PETRÓLEO EM QUEDA
JUROS FUTUROS EM ALTA

Aversão
As dúvidas quanto ao alcance dos planos de estímulo econômico nos Estados Unidos - bem como em relação às medidas em si, no caso do pacote do Tesouro - criaram um ambiente de aversão ao risco reforçado pela continuidade de indicadores frágeis e balanços ruins. Isso levou a uma queda generalizada nas bolsas de valores mundiais, embora a Bovespa tenha encontrado um ponto de suporte importante que acabou por limitar as perdas, com ajuda das ações da Petrobras e da Vale.

Pessimismo
O Ibovespa terminou a sessão em queda de 0,84%, aos 40.500,79 pontos. Tocou a mínima de 39.992 pontos (-2,09%) e a máxima de 41.082 pontos (+0,58%). A onda de pessimismo que abateu o mercado foi tão forte que nem mesmo o fato de o principal indicador aguardado nos Estados Unidos, o de vendas no varejo, ter sido positivo desanuviou o ambiente. Pela primeira vez em sete meses, as vendas cresceram 1% em janeiro, ante previsão de queda de 0,8%. Os especialistas interpretaram o dado como sendo um ajuste.

Auxílio-desemprego
A diminuição de 8 mil no número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana nos EUA também não agradou, mas por causa do dado que mostra a média móvel em quatro semanas. Neste caso, o resultado cresceu 24 mil, para 607,5 mil, o maior nível desde novembro de 1982. Já os estoques das empresas caíram 1,3% em dezembro, a maior queda desde o declínio recorde de 1,5% de outubro de 2001.

Commodities
Com a demanda menor por produtos finais, as commodities também despencaram ontem. No caso do petróleo, o produto afundou pela quinta sessão seguida e fechou a US$ 33,98, em baixa de 5,45%. Os investidores não estão conseguindo ver a luz no final do túnel, principalmente depois que o governo Obama não sanou as dúvidas sobre como funcionará o plano para adquirir ativos tóxicos do sistema. Também o pacote que deve ser aprovado hoje pelo Congresso será menos ousado do que queria o novo presidente norte-americano - e pode ter efeitos menos eficazes.

Vermelho
Nos EUA, as bolsas passaram o dia no vermelho e no início da noite apontavam perdas de mais de 2%, com os investidores céticos sobre a eficácia dos planos de recuperação da economia aprovados esta semana. A princípio, esperava-se que os indicadores divulgados nos EUA fossem poupar os ativos financeiros, o que não aconteceu, mesmo com as vendas no varejo tendo avançado 1% em janeiro - o primeiro aumento em sete meses.

Temores
Os mesmos temores que assolaram os EUA também pesaram na Europa, que contou ainda com uma série de balanços ruins pressionando as ações, além da queda de 2,6% na produção industrial em dezembro ante novembro e de 12% ante dezembro de 2007. Vale registrar que a Espanha entrou em recessão técnica, depois que o governo anunciou recuo de 1% no PIB do país no quarto trimestre. Em Londres, o índice FT-100 caiu 0,76%; em Paris, o índice CAC-40 perdeu 2,09%; em Frankfurt, o índice Dax-30 teve queda de 2,70%.

Dólar
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,288 nas últimas operações contratadas ontem, em leve baixa de 0,08% sobre a taxa verificada na sessão de quarta-feira. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado por R$ 2,410, em alta de 1,26%. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 2,270 e R$ 2,305, numa jornada caracterizada pela falta de tendência definida dos negócios.

Mercado
O Banco Central seguiu a prática adotada desde a semana passada, pelo menos, e evitou entrar no mercado de câmbio. Quarta-feira, a autoridade monetária se limitou a realizar um leilão de dólares para financiamento de operações de comércio exterior, que teve efeito bastante restrito sobre a formação dos preços da moeda americana. Ainda permanece o ambiente generalizado de preocupação com a economia americana, enquanto o mercado aguarda maiores detalhes sobre a implantação das propostas da Casa Branca para estimular a chamada ''economia real'' (consumo e setor produtivo) e a circulação de crédito.

Contratos
No mercado futuro, porém, o dólar março teve seu último negócio na cotação máxima do dia, de R$ 2,318, alta de 1,87%, informou um operador de um banco nacional. Segundo a BM&F, esse contrato movimentou US$ 13,585 bilhões, do total de US$ 14,645 bilhões transacionados com os cinco vencimentos futuros de dólar negociados.

Juros futuros
O mercado futuro de juros, que serve de referência para as tesourarias dos bancos, elevou as taxas projetadas para 2010 e 2011. O contrato com vencimento em março de 2009 apontou juro de 12,65% ano ante 12,64% quarta-feira; no vencimento de janeiro de 2010, a taxa projetada avançou de 11,13% para 11,18% e no contrato com o vencimento de janeiro de 2011, a taxa prevista passou de 11,55% para 11,62%.

(Com Agências)

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