BOVESPA EM ALTA
BOLSAS AMERICANAS EM BAIXA

Oposto
O noticiário corporativo doméstico, leia-se sobretudo balanços, permitiu à Bovespa fechar em sentido oposto ao das bolsas norte-americanas ontem. Com a proximidade do feriado prolongado de carnaval, os investidores já começaram a pisar no freio, mas isso não impediu que fossem às compras principalmente de Petrobras e Vale, embalados pela alta das commodities, tanto metálicas como petróleo, e também da expectativa com o balanço da mineradora.

Ibovespa
O Ibovespa terminou o dia com ligeira elevação, de 0,14%, aos 39.730,33 pontos. Na mínima, atingiu os 39.630 pontos (-0,11%) e, na máxima, 40.433 pontos (+1,91%). No mês, acumula alta de 1,09%, e no ano, de 5,81%. O giro financeiro totalizou R$ 2,948 bilhões.

Ruim
Nos EUA, as bolsas encerraram em baixa, em meio a uma nova safra de dados ruins. O pior número foi o do índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia, que caiu ao menor nível desde outubro de 1990, de -24,3 para -41,3 em fevereiro, muito mais do que os -25 previstos pelos analistas. Os pedidos de auxílio-desemprego, se nesta semana não aumentaram, também não diminuíram. Ficaram exatamente estáveis em 627 mil, enquanto as previsões eram de recuo.

Petróleo
Mas nem tudo foram trevas por lá. O PPI dos EUA subiu 0,8% ante previsão de 0,3%. O que em outros tempos seria um sinal de alarme foi ontem lido como alívio, mas, na prática, acabou não fazendo preço nos ativos. Mais felizes foram os dados de estoques de petróleo, que mostraram o primeiro declínio desde dezembro ao recuarem 200 mil barris na semana terminada em 13 de fevereiro - ante previsão de aumento de 2,9 milhões de barris. Isso acabou pesando sobre os preços da commodity, que dispararam mais de 14,04%, e o contrato para março encerrou a US$ 39,48.

Bancos
Na Europa, entretanto, ontem os bancos não estiveram entre os destaques de baixa. Ao contrário. As ações do BNP Paribas recuaram só 0,49%, UBS subiu 4,83%, Royal Bank of Scotland, +20,4% e o Lloyds Banking Group +11,8%. No Brasil, o setor bancário não fechou num sentido único, embora o sinal azul tenha prevalecido ao longo da sessão.

Oscilação
O dólar no mercado à vista voltou a oscilar sem tendência na sessão, intercalando momentos de queda e de alta na esteira do vaivém das bolsas em Nova York e da divisa norte-americana. ''O dólar vem operando com alta volatilidade, decorrente da movimentação de fluxo cambial (ora positivo ora negativo), um grande posicionamento de investidores estrangeiros na compra em dólar futuro e das incertezas no exterior'', disse um operador de uma corretora em São Paulo.

'Sem norte'
Na avaliação de especialistas, o dólar operou ontem ''sem norte'', acompanhando os índices acionários, diante das persistentes preocupações com o setor financeiro nos EUA e Europa e dúvidas dos investidores sobre se os pacotes do governo dos EUA - de estímulo econômico, de US$ 787 bilhões, e de ajuda ao setores financeiro (não detalhado) e hipotecário de US$ 275 bilhões - serão suficientes para reverter a recessão e desemprego na economia americana.

Dólar
Ontem o dólar pronto operou acima dos R$ 2,30 na sessão e oscilou 1,77%, da mínima de R$ 2,319 (-1,32%) pela manhã até a máxima, à tarde, de R$ 2,360 (+0,43%). No fechamento, a moeda ficou estável, cotada a R$ 2,351 na BM&F, e subiu 0,04%, para R$ 2,351 no balcão. O giro financeiro total à vista diminuiu 11% em relação ao anterior, para cerca de US$ 2,366 bilhões (US$ 2,232 bilhões em D+2).

Petrobras
Uma fonte de uma corretora de câmbio prevê que poderá haver incremento no fluxo financeiro para o Brasil no médio prazo, por causa da Petrobras. A estatal de petróleo brasileira assinou, ontem, um contrato para venda de 100 mil barris por dia de petróleo para a estatal chinesa Sinopec. O contrato terá validade de um ano e corresponderá a 5% da produção de petróleo da estatal no Brasil e no Exterior.

Juros futuros
Os juros futuros retomaram a disposição firme de queda ontem, embalados pelo resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em janeiro, pela decisão do Banco Central da Turquia e pelas declarações de executivos da Petrobras, de que há espaço para queda nos preços da gasolina. Foi uma sessão com bom volume de contratos negociados, especialmente nos vencimentos longos, com a ajuda dos leilões de prefixados do Tesouro.

Expectativa
A divulgação dos dados do Caged em janeiro era o evento mais esperado do dia e o saldo negativo anunciado pelo Ministério do Trabalho veio melhor do que o esperado, mas nem por isso foi considerado uma boa notícia, pois tradicionalmente janeiro é um mês de geração de vagas. No mês passado, o resultado líquido mostrou perda de 101.748 postos de trabalho formal, ante expectativa de um número negativo entre 170 mil e 300 mil vagas.

(Agência Estado)

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