BOVESPA EM QUEDA
DÓLAR EM ALTA

Pessimismo
Sem descolar do cenário de pessimismo global, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) amargou forte queda no último pregão antes do Carnaval. As perdas foram puxadas pela forte desvalorização das ações da Vale, num contexto de aversão ao risco dos investidores. A falta de novidades sobre o plano dos EUA para sanear o sistema bancário ajudou a piorar os ânimos. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, teve uma queda de 2,56%, recuando para os 38.714 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,99 bilhões. Na semana, a Bolsa acumulou retração de 7,1%.

Minérios
As ações preferenciais da Vale, alvo de R$ 818 milhões em negócios, desabaram 6,68% no pregão de ontem. Na quinta-feira à noite, a mineradora revelou lucro líquido de R$ 21,279 bilhões em 2008, com avanço de 6,36% sobre 2007. Embora os ganhos tenham ficado acima das projeções de alguns analistas, os primeiros relatórios sobre os balanços destacam a forte queda (28%) nas vendas de minério de ferro, num reflexo da recessão global. O banco americano de investimentos JP Morgan rebaixou sua recomendação para os papéis da empresa.

'Porto Seguro'
A equipe de analistas do banco ressaltou que a Vale já foi considerada um ''porto seguro'' para os investidores devido à perspectiva de recuperação dos preços das commodities (matérias-primas). No entanto, ''os números do quarto trimestre da Vale sugerem que superestimamos as expectativas de ganhos para a companhia em 2009''. Em um contexto de ''uma crise global sem precedentes'', a equipe de analistas sublinha que o balanço da empresa refletiu ''fraquezas'' tanto no segmento do minério de ferro quanto pelos minerais não-ferrosos.

Recessão
Entre as principais notícias do dia, o índice PMI, que reflete o nível de atividade dos países da zona do euro, caiu para o seu menor nível em fevereiro. O indicador teve uma leitura de 36,2 pontos, ante 38,3 em janeiro. Uma leitura abaixo de 50 pontos indica que a economia está em contração. E a montadora sueca Saab, unidade da americana General Motors, apresentou declaração de insolvência. O governo sueco já rejeitou a proposta de nacionalização da empresa, que pode se fundir com a alemã Opel.

Notícias
Nos EUA, o índice de preços no CPI (varejo) apontou inflação de 0,3% em janeiro, revertendo a queda de 0,8% (dado revisado) registrada em dezembro. Trata-se da maior variação desde julho do ano passado (antes do início da fase mais aguda da crise), quando a taxa foi de 0,7%. O investidor não encontrou melhores notícias no front doméstico: a taxa de desemprego atingiu 8,2% em janeiro, ante 6,8% no mês anterior. E o Banco Central informou que o volume de investimento estrangeiro no país caiu 60% no mês de janeiro, para US$ 1,93 bilhão. Trata-se o pior resultado para um mês de janeiro desde 2006.

Dólar
A elevada aversão ao risco que dominou o ambiente de negócios da semana empurrou o dólar comercial para sua maior cotação do ano. Nas últimas operações de ontem, a moeda americana foi vendida por R$ 2,392, em alta de 1,70%. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 2,520, com avanço de 2,02%. Seguindo uma prática estabelecida desde pelo menos a semana passada, o Banco Central evitou intervir no mercado de câmbio nesta jornada. No final da tarde, porém, a autoridade monetária programou leilões de venda de dólares com recompra programada para os meses de maio, junho e julho. As operações estão previstas para quinta-feira.

Solvência
Analistas citam duas explicações para justificar a alta das cotações nos últimos dias. Primeiro, a preocupação do mercado internacional com a solvência de grandes bancos americanos e europeus. A gravidade da situação chegou a tal ponto que o termo ''estatização'', impensável até há alguns meses, tornou um termo corrente no debate entre especialistas de repercussão mundial. Nesse quadro, há a fuga dos investidores para os títulos do Tesouro americano, ainda vistos como um ''porto seguro'' num cenário turbulento.

Juros futuros
O mercado futuro de juros, que serve de referência para as tesourarias dos bancos, rebaixou as taxas projetadas para 2009. No contrato com vencimento em abril de 2009, a taxa projetada recuou de 12,16% ao ano para 12,14%; no vencimento de janeiro de 2010, a taxa projetada foi mantida em 10,92%; no contrato com o vencimento de janeiro de 2011, a taxa prevista avançou de 11,34% para 11,40%.

Mínima
Os principais mercados de ações da Europa fecharam em baixa ontem, com algumas bolsas renovando a mínima do ano, como Londres e Frankfurt, enquanto Madri fechou no nível mais baixo desde o final de 2003. Em Londres, o índice FT-100 caiu 129,31 pontos (3,22%) e fechou com 3.889,06 pontos, nova mínima do ano. Na semana, o índice acumulou uma desvalorização de 7,17%. Em Paris, o índice CAC-40 caiu 122,05 pontos (4,25%); na semana, o índice registrou uma perda de 8,25%. Em Frankfurt, o índice Xetra-Dax recuou 200,55 pontos (4,76%) - nova mínima do ano; na semana, o índice acumulou uma queda de 9,03%.

(Com Agências)

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