Bovespa em alta
Dólar em baixa

Bovespa

A disparada das Bolsas americanas e o ''otimismo'' dos investidores quanto ao Comitê de Política Monetária (Copom) de hoje ajudaram a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) a subir com força e zerar as perdas deste ano ontem. A contração do PIB (Produto Interno Bruto) somente reforçou as apostas de que o Comitê será forçado a rebaixar ainda mais a taxa básica de juros do país, o que em geral favorece investimentos em Bolsa de Valores.O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, disparou 5,59% no fechamento e alcançou os 38.794 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,42 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou em forte alta de 5,80%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq valorizou 7,06%.

Bip

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou ontem que o PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 3,6% entre o quarto e o terceiro trimestre do ano passado, uma contração que surpreendeu mesmo os analistas mais pessimistas. O desastre do PIB, no entanto, estimulou o mercado a aumentar as ''apostas para a reunião do Copom de amanhã: em vez de um ponto percentual, como era consenso até semana passada, as projeções para para 1,5 ponto. O economista Elson Teles, da corretora Concórdia, foi um dos que modificaram seu cenário para o Copom, e também já trabalha com um corte de 1,5 ponto percentual.

Salvo

O mercado global teria todos os motivos ontem para registrar um dia de perdas amargas, com algumas das principais autoridades econômicas do planeta descrevendo um cenário de dificuldades para os próximos meses. Foi ''salvo'', no entanto, por uma notícia surpreendendo vinda do Citigroup, um dos bancos americanos mais afetados pela crise financeira global, que Vazou para o mercado a informação de que a instituição financeira conseguiu apurar lucro no primeiro bimestre. A diretoria do grupo informou, ainda em caráter preliminar, que o resultado operacional bateu a casa dos US$ 8,3 bilhões no período, o melhor desempenho desde o terceiro trimestre de 2007.

Valorização

A notícia gerou uma valorização em massa das ações do setor financeiro, tanto nos EUA quanto no Brasil. Na Bovespa, a ação preferencial do Bradesco subiu 5,57%; a ação do Itaú, 6,23%, enquanto a ação ordinária do Banco do Brasil teve forte ganho de 4,08%. A ''unit'' (recibo de ações) do Unibanco subiu 6,18%. O ''fator Citigroup'' contribuiu para sobrepujar outras notícias que fatalmente não cairiam bem para o mercado, principalmente num dia esvaziado de indicadores econômicos mais importantes. Na Europa, o Reino Unido registrou uma queda de 12,8% da produção industrial em janeiro, a pior retração desde 1981.

Rodada

O mercado de juros promoveu uma nova rodada de queda das taxas nesta terça-feira, com o foco totalmente voltado à decisão a ser anunciada hoje pelo Copom. As taxas retomaram à tarde a tendência de baixa, após uma manhã de realização de lucros em resposta ao forte recuo visto anteontem. Embora pior do que as projeções dos analistas, o resultado do PIB do quarto trimestre de 2008 produziu uma reação modesta nos contratos, pois, segundo operadores, o mercado já teria antecipado ontem um número mais fraco, que acabou se confirmando.

Esgotamento

Na sessão vespertina, sem nenhuma notícia de impacto, o fluxo doador foi retomado pelo esgotamento do processo de ajuste feito pela manhã, uma vez que os dados do PIB, de toda maneira, reforçam a avaliação de que o Banco Central vai acelerar o ritmo de cortes da Selic amanhã. O mercado está dividido entre as apostas de redução da taxa básica em 1 ponto porcentual e 1,5 ponto, mas a vertente mais agressiva está ganhando força, segundo operadores. No final da negociação normal, a precificação na curva a termo estava em 1,34 ponto porcentual, de aproximadamente 1,30 ponto no início da tarde.

Selic

Paralelamente, mais instituições revisaram sua estimativa de corte para a Selic em março após o resultado do PIB, como foi o caso do JPMorgan. O banco, que apostava em queda de 1 ponto, agora prevê que o Copom reduzirá a taxa em 2 pontos, para 10,75% ano, segundo o economista Julio Callegari. Para ele, é bem provável que a influência do PIB no Copom seja grande, uma vez que os dados surpreenderam não somente os economistas, mas também foram piores do que as projeções do próprio Banco Central que constam do último relatório de inflação.

Dólar

Em meio à firme recuperação parcial de perdas pelas bolsas norte-americanas, os investidores no mercado doméstico se animaram em reduzir posições compradas em dólar a fim de migrar para aplicações em renda fixa e ações. O dólar à vista oscilou em terreno negativo na sessão, com um giro financeiro um pouco melhor do que na véspera. No fechamento, o pronto caiu 1,09%, a R$ 2,349 no balcão, e 1,34%, para R$ 2,348 na BM&F. O volume financeiro total movimentado para cerca de US$ 1,850 bilhão (cerca de US$ 1,729 bilhão em D+2).No mercado futuro, o dólar abril09 foi à cotação de R$ 2,3535, em baixa de 2,02%, informou o gerente de câmbio de um banco de investimentos em São Paulo.

Das Agências

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