MERCADO FINANCEIRO
DÓLAR EM ALTA
BOVESPA EM QUEDA
Queda profunda
As Bolsas ao redor do globo trabalharam ontem em sintonia e numa única trajetória: queda profunda. Os temores com o setor financeiro - ontem, da Europa em particular - e com as montadoras norte-americanas levaram as bolsas mundiais a mergulharem, elevando a busca por ativos menos arriscados, como o ouro. A percepção de que a demanda cairá além das previsões também puxou para baixo as commodities, gerando ordens de vendas pesadas na Bolsa doméstica, uma das que ainda conseguem garantir ganhos em 2009.
Pontuação
O Ibovespa recuou 4,77%, para 39.846,97 pontos, abaixo dos 40 mil pontos pela primeira vez desde 3 de fevereiro e menor pontuação também desde esta data (39.746,76 pontos). Durante a sessão, tocou a mínima de 39.817 pontos (-4,84%) e a máxima de 41.838 pontos (-0,01%). No mês, ainda acumula ganho, de 1,39% e, no ano, de 6,12%. O giro financeiro totalizou R$ 4,285 bilhões.
Berlinda
O setor financeiro, o mais afetado nesta crise ainda imensurável, voltou à berlinda depois que a Moody's alertou que os bancos da Europa ocidental mais expostos no Centro e Leste Europeu podem ter seus ratings rebaixados, uma vez que esta regiões enfrentam uma desaceleração econômica ainda mais profunda. Segundo a agência de classificação de risco, bancos na Áustria, Itália, França, Bélgica, Alemanha e Suécia representam 84% de todos os empréstimos bancários no centro e no Leste Europeu, sendo que o sistema financeiro austríaco tem quase a metade da exposição.
Vulneráveis
De acordo com relatório da Moody's, como os sistemas bancários modernizados só surgiram no Leste Europeu nas últimas duas décadas, eles são mais vulneráveis em períodos de nervosismo. Os bancos com maior presença no Leste Europeu são Raiffeisen, Erste Bank, Société Générale, UniCredit e KBC. Segundo a Dow Jones, os bancos da zona do euro têm US$ 1,3 trilhão em exposição de crédito na região, valor equivalente ao do mercado norte-americano de hipotecas subprime.
Europa
Não é preciso dizer que as bolsas europeias reagiram em peso ao alerta e fecharam em baixa, puxadas pelas ações das instituições financeiras. Em Londres, o índice FT-100 caiu 2,43% e fechou com 4.034,13 pontos; em Paris, o índice CAC-40 recuou 2,94%, para 2.875,23 pontos; em Frankfurt, o índice Xetra-Dax perdeu 3,44%, para 4.216,60 pontos.
Vendas
Nos Estados Unidos, a volta dos investidores após o feriado do Dia do Presidente, segunda-feira, encontrou um ambiente propício para vendas de papéis. Além das notícias da Europa - somada ao tombo do PIB japonês, segunda -, também os índices norte-americanos não agradaram. Mas foram as preocupações de que uma grande montadora possa pedir concordata que realmente tiveram mais peso nos negócios. Dow Jones terminou o dia em baixa, pela terceira sessão, de 3,79%; S&P, de 4,56%; e o Nasdaq, de 4,15%.
Comportamento
Hoje a Bovespa passará por mais um exercício, de vencimento de contratos de índice futuro e de opções sobre Ibovespa. Vários analistas ponderaram que o vencimento ajudou a impedir uma queda ainda maior da Bolsa doméstica. Para o economista José de Góes, da Win, o comportamento real da Bolsa deve ser visto a partir de amanhã, passados os vencimentos. Ele ponderou que alguns indicadores revelam que a trajetória de alta registrada pela Bolsa neste início de ano pode continuar.
Dólares
Preocupações em relação à exposição dos bancos da Europa Ocidental aos bancos do Leste Europeu reavivaram ontem a aversão ao risco nos mercados e o interesse pela compra de dólares no mundo todo. O ouro e os títulos do Tesouro norte-americano, cujos preços subiram, também serviram de refúgio para alguns investidores. A moeda norte-americana valorizou-se ante o euro e divisas de países emergentes.
Ajuste
No mercado brasileiro, a alta foi suficiente para apagar a queda que vinha sendo registrada pelo dólar em relação ao real este mês. O ajuste das cotações só não foi maior, segundo operadores consultados, porque os exportadores se destacaram na venda de moeda. Ainda assim, prevaleceu a pressão derivada da presença de players estrangeiros, que saíram da Bovespa, na ponta de compra de contratos futuros de dólar, observou um profissional de tesouraria de uma instituição estrangeira.
Oscilação
O dólar à vista oscilou em terreno positivo na sessão e fechou cotado a R$ 2,326 no balcão - maior valor desde 23 de janeiro último, de R$ 2,340, segundo levantamento do AE Taxas. No mês, a moeda passou a apurar alta de 0,48%. Contudo, no ano, o pronto no balcão recua 0,39%. Na BM&F, o pronto terminou na máxima intraday, de R$ 2,328, alta de 2,17%. O giro financeiro total aumentou 488% em relação ao de ontem, quando foi feriado nos EUA, para cerca de US$ 3,310 bilhões (US$ 3,130 bilhões em D+2).
(Agência Estado)





