BOVESPA EM ALTA
DÓLAR EM QUEDA

Impulso
A melhora das bolsas norte-americanas à tarde impulsionou os ganhos na Bovespa e levou o dólar à vista a ampliar a queda e a fechar a R$ 2,288, no menor valor desde 29 de janeiro, que representa um declínio de 0,86% sobre a cotação de quarta-feira. A recuperação dos índices acionários em Wall Street foi amparada pela entrada no mercado de operadores de curto prazo, com demanda principalmente por ações do setor financeiro e de tecnologia, o que neutralizou o sentimento negativo da abertura provocado pelos dados econômicos ruins.

Cenário
O pano de fundo desse interesse seria o anúncio esperado para a semana que vem de um plano do governo Obama para aliviar os bancos de seus ativos problemáticos. Também há esperanças de que o Senado poderia aprovar o pacote de estímulo à economia, que já ultrapassa US$ 900 bilhões. No câmbio, essas notícias externas, combinadas com o fluxo positivo e a perspectiva de um alívio na demanda de empresas que vierem a contratar financiamento para rolagem de dívidas no exterior com recursos das reservas do Banco Central, garantiram a terceira queda consecutiva do dólar ante o real.

Alta firma
A Bovespa até ensaiou uma realização de lucros, favorecida pela leva de indicadores ruins divulgados nos Estados Unidos. Mas com a melhora das bolsas em Wall Street no período da tarde e a contínua recuperação dos papéis da Vale, o Ibovespa sustentou-se em alta firme até o fechamento, ainda ajudado pelas ações da Petrobras e do setor bancário. O Ibovespa terminou o dia com alta de 2,44%, aos 41.108,65 pontos, maior pontuação desde 9 de janeiro (41.582,94 pontos). Nestas três sessões no azul, acumulou ganhos de 6,31%. No mês, a alta alcança 4,60% e, no ano, 9,48%. O giro financeiro totalizou R$ 4,351 bilhões.

Projeções
No mercado de dólar futuro, dos oito vencimentos negociados, três projetaram quedas (março, abril e outubro de 2009); um, estabilidade (setembro09); e quatro, altas (maio, junho e julho09 e janeiro de 2010). O último negócio com o dólar março09 foi cotado a R$ 2,294, em baixa de 1,23%. Segundo a assessoria da BM&F, o contrato de dólar para março girou cerca de US$ 11,86 bilhões do total movimentado com os oito vencimentos, de US$ 12,32 bilhões.

Balcão
A moeda no balcão atingiu a cotação mínima simultaneamente à melhora das bolsas norte-americanas e da Bovespa. A recuperação das ações em Wall Street foi amparada em compras de ações com preços considerados atraentes, especialmente dos setores de tecnologia, consumo e financeiro. O aumento das vendas de mesmas lojas em janeiro da varejista norte-americana Wal-Mart, líder mundial no setor, estimulou a demanda pelos papéis de empresas da área de consumo, disse um analista.

Crédito
O mercado de câmbio também não passou incólume pela notícia de que o Banco Central pode emprestar até US$ 36 bilhões para empresas com dívidas em moeda estrangeira, em um universo que pode abranger até 4 mil empresas. O BC conta com uma demanda de pelo menos US$ 20 bilhões, num quadro de crédito ainda apertado na praça financeira mundial.

Juros futuros
O mercado futuro de juros, que serve de referência para as tesourarias dos bancos, ajustou para cima as taxas projetadas para 2009 e 2010. Hoje, os agentes terão importantes índices de preços para repercutir: o IGP-DI e o IPCA, que serve de referência para o regime de metas de inflação do governo. Analistas do setor financeiro projetam uma variação de 0,45% ante 0,28% do mês anterior. O contrato com vencimento em março de 2009 passou de 12,63% para 12,65% ao ano; no vencimento de janeiro de 2010, a taxa projetada avançou de 11,02% para 11,04% e no contrato com o vencimento de janeiro de 2011, a taxa prevista foi mantida em 11,46%.

Controle acionário
O Banco do Brasil informou que iniciou as negociações com o governo do Estado do Espírito Santo para a aquisição do controle acionário do Banestes (Banco do Estado do Espírito Santos) para posterior incorporação da instituição. Em fato relevante, o BB lembra que é consenso que a operação deverá preservar adequadamente os interesses do público relacionado das companhias envolvidas, incluindo empregados, correntistas, acionistas e outros parceiros.

Divergências
As principais bolsas europeias fecharam ontem perto dos níveis de fechamento do dia anterior e em direções divergentes, com Londres e Frankfurt em leve alta e Paris e Madri em baixa. Os movimentos dos mercados foram influenciados pelos resultados negativos da Swiss Re, Zurich Financial e Unilever por um lado, e, por outro, pela decisão de corte no juro no Reino Unido e indicação de uma redução da taxa na zona do euro no próximo mês.

(Com Agências)

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