MERCADO FINANCEIRO
Dólar cai
Bovespa em alta
Dólar em queda
Pela primeira vez desde 16 de fevereiro, o dólar no mercado doméstico fechou abaixo de R$ 2,30, em queda de 2,17% no balcão e na BM&F. O forte declínio da moeda resultou de saídas de players estrangeiros, especialmente, de suas posições compradas em dólar, em meio às altas das bolsas e perspectivas sombrias para a economia mundial e brasileira em 2009. Já a Bovespa terminou a sessão em alta de 0,89%, aos 39.151,86 pontos, graças às compras mais intensas em Wall Street no período da tarde, que tiveram efeito multiplicador e levaram o Ibovespa a se recuperar, com a inversão para cima dos papéis de siderúrgicas.
Notícias da China
Na manhã de ontem, as notícias vindas da China chegaram a atrapalhar o desempenho do Ibovespa em função dos dados de produção industrial e das informações sobre negociação dos preços do minério de ferro, que acabaram abatendo a Vale nesta quinta-feira. Nos Estados Unidos, pela terceira sessão seguida, o Dow Jones terminou em alta, de 3,46%, aos 7.170,06 pontos. O S&P avançou 4,07%, aos 750,74 pontos, e o Nasdaq fechou com elevação de 3,97%, aos 1.426,10 pontos. Os papéis da General Electric subiram 12,72%, embora tenha perdido seu rating AAA da S&P. Isso porque os analistas esperavam um rebaixamento maior da nota, que caiu em um nível, para AA+.
Avanço
As firmes altas sustentadas pelas bolsas norte-americanas ajudaram a amparar o avanço da Bovespa à tarde e também estimularam vendas de dólares. Pesaram ainda as perspectivas de menor demanda futura pela moeda. Segundo o operador Sidnei Nehme, da NGO Corretora, alguns investidores, especialmente os estrangeiros, reforçaram o movimento de saída de suas posições em dólar prevendo que, com o enfraquecimento da economia mundial e brasileira este ano, haverá menor demanda por moeda de importadores, as filiais de empresas estrangeiras no Brasil terão menos lucros e dividendos para remeter às matrizes no exterior e haverá redução em despesas com viagens internacionais.
Pressão
Tudo isso, segundo ele, diminuirá a pressão de demanda sobre o dólar e a expectativa é de que as cotações da moeda poderão ceder mais. Assim, esses players podem embolsar parte de eventuais ganhos antes que os preços recuem mais, explicou Nehme. Nesse contexto, ele avalia que o dólar poderá vir a testar os R$ 2,10 em breve. Apesar de Nova York ter tirado a Bovespa do vermelho, os investidores estão um pouco mais cautelosos com o mercado acionário doméstico, em razão do PIB do quarto trimestre do ano passado. O tombo visto na economia uma hora vai aparecer nos balanços e isso motivaria um ajuste. Além do mais, ao contrário do que o governo vinha dizendo, de que o pior da crise teria se concentrado no final do ano passado, os dados, principalmente da indústria, mostram que não é bem assim.
CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, divulgou uma consulta empresarial realizada entre os dias 4 e 11 de março, portanto antes da apresentação do PIB, na qual detectou que oito em cada dez empresas industriais acreditam que os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira se tornaram mais intensos no primeiro trimestre de 2009, quando comparado a dezembro de 2008. Segundo a pesquisa, 79% dos entrevistados afirmaram que os impactos aumentaram ou aumentaram muito neste período.
Reta final
Ontem, apesar da queda da Vale, algumas siderúrgicas viraram para cima na reta final da sessão e ajudaram a consolidar a alta do índice: Gerdau PN, +1,26% e CSN ON, +1,22%. A outra blue chip doméstica, Petrobras, teve um bom desempenho, incentivada pela disparada do petróleo no mercado internacional, pela compra por investidores estrangeiros e também pelo vencimento de opções sobre ações na próxima segunda-feira. Petrobras ON, +2,30%, Petrobras PN, +1,25%.
Juros
Já o mercado de juros operou volátil ontem, à mercê de alguns fatores, entre eles os ajustes à decisão do Copom de reduzir a Selic em 1,5 ponto porcentual, para 11,25%, e sob a influência dos leilões de papéis prefixados do Tesouro e de revisões de estimativas para a taxa básica no final do ano feitas por algumas casas. No encerramento da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2010 (412.980 contratos) projetava 9,94%, de 9,98% no fechamento e 10% no ajuste. O DI janeiro de 2012 (63.620 contratos) estava em 10,65%, de 10,60% no fechamento e 10,63% no ajuste de ontem.
Selic
A curva a termo fechou ontem bastante ajustada ao tamanho do corte da Selic decidido à noite pelo Copom, mas como havia grandes posições montadas para uma queda maior, de 2 pontos porcentuais, a expectativa era de que o DI janeiro de 2010 passasse por uma realização de lucros, com o desmonte dessas apostas. No entanto, esse ajuste foi moderado e parcial, e este contrato passou boa parte do pregão em baixa. De acordo com um profissional, ajudam a explicar esse fato relatórios enviados a clientes, um deles preparado pelo banco UBS Pactual e outro da MCM Consultores, em que revisam para baixo a perspectiva para a Selic em 2009.
Agência Estado





