MERCADO FINANCEIRO
Bovespa em alta
Dólar em baixa
Alta
São Paulo- Em uma sessão bastante volátil, a Bovespa conseguiu recuperar uma pequena parte das perdas de ontem e fechou em alta de 0,64%, aos 36.467,56 pontos. A alta foi impulsionada pelas ações de Vale e siderúrgicas. Mas o sinal azul não foi constante o dia todo. Embora a análise no início do pregão fosse de recuperação técnica diante das perdas de ontem, a fala do presidente do Fed (banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, e novos indicadores ruins nos Estados Unidos causaram estresse no início da tarde. Mas declarações do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e do presidente Barack Obama trouxeram alívio.
Agressividade
Bernanke afirmou a um comitê do Senado que a situação bancária não foi estabilizada, que os indicadores de curto prazo mostram pouco sinal de melhora e que é preciso agir com agressividade para resolver os problemas econômicos. Disse ainda estar irritado e desconfortável com a situação da AIG, a seguradora que ontem anunciou prejuízo corporativo recorde na história norte-americana e consumiu mais US$ 30 bilhões do governo para não quebrar - razão do tombo dos mercados ontem. Mas nem tudo foi ruim no discurso de Bernanke. Ele apoiou os esforços da Casa Branca para estimular a economia, ao afirmar que é preciso uma ação agressiva para evitar uma calamidade econômica, mesmo que isso adicione trilhões de dólares à dívida do governo.
Confiante
Mais tarde, as declarações do presidente Barack Obama, de Geithner e do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, deram alívio às bolsas norte-americanas, garantindo uma ampliação dos ganhos à Bovespa. O presidente dos EUA disse estar ''absolutamente confiante'' que seus planos para reavivar a economia e restaurar a estabilidade no sistema financeiro irão funcionar. Gordon Brown emendou que ''haverá uma grande mudança regulatória'', com a possível criação de ''new deal'' (novo acordo) global nos próximos meses. Obama e Brown reuniram-se hoje na Casa Branca para discutir uma resposta coordenada à crise financeira antes da reunião do G-20 em Londres no mês que vem.Por sua vez, Timothy Geithner, em audiência em comitê da Câmara, defendeu a ajuda financeira do governo Obama à seguradora AIG e outras instituições financeiras.
Locomotiva
No Brasil, os papéis da Vale foram a locomotiva do pregão, puxando ainda as ações do setor siderúrgico. Em relatório de ontem, o Citigroup nomeou os ADRs da Vale e as ações da rival Rio Tinto como top pick entre as 5 grandes mineradoras globais, e manteve o preço-alvo do ADR da Vale em US$ 28,00, com recomendação de compra. Esta tarde, o Goldman Sachs, também em relatório, reduziu o preço-alvo em seis meses para os ADR ON da Vale de US$ 19 para US$ 18, e para os ADR PN da mineradora de US$ 17 para US$ 16. Mas manteve a recomendação de compra.
Recuperação
Vale ON terminou em alta de 1,92% e Vale PNA, de 2,18%. Os metais fecharam em alta no exterior. As siderúrgicas acompanharam a recuperação da mineradora e subiram. Petrobras, que nos momentos de melhora das bolsas norte-americanas foi a escolha dos investidores para compra, não sustentou a alta. A ação ON caiu 0,59% e a PN, 0,88%. O preço do petróleo subiu na Nymex: o contrato para abril avançou 3,74%, para US$ 41,65.
Repique
O dólar comercial foi negociado a R$ 2,411 para venda, em baixa de 1,26%, nas últimas operações de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 2,570, em alta de 0,39%.A taxa de câmbio teve um repique após dois dias em que subiu quase 5%, após o ''susto'' dos agentes financeiros com a deterioração do setor financeiro nos EUA. Analistas comentam que o rombo do AIG gerou um aumento brusco na aversão ao risco, empurrando as cotações de volta para a casa dos R$ 2,45 no mercado à vista e R$ 2,50 no futuro. ''O real ainda deve sofrer mais, apesar de todos acreditarem que o Brasil esta em ótima situação na comparação com os outros emergentes'', resume Octavio Vaz, gestor de Renda Fixa da Global Equity.
Artificial
Profissionais do mercado, no entanto, insistem que a alta do dólar é ''artificial'', ao refletir muito mais um movimento especulativo no mercado futuro, por agentes financeiros que detém contratos em que ganham com desvalorização do real, do que um temor fundamentado pela economia brasileira.
Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 2,45 e R$ 2,41, com forte pressão desde a abertura. O Banco Central, mais uma vez, evitou intervir no mercado de câmbio.
Juros futuros
O mercado futuro de juros, que serve de referência para as tesourarias dos bancos, elevou as taxas projetadas para 2010 e 2011.No contrato com vencimento em abril de 2009, a taxa projetada passou de 11,94% ao ano para 11,93%; no vencimento de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 10,66% para 10,68%; no contrato com o vencimento de janeiro de 2011, a taxa prevista passou de 10,94% para 11%. A inflação medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no município de São Paulo teve variação de 0,27% em fevereiro ante 0,46% em janeiro.
Das Agências





