Em queda

A decisão do Federal Reserve (banco central dos EUA) provocou uma brusca inversão de direções nos mercados de capitais ontem, fazendo as Bolsas de Valores dispararem e o câmbio doméstico ceder com força. Os preços da moeda americana chegaram a R$ 2,309 no pico do dia, mas desceram para R$ 2,251 no encerramento, o que significa um decréscimo de 1,48% sobre a cotação de terça-feira. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 2,430, em alta de 0,82%.

Previsto

O Federal Reserve, conforme esperado, manteve os juros básicos dos EUA na faixa de zero a 0,25% ao ano. Também anunciou uma oferta de recursos superior a US$ 1 trilhão para o sistema financeiro, uma operação esperada com ansiedade pelos agentes financeiros.

Fluxo cambial
O fluxo cambial, que mede a entrada e saída de dólares no país, ficou negativo em US$ 2,186 bilhões nas duas primeiras semanas de março, segundo dados do Banco Central até a última sexta-feira. Nesse período, houve mais dólares saindo do que entrando no Brasil. O resultado interrompe a recuperação registrada em fevereiro. No mês passado, a entrada de dólares no país superou o valor da saída pela primeira vez desde setembro, quando houve a piora na crise econômica.

Compensação
O fluxo é dividido em duas partes. Na área financeira, o resultado ficou negativo em US$ 3,266 bilhões. O resultado negativo foi parcialmente compensado pela entrada de dólares no valor de US$ 1,080 bilhão no comércio exterior (diferença entre exportações e importações). O resultado ainda está abaixo dos níveis registrados em 2008. No começo de março do ano passado, por exemplo, o fluxo estava positivo em US$ 9,7 bilhões.

Resultado
No ano, o fluxo cambial está negativo em US$ 4,362 bilhões. No mesmo período do ano passado, estava positivo em US$ 10,6 bilhões. Somente na área financeira, saíram do país US$ 8,846 bilhões neste ano. No comércio exterior, entraram US$ 4,483 bilhões. Os dados do crédito para exportadores por meio de Adiantamento de Contrato de Câmbio estão positivos em US$ 6,348 bilhões no ano, abaixo dos US$ 7,75 bilhões registrados no mesmo período de 2008.

Lucro
A BM&F Bovespa anunciou lucro líquido pro forma, que inclui dados integrais da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), de R$ 202,4 milhões no quarto trimestre do ano passado, equivalente a uma queda de 8,8% em relação ao lucro obtido em igual período do ano anterior. No período entre outubro e dezembro de 2008, a receita líquida da empresa somou R$ 355,5 milhões, o que representa uma queda de 10,6% contra os três últimos meses de 2007.

Acumulado
No acumulado de 2008, a BM&FBovespa teve lucro pro forma de R$ 909,6 milhões, o que representa um aumento de 20,3% sobre o lucro de 2007. A receita líquida anual cresceu 16,4%, para R$ 1,602 bilhão e o Ebitda cresceu para R$ 1,089 bilhão. Segundo a empresa, o lucro líquido consolidado em 2008, incluindo o efeito de todos os itens que estão fora do resultado pro forma, foi de R$ 645,596 milhões.

Europa
A maior parte das Bolsas europeias fechou com queda ontem, com exceção da Bolsa de Frankfurt, que teve leve alta. O principal índice europeu, que reúne ações importantes de todo o continente, também caiu, à espera dos resultados da reunião do Fed (Federal Reserve, o BC americano) e com as commodities em queda, puxadas pela desvalorização do petróleo e outros metais. Em Londres, o índice Financial Times fechou em baixa de 1,35%. Em Frankfurt, o índice DAX ganhou 0,21%. Em Paris, o índice CAC-40 caiu 0,25%. Em Milão, o índice Mibtel encerrou em alta de 1,7%.

Nikkei
O índice Nikkei 225 da Bolsa de Tóquio fechou o pregão de ontem em leve alta, liderado pelas ações dos bancos, depois de o Banco do Japão (BoJ, o banco central japonês) ter anunciado que estuda a concessão de 1 trilhão de ienes (US$ 10,13 bilhões) em empréstimos subordinados para o setor. O índice subiu 0,3% e fechou aos 7.972,17 pontos. O movimento de compras no mercado japonês começou com força, empurrando o Nikkei para além da marca psicológica dos 8 mil pontos pela primeira vez em cinco semanas.

China
A maioria dos mercados da Ásia fechou novamente em alta ontem, desta vez estimulados pelos bons resultados apresentados pelas Bolsas de Nova York na terça-feira, que subiram entre 2% e 4%. O setor financeiro se destacou e fatores internos de cada país também pesaram no desempenho. A contínua valorização do gigante bancário HSBC também levou a Bolsa de Hong Kong a fechar em elevação. No entanto, houve queda em ações de empresas do setor público, por conta de vendas especulativas por parte dos investidores. O índice Hang Seng subiu 1,9%, e encerrou aos 13.117,17 pontos.

Das agências

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