Bovespa desaba

São Paulo- Arrastada pelas bolsas internacionais, a Bovespa iniciou o mês de março com perda de 5,1% e voltou ao nível do início de dezembro, em razão das quedas principalmente da Vale, Petrobras, siderúrgicas e bancos. O clima de aversão a risco se acentuou com o prejuízo recorde da AIG, com consequente socorro do governo norte-americano, e o reforço no caixa do HSBC, que a instituição fará por meio de emissão de ações. As commodities recuaram diante da constatação de que a retração da demanda será elevada.

Maior baixa

A queda de ontem do Ibovespa neste primeiro pregão de março foi a maior baixa porcentual desde 12 de janeiro (-5,24%). Terminou aos 36.234,69 pontos, menor nível desde 5 de dezembro de 2008 (35.347,39 pontos). Tal desempenho anulou os ganhos acumulados no ano até a última sexta-feira e a bolsa passou a recuar 3,50% em 2009.

Start

As bolsas asiáticas fecharam em baixa, mas foi uma notícia da Europa que deu o start para ordens de vendas mais firmes. O HSBC confirmou que fará uma emissão de ações de US$ 17,7 bilhões para reforçar seu capital. Os papéis da instituição reagiram em queda, espalhando o sinal por todo o setor. O banco ainda anunciou lucro líquido de US$ 5,73 bilhões em 2008 - ante US$ 19,13 bilhões em 2007 -, corte de dividendos e o fechamento de suas operações de financiamento ao consumidor nos Estados Unidos, resultando na demissão de cerca de 6,1 mil funcionários.

Plano de socorro

Ainda no velho continente, a União Europeia não aceitou a proposta da Hungria de criar um plano de socorro financeiro aos países da Europa Central e do Leste, analisando caso a caso a ajuda. Em Londres, o índice FT-100 caiu 5,33%, aos 3.625,83 pontos - nível mais baixo desde 31 de março de 2003. Em Paris, o índice CAC-40 recuou 4,48%, a 2.581,46 pontos - menor nível desde março de 2003. Em Frankfurt, o índice Xetra-Dax teve baixa de 3,48%, aos 3.710,07 pontos. As ações do HSBC fecharam em baixa de 18,78%. Em Paris, BNP Paribas fechou em baixa de 9,3%, enquanto em Frankfurt, Deutsche Bank caiu 5,1%.


Mais ajuda

Nos Estados Unidos, o governo anunciou mais uma ajuda à seguradora AIG, já socorrida no ano passado. O anúncio foi feito depois que a empresa revelou prejuízo recorde de US$ 61,66 bilhões, o maior registrado por uma companhia nos Estados Unidos. O governo vai injetar US$ 30 bilhões em capital na AIG em troca de ações preferenciais.


Derreteram

Com o sistema financeiro em cheque, as bolsas norte-americanas derreteram. O Dow Jones caiu 4,24%, e fechou abaixo de 7 mil pontos, aos 6.763,29 pontos, o menor nível desde abril de 1997. O S&P perdeu 4,66%, aos 700,82 pontos e o Nasdaq recuou 3,99%, em 1.322,85 pontos. Alguns indicadores divulgados ontem até vieram ligeiramente melhores do que as previsões, mas ainda são fracos e não aliviaram o quadro negativo deste início de semana.


Aversão

As notícias externas ampliaram a aversão a risco nos mercados e derrubaram as commodities, diante da certeza de retração da demanda global. No Ibovespa, apenas uma ação fechou no azul: Natura ON, que subiu 0,14%. Vale ON recuou 5,67% e PNA, 5,89%. Petrobras ON fechou em baixa de 6,18% e PN, de 5,23%, acompanhando o tombo do petróleo no exterior.


Dólar

O acirramento da aversão ao risco no mercado internacional provocou debandada de investidores das bolsas e a busca de proteção em dólar, num movimento que amparou a valorização da divisa norte-americana ante o euro, a libra e moedas de países emergentes. No Brasil, os investidores se apegaram ao ambiente externo ruim para justificar um movimento especulativo com dólar futuro, que deu suporte à valorização das cotações à vista pela segunda sessão consecutiva.

Especulações

Segundo o operador Sidnei Nehme, da NGO Corretora, a pressão de alta sobre o dólar à vista refletiu especulações de investidores, especialmente estrangeiros que têm posição comprada líquida em dólar futuro de cerca de US$ 13 bilhões. Esta avaliação foi compartilhada por operadores de câmbio de outras instituições locais e estrangeiras consultados pela AE.Para Nehme, não há nenhum tipo de tensão cambial interna nem houve fluxo negativo importante, por isso, o Banco Central permanece ausente do mercado à vista de câmbio desde 4 de fevereiro.

Movimento artificial

''O que está havendo é um movimento artificial de alta do dólar futuro e, por tabela, das cotações à vista, que atende a interesses de players comprados em dólar futuro. Esses investidores estariam usando o ambiente externo ruim como pretexto para criar um ambiente favorável a eles para venda de moeda no curto prazo. Assim, estão atuando na compra a fim de puxar as taxas à vista e futuras para tentar maximizar ganhos para posteriormente vir a reduzir essas posições com melhor retorno possível'', afirmou.


Agência Estado

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