Bovespa cai
Dólar sobe



Bovespa

A Bovespa abriu em alta e foi alimentada pelo resultado do relatório do mercado de trabalho norte-americano em linha com as previsões. Mas o otimismo logo foi trocado pelo choque de realidade. Os índices norte-americanos viraram e operaram em queda até pouco antes do fechamento, quando o Dow Jones e o S&P 500 buscaram recuperação e acabaram por fechar em alta. A Bovespa acompanhou a volatilidade de Wall Street, mas não conseguiu se manter no azul, fechando em queda de 0,71%, aos 37.105,09 pontos. No mês e na semana, acumula perdas de 2,82% e, no ano, de 1,18%. O giro financeiro totalizou R$ 3,755 bilhões.

Volátil

Dow Jones fechou em alta de 0,49%, aos 6.626,94 pontos, S&P avançou 0,12%, aos 683,38 pontos, e Nasdaq caiu 0,44%, aos 1.293,85 pontos. Mas a fotografia final do pregão nem de longe mostra o dia no mercado, muito volátil e predominantemente negativo. O payroll foi o principal condutor dos negócios - e não um dos bons: em fevereiro, foram fechadas 651 mil vagas de trabalho nos EUA, em linha com as previsões, mas os números dos dois últimos meses foram revistos para pior: dezembro para -681 empregos, o maior corte desde outubro de 1949, e janeiro para -655 mil vagas.


Empregos

Apenas nos últimos quatro meses, 2,6 milhões de pessoas perderam seus empregos, número que sobe para 4,4 milhões se contabilizados os fechamentos de postos de trabalho desde que a recessão começou, em dezembro de 2007. A taxa de desemprego dos EUA subiu de 7,6% em janeiro para 8,1% em fevereiro (os analistas previam 8%), atingindo o nível mais elevado desde dezembro de 1983. Alguns economistas acreditam que a taxa possa atingir 10% até o final do ano.

Atlântico

O relatório do mercado de trabalho atravessou o Atlântico e também pressionou o fechamento em baixa das bolsas europeias, puxadas por perdas em bancos e seguradoras. Londres foi a exceção ao subir 0,02%. Em Paris, o índice CAC-40 recuou 1,37%, e bolsa de Frankfurt fechou com o índice Dax em queda de 0,79%.
No Brasil, as ações da Petrobras, que operaram em alta numa parte do dia, ajudam a explicar a resistência da Bovespa durante a sessão. Mas também servem para justificar a queda no final. Os papéis inverteram para baixo e ampliaram as perdas nas duas últimas horas, na contramão do petróleo, que subiu 4,38%, aos US$ 45,52.

Petrobras

Petrobras ON recuou 1,84% e PN, 1,27%. A estatal divulgaria ainda ontem seu balanço do quarto trimestre do ano passado, para o qual os analistas ouvidos pela Agência Estado estimam lucro de R$ 7,678 bilhões, 52% a mais do que o mesmo período em 2007, porém 29% menor do que no terceiro trimestre do ano passado. Hoje, a estatal anunciou que bateu novo recorde de produção na quarta-feira, 4 de março, com 2,012 milhões de barris.

Estrangeiros

Houve ainda vendas de estrangeiros, que se desfizeram de ações no mercado doméstico, abatendo não só Petrobras como também Vale, que recuou em grande parte do dia. As ações da mineradora brasileira recuaram 2,63% a ON e 2,32% a PNA. Siderúrgicas acompanharam. Já os bancos domésticos subiram em bloco, embora este não tenha sido o sinal predominante nos EUA, apesar de a Wells Fargo ter trazido uma boa notícia. A instituição informou fortes resultados em janeiro e fevereiro e anunciou que a integração do Wachovia Corp terá um custo menor que o esperado. Além disso, cortou seus dividendos em 85% e anunciou uma redução adicional de custos de US$ 2 bilhões em resposta à crise. As ações do Wells Fargo subiram 6,03%.

Trégua

Mas se Wells Fargo foi um ponto de trégua ontem, GM atuou na outra ponta. As ações fecharam em queda de 22,04%, cotadas a US$ 1,45, não sem antes terem recuado abaixo de US$ 1,40, no menor preço em 75 anos. A razão foi uma reportagem do ''Wall Street Journal'' citando que os executivos da companhia estariam mais abertos a um pedido de concordata. À tarde, no entanto, a GM respondeu que não mudou sua posição sobre o assunto e disse acreditar que sua reestruturação vai funcionar.


Dólar

Já o mercado de câmbio operou com um fraco giro financeiro ontem, o que favoreceu a volatilidade das cotações à vista do dólar à vista dependendo do tom das notícias locais e do exterior. Após uma semana de estresse nos mercados em meio ao temor sobre o futuro de grandes bancos e empresas norte-americanos, como o Citigroup, a seguradora AIG e a montadora General Motors, os investidores demonstraram cansaço, disse um operador de uma corretora.

Giro

O dólar na BM&F subiu 0,08%, a R$ 2,382; e no balcão caiu 0,21%, para R$ 2,375. Na semana e em março, até o momento, o pronto no balcão apura ganho de 0,17% e, no ano, de 1,71%. O giro financeiro total ontem foi o menor registrado desde 16 de fevereiro, de US$ 519 milhões, por causa do feriado pelo Dia do Presidente nos EUA. Ontem, o giro total à vista somou cerca de US$ 1,010 bilhão, sendo US$ 950 milhões em D+2.


Agência Estado

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