MERCADO FINANCEIRO
Juros sobem
Bovespa cai
Selic
São Paulo- O mercado de juros promoveu um ajuste de alta das taxas futuras, num movimento técnico de realização de lucros dissociado das avaliações favoráveis sobre a ata da reunião do Copom da semana passada. O documento da autoridade monetária atribuiu o corte de um ponto da taxa Selic, para 12,75% ao ano, à deterioração da atividade econômica e ao não repasse da valorização cambial para a inflação e citou ainda que, no cenário de referência do BC, a inflação em 2010 está ''sensivelmente abaixo do centro da meta'', de 4,5%.
Bovespa
O pessimismo sobre a economia mundial arrastou a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) no pregão de ontem, após quatro dias consecutivos de ganhos. Prejuízos bilionários de grandes empresas globais, junto com números bastante negativos da economia, formaram o quadro que derrubou as Bolsas caíram na Europa, nos EUA e no Brasil.O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, retrocedeu 1,46% no fechamento e marcou 39.638 pontos. O giro financeiro foi de R$ 2,83 bilhões.
Selic
Os especialistas interpretaram que devem ocorrer novas quedas da Selic concentradas no primeiro semestre. A Bovespa não resistiu às perdas dos índices acionários na Europa e nos Estados Unidos e interrompeu quatro altas consecutivas, perdendo o patamar de 40 mil pontos. Indicadores econômicos e balanços corporativos negativos e anúncios de novas demissões nos EUA e Europa, além da confirmação de que a economia japonesa entrou em recessão em novembro de 2007, reduziram o apetite por risco nos mercados. Por isso, o dólar subiu no mercado de moedas e em relação ao real.
Juros
A ata do Copom veio como o mercado previa, sinalizando que decisão de cortar a Selic em 1 ponto porcentual, para 12,75% ao ano, na semana passada teve como principal razão os efeitos da crise sobre a atividade econômica e sobre os preços. Como o cenário desenhado pelo documento já estava precificado na curva a termo, os juros futuros subiram, realizando lucros, também apesar de o IGP-M em janeiro ter acentuado a deflação na comparação com dezembro. O DI janeiro de 2010 (315.940 contratos) projetava 11,25%, de 11,23% no fechamento e 11,20% no ajuste de quarta. O DI janeiro de 2012 (107.225 contratos) estava em 11,85%, de 11,65% no fechamento e 11,57% no ajuste anteriores.
Taxas
As taxas futuras tiveram uma reação inicial de queda após a divulgação da ata, que foi se apagando ao longo do pregão, até inverterem o sinal para firmarem-se em alta. O teor do documento não trouxe surpresas, vindo dentro do previsto, o que levou o mercado, excessivamente vendido nas últimas semanas, a fazer ajustes. O texto sinalizou que os efeitos desinflacionários da crise, que têm tido forte impacto na atividade e na demanda, foram os principais argumentos que levaram o Copom a reduzir a Selic em 1 ponto porcentual.
Aposta
Após a leitura da ata, o mercado segue apostando que novas reduções da taxa básica virão, com grande possibilidade de mais um corte de 1 ponto no encontro do Copom em março. Para o ciclo de afrouxamento como um todo, está mantida na curva uma precificação de queda da taxa em torno de 3 pontos porcentuais. E concentrada no primeiro semestre. A ideia de que será um processo compacto também está traduzida na inclinação positiva da curva a termo, com os vencimentos longos muito mais pressionados do que os curtos.
Agressivo
No entanto, há instituições financeiras com cenários mais agressivos, como é o caso do Unibanco, que revisou quarta a projeção para a Selic ao final deste ano, de 11,25% para 10,00%, segundo relatório do economista-chefe da instituição, Marcelo Salomon. ''A ata evidencia que o BC está convencido da pressão desinflacionária criada pela queda da demanda doméstica'', afirmou.
Na ata, os diretores sustentam sua decisão citando a ausência de evidências nítidas de repasse da depreciação cambial para os preços e salientam que as condições financeiras restritivas prolongadas devem contrair significativamente a demanda e, ao longo do tempo, desempenhar pressão desinflacionária ''importante''.
Redução
Os três votos minoritários, por uma redução da Selic de 0,75 ponto, segundo a ata, levaram em conta a presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia e consequências do processo de ajuste do balanço de pagamentos. ''Uma redução mais comedida da taxa básica de juros proporcionaria sinalização mais consistente com a tendência prospectiva de convergência da inflação para a trajetória de metas e corresponderia melhor à velocidade ótima de implementação do processo de flexibilização'', argumentaram os diretores.
Mas o cenário traçado pela ata do Copom já estava embutido na curva de juros e, por isso, o mercado não viu motivos para aumentar a exposição ao risco, após os últimos pregões de forte oscilação das taxas.
Das Agências





