ainda apura queda de 4,51% e, no ano, baixa de 3,04%. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 1,717 bilhão, sendo cerca de US$ 1,291 bilhão em D+2.
Negócio
No mercado de dólar futuro, o último negócio apontou avanço de 0,35%, para R$ 2,273, após oscilar de R$ 2,2465 (-0,82%) a R$ 2,274 (+1,07%). Este vencimento movimentou cerca de US$ 6,61 bilhões do total de US$ 6,97 bilhões transacionados com seis vencimentos negociados. A ampliação da alta da moeda no mercado doméstico à tarde refletiu ajustes de posições compradas, estimulados pela piora das bolsas norte-americanas. As declarações do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no início da tarde, sinalizando que o Fed já está pensando em estratégias de saída dos mercados de crédito, causaram desconforto entre investidores, disse um operador de um banco estrangeiro consultado.
Agência Estado





