MERCADO FINANCEIRO
Bolsas europeias em baixa
Ações de bancos em alta
Estatização?
Londres - A maior parte das bolsas europeias terminou em baixa ontem, devolvendo os ganhos registrados mais cedo. As perdas de ações do setor farmacêutico e de serviços públicos compensaram os ganhos dos bancos.
Ajudados pelas declarações feitas ontem pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, de que não acredita que nenhum banco esteja à beira de ser estatizado, os papéis do HSBC subiram 4,3% em Londres, os do BNP Paribas avançaram 5,2% em Paris e os do Santander ganharam 2,8% em Madri.
Dificuldade
''Esforços vêm sendo tomados pelos EUA, Reino Unido e outras autoridades para assegurar empréstimos, o que, espera-se, deverá estimular o aumento do crédito'', destacou o diretor de pesquisa estratégica da Cazenove, Darren Winder. ''A dificuldade nesse momento é que as pessoas geralmente têm pouca confiança na eficácia dessas medidas'', destacou. Em Londres, o índice FT-100 subiu 32,54 pontos, ou 0,85%, para 3.848,98 pontos. Além dos bancos, as seguradoras também subiram (Prudential +0,4%, Aviva +5,7%, Old Mutual +0,7%).
Lucro
No setor imobiliário, destaque para Hammerson (+7,5%), após ser elevada de neutra para overweight pelo JPMorgan, e para Segro, que avançou 12,4%, após assinar uma linha de crédito de 1,7 bilhão de libras (US$ 2,5 bilhões). Cadbury subiu 3,9%. O grupo obteve lucro líquido de 366 milhões de libras e receita de 5,4 bilhões de libras em seu ano fiscal, um resultado considerado bom pelos analistas.
De olho na Basf
Em Frankfurt, o índice Dax cedeu 49,54 pontos, ou 1,27%, para 3.846,21 pontos. As ações da Henkel ganharam 5%, após o grupo informar que seu lucro líquido no quarto trimestre mais do que triplicou em comparação com o registrado em igual período do ano passado, somando 863 milhões de euros. Deutsche Boerse subiu 5,6%, após a divulgação de seu balanço trimestral, e Deutsche Bank avançou 5,5%, com cobertura de posições. Hoje, os investidores estarão de olho nos balanços da Basf, RWE, Allianz e Deutsche Post.
Bolsas
A bolsa de Paris fechou com o CAC-40 em queda de 11,13 pontos, ou 0,41%, aos 2.696,92 pontos, prejudicada pela perda em Wall Street. Accor caiu 6,2%, com a divulgação de resultados decepcionantes referentes a 2008 e o anúncio de uma perspectiva ruim. Em Milão, o índice S&P/Mib cedeu 218 pontos, ou 1,41%, para 15.218 pontos. A bolsa de Madri terminou com ganho de 28,70 pontos, ou 0,38%, aos 7.512,10 pontos.
Ameaça de calote
A mexicana Cemex, terceira maior fabricante de cimento do mundo, ameaçou dar um calote em sua dívida de quase US$ 19 bilhões se não conseguir repactuar o débito.''Se não conseguirmos refinanciar em termos favoráveis, ou não conseguirmos absolutamente nada, não poderemos cumprir nossas próximas obrigações de dívida'', disse a companhia, num comunicado entregue na última terça-feira à Security and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos EUA). A empresa disse ainda que pode ''incorrer em mais dívida no futuro''.
Relatórios fracos
A dívida total da Cemex é de US$ 18,78 bilhões - US$ 6,9 bilhões em obrigações de curto prazo e US$ 11,85 bilhões em dívida de longo prazo. O montante inclui US$ 3,02 bilhões de ''obrigações perpétuas'' que o México não considera dívida, mas os EUA, sim. No mês passado, a Cemex disse que poderia refinanciar apenas US$ 4 bilhões de sua dívida. A renegociação do restante, conforme reconheceu a empresa, havia sido impossibilitada pelos fracos relatórios emitidos pelas agências de classificação de risco Standard & Poor's e Fitch Ratings.
Impacto
A companhia mexicana informou ainda que suas operações estão sentindo o impacto negativo da crise econômica global, e que os planos de reforço da infraestrutura anunciados por vários países, incluindo os EUA, foram muito pouco e muito tardios para a Cemex. Com instalações em 50 países, a empresa disse que espera economizar US$ 700 milhões com o corte de 10% de sua força de trabalho e a redução de US$ 550 milhões em seu fundo de investimentos. As informações são da Dow Jones.
Dólar
O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,375 para venda, o que representa um recuo de 0,71% sobre a cotação de sexta-feira. As primeiras notícias do dia não foram animadoras para os investidores: o instituto privado NAR comunicou uma queda histórica nas vendas de imóveis usados nos EUA, com uma contração de 5,3% em janeiro, a pior desde 1997. No front doméstico, o conglomerado financeiro Itaú-Unibanco divulgou hoje que o lucro líquido foi de R$ 7,803 bilhões no exercício de 2008, abaixo dos R$ 8,47 bilhões registrados em 2007.
O boletim Focus, preparado pelo Banco Central, mostrou que a maioria dos economistas do setor financeiro prevê uma taxa Selic ainda menor no final deste ano -de 10,50% ao ano para 10,38%.
Das Agências





