Volatilidade
O dólar fechou em alta pelo segundo dia seguido ontem, acompanhando a volatilidade dos mercados globais em meio às incertezas dos investidores sobre os pacotes de estímulo econômico e ajuda financeira dos Estados Unidos. A moeda norte-americana fechou a R$ 2,290, em alta de 0,26%, após ter chegado a subir 0,79% e a cair 0,88%. Na véspera, o dólar avançou 2%. ''A crise básica é dos Estados Unidos. Por mais que o Brasil tome medidas, é tudo paliativo. Só haverá horizonte positivo, quando eles (os EUA) fecharem um plano de estímulo econômico definitivo'', avaliou Marcelo Voss, economista-chefe da Corretora Liquidez.

Bovespa
Depois de ter chegado a subir em torno de 2% nesta sessão, o principal índice de ações da Bovespa recuou mais de 1% no final da tarde. Os indicadores acionários norte-americanos também mostravam volatilidade.

Pregão
Depois de ter operado em alta durante quase todo o pregão desta quarta-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) inverteu o sentido e caiu a 1,67% no final do pregão. Ontem a queda foi de 2,12% devido à frustração dos investidores com os pacotes econômicos dos Estados Unidos. Ontem os investidores receberam a notícia de que o déficit comercial dos EUA caiu em dezembro para o menor valor mensal em seis anos.

Fluxo cambial I
O fluxo cambial, que mede a entrada e saída de dólares no país, está positivo em US$ 345 milhões, segundo dados do Banco Central até a semana passada. Isso significa que houve mais dinheiro entrando do que saindo no país neste período. No mesmo intervalo do ano passado, foi registrado saldo positivo de US$ 1,6 bilhão. Na área financeira, o resultado está positivo em US$ 99 milhões. No comércio exterior (diferença entre exportações e importações), houve um superávit de US$ 246 milhões.

Fluxo cambial II
Os dados do crédito para exportadores por meio de ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) ficou positivo em US$ 821 milhões. Esse mecanismo permite que uma empresa possa receber adiantado o dinheiro de um contrato de exportação. No ano, o fluxo ainda está negativo, em US$ 2,673 bilhões. Na área financeira, houve saída de US$ 3,451 bilhões. No comércio exterior, entraram US$ 778 milhões.

Comércio Exterior
O Banco Central anunciou ontem que repassou integralmente o lote de US$ 1 bilhão destinado ao financiamento para o comércio exterior em operações que podem contar com a garantia em Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE). Segundo o BC, a taxa de corte ficou em 1,5% sobre a taxa Libor, principal referência no mercado londrino. Ao todo, foram aceitas 16 propostas. De acordo com o BC, os dólares serão vendidos aos bancos por R$ 2,2680. Essa operação terá liquidação no próximo dia 13 de fevereiro.

Sem solução
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o plano econômico aprovado pelo Congresso dos EUA não resolve o principal problema da economia norte-americana, que são os ativos podres dos bancos internacionais. O ministro ainda avalia que o problema de falta de crédito provocado pela crise ainda persiste, mas já apresenta sinais de melhora, tanto no Brasil como no exterior. Mantega afirmou que alguns bancos brasileiros já estão conseguindo rolar entre 60% e 70% dos seus vencimentos de créditos internacionais.

Queda
As principais bolsas asiáticas registraram quedas ontem, mesmo com a aprovação do esperado pacote de estímulo à economia dos Estados Unidos proposto pelo presidente Barack Obama. O Senado americano liberou US$ 838 bilhões para o plano de resgate. A Bolsa de Hong Kong recuou 2,46%; a Bolsa de Xangai teve perdas de 0,19%; o ASX, da Bolsa de Sydney (Austrália), perdeu 0,41%; o Kospi, da Bolsa de Seul (Coreia do Sul), também teve perdas de 0,72%. A Bolsa de Tóquio (Japão) não abriu devido a um feriado.

Europa
A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,50% ontem, encerrando o dia com 4.234,26 pontos. O mercado londrino subiu, apesar das perdas no banco Barclays e do Banco da Inglaterra (BC britânico) ter informado que o Reino Unido está em uma profunda recessão. As Bolsas de Milão (Itália) e Zurique (Suíça), no entanto, fecharam em baixa - de 0,76% e 0,41% respectivamente. As perdas ficaram limitadas a poucos mercados hoje devido à alta nas ações do setor farmacêutico, com destaque para os ganhos da Sanofi-Aventis (+8%), depois de ter apresentado ganhos melhores que o esperado.

Prejuízos
O banco suíço Credit Suisse anunciou um prejuízo de 6,02 bilhões de francos suíços (US$ 5,20 bilhões) no quarto trimestre do ano passado, saindo de um lucro de 540 milhões de francos suíços no mesmo período de 2007. O resultado também foi pior do que apontava a média das previsões de analistas, de uma perda de 4,14 bilhões de francos suíços. No resultado do ano, a instituição acumulou um prejuízo com as operações continuadas no total de 7,687 milhões de francos suíços (US$ 6,64 milhões), comparado a um lucro de 7,754 milhões de francos suíços em 2007.

(Com Agências)

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