MERCADO FINANCEIRO
DÓLAR EM QUEDA
BOVESPA EM ALTA
'Estresse'
O dólar comercial foi negociado a R$ 2,321 na venda ontem, o que significa uma baixa modesta de 0,12% sobre a cotação de segunda-feira. O mercado de câmbio iniciou o dia ainda sob o ''estresse'' das más notícias da jornada de segunda-feira, mas após a abertura das Bolsas americanas, a tendência dos preços da moeda americana virou, enquanto a Bolsa de Valores paulista recuperou terreno. A taxa oscilou entre R$ 2,332 e R$ 2,307.
Análises
Profissionais das corretoras destacam que ainda existem muitos agentes financeiros que mantém contratos futuros de dólar, onde ganham com a alta da moeda. E que essa influência da BM&F tem sustentado as cotações acima do patamar de R$ 2,30. Outros analistas citam o cenário ainda nebuloso da economia global, sinalizado pelo giro magro de operações, para explicar o comportamento do preços.
Acordo
O BC também comunicou a ampliação do acordo de troca de reais por dólares com o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) por mais seis meses, de abril para outubro deste ano. Esse acordo, firmado em outubro do ano passado, garante ao Brasil um reforço de até US$ 30 bilhões nas reservas internacionais.
Reação
Depois de três dias seguidos de perdas, a Bovespa encontrou nos balanços e indicadores conhecidos nos Estados Unidos razões para subir, amparada sobretudo nas compras em Vale, Petrobras, Gerdau e papéis da construção civil. Os números da produção industrial divulgados pelo IBGE, embora tenham surpreendido pelo tamanho das quedas, ficaram em segundo plano nos negócios domésticos com ações.
Giro financeiro
Na esteira das bolsas norte-americanas, a Bovespa fechou em alta de 2,79%, aos 39.746,76 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,39 bilhões. No mês, o índice acumula alta de 1,14% e, no ano, de 5,85%.
Tranquilos
Assim como ontem, o comportamento dos mercados foi relativamente uniforme. As bolsas da Ásia subiram ajudadas pelo anúncio do Banco Central do Japão de que comprará o equivalente a US$ 11 bilhões em ações mantidas pelos bancos locais para estabilizar o setor financeiro, e do pacote de estímulo econômico do governo da Austrália, no valor de US$ 26,5 bilhões. O BC da Austrália também cortou a taxa de juros.
Referência
Na Europa, as bolsas subiram favorecidas pelo setor de telecomunicações, com o empurrão da Vodafone, que anunciou crescimento de 14,3% na receita no quarto trimestre do ano passado (terceiro trimestre fiscal do grupo). Mas, como sempre, a referência para a Bovespa vem dos Estados Unidos, onde a melhora de hoje teve a ajuda de alguns balanços e um indicador do setor de imóveis. Três empresas saíram de prejuízo e fecharam o quarto trimestre com lucro - caso da Merck, UPS e GMAC.
Perdas bilionárias
O crescimento de 6,3% das vendas de imóveis pendentes em dezembro nos EUA, contrastando com uma queda de 4% em novembro, animou o mercado, num dia mais uma vez de balanços de grandes empresas com perdas bilionárias. A Motorola anunciou prejuízo de US$ 3,6 bilhões no quarto trimestre, enquanto a Dow Chemical revelou perdas de US$ 1,5 bilhão em idêntico período.
Veículos
A Ford Motor informou que registrou uma queda maior que o esperado de 40,3% nas vendas de veículos leves em janeiro para 93.041 unidades, de 155.753 unidades vendidas em janeiro de 2008, o que aumenta mais a pressão financeira sobre a montadora e sugere que o mês passado foi o pior da indústria nos EUA em décadas. Esta é a primeira vez que as vendas mensais da Ford ficam abaixo de 100 mil unidades em muitos anos. De acordo com a montadora, o declínio de janeiro foi intensificado por uma queda de 90% nas vendas para companhias de locação de veículos, que se encontram sob intensa pressão financeira.
Em casa
As notícias não foram muito melhores no front doméstico: o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que a produção industrial do país teve sua pior queda desde 1991 (início da série histórica): uma retração de 12,4% em dezembro ante o mês anterior.
Recessão 'técnica'
A CNI informou que o faturamento da indústria brasileira caiu 16,2% no último trimestre de 2008. Também admitiu que já avalia a possibilidade de que o Brasil registre uma recessão técnica - dois trimestres seguidos de queda na atividade econômica - devido aos efeitos da crise financeira. A inflação medida pelo IPC em São Paulo atingiu 0,46% em janeiro, segundo leitura da Fipe.
Juros futuros
Os juros futuros reduziram a queda na negociação estendida na BM&F, sendo que o DI janeiro de 2012 acabou fechando com leve viés de alta. No final, o fôlego parece ter se esgotado, uma vez que as taxas vêm em queda sustentada desde segunda-feira. Mas a radiografia do dia foi bem diferente do fechamento dos negócios, com os contratos em recuo firme até pelo menos a metade da negociação estendida. O DI janeiro de 2010 (297.725 contratos) recuou a 10,97%, ante 11,06% no fechamento e 11,08% no ajuste de segunda-feira.
(Com Agências)





