MERCADO FINANCEIRO
Alta
Londres - As principais bolsas europeias terminaram em alta ontem, impulsionadas pelo bom desempenho das ações do setor bancário, que subiram diante da notícia de uma potencial proposta do governo norte-americano para retirar os ativos podres do balanço das instituições financeiras dos EUA.
A diminuição dos receios de estatização dos bancos na Europa também contribuiu para o avanço. ''Acho que estamos vendo o enfraquecimento dos receios de estatização dos bancos; as pessoas estão comprando porque enxergam uma oportunidade'', disse Patrick Gordon, estrategista de mercado da corretora britânica Killik & Co.
Ganhos
Os ganhos no setor bancário ocorreram após a rede de notícias Bloomberg publicar que a Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC) dos EUA será responsável pelo gerenciamento de um ''banco ruim'' que deve ser montado pelo governo de Barack Obama. O banco ruim absorveria os ativos tóxicos dos balanços de instituições financeiras norte-americanas, mas a notícia despertou a expectativa de que algo parecido poderia ser instituído também na Europa. O Deutsche Bank avançou 21,97% e o BNP Paribas ganhou 20,77%. O Lloyds subiu 50,37%, recebendo suporte adicional após o Citigroup elevar a recomendação para as ações da instituição de ''manter'' para ''comprar''.
Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em alta ontem, puxada pelas ações dos principais bancos e das empresas ligadas à produção de chips, com o sentimento do mercado sustentado pela esperança de que as bolsas de Nova York ampliem seu rali no próximo pregão. O índice Nikkei 225 avançou 45,22 pontos, ou 0,6%, para 8.106,29 pontos. Segundo os analistas, embora o mercado japonês aguarde a divulgação de uma série de balanços corporativos ainda nesta semana, os preços das ações podem se manter relativamente firmes, pois grande parte dos fatores negativos já foi embutida nas expectativas.
Bancos
As ações dos grandes bancos se valorizaram com a expectativa em torno das medidas do governo dos EUA para apoiar o setor. Segunda-feira, as ações já haviam subido com o anúncio do banco britânico Barclays, que descartou a possibilidade de recorrer novamente ao governo ou aos investidores para conseguir mais capital, apesar de ter registrado baixas contábeis bilionárias. Os mercados cambiais, de modo geral, também foram favoráveis para as ações japonesas: o dólar recuou para o nível dos 89 ienes, o euro era negociado a 118 ienes no final do dia e a libra estava cotada a 127 ienes.
Chips
As empresas ligadas à produção de chips de memória deram um salto com a elevação de 3,5% no índice setorial Philadelphia Semiconductor Index e com a valorização das ações da Texas Instruments, cujos resultados do quarto trimestre foram melhores do que o esperado. Tokyo Electron ganhou 7,9% e Advantest registrou alta de 4,9%. No segmento específico de chips de memória RAM, a volátil Elpida Memory disparou 9,1%, graças à expectativa de que o pedido de concordata da alemã Qimonda reduza o excesso de oferta no mercado.
Desemprego
A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo também bateu recordes no fim do ano, segundo dados divulgados ontem pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), e caiu pelo quinto ano consecutivo. Pela estatística das entidades, a taxa de dezembro foi de 11,8%, a menor desde fevereiro de 1992, quando o indicador ficou em 13,1%. Em janeiro de 1992, o desemprego ficou em 11,3%.
Pela estatística das entidades, a taxa média de desemprego em 2008 ficou em 13,4%, a menor desde 1996, quando fechou em 15,1%. Em 1995, o desemprego ficou em 13,2% na Região Metropolitana de São Paulo.
FMI
O Fundo Monetário Mundial (FMI) rebaixou ontem sua previsão de crescimento global para 2009. Segundo o órgão, a economia mundial terá crescimento de apenas 0,5% neste ano -que, se confirmado, será o pior desempenho desde a Segunda Guerra Mundial. A previsão anterior do FMI, feita em novembro do ano passado, era de crescimento de 2,2%. Porém, desde então as notícias macroeconômicas ao redor do mundo se tornaram cada vez piores e diversos países entraram oficialmente em recessão (apresentaram dois trimestres seguidos de retração econômica), o que forçou o órgão a fazer nova revisão em seus dados.
Petrobras
A Petrobras registrou déficit de US$ 928 milhões em sua balança comercial ao longo do ano passado, apesar de ter obtido saldo positivo de 103 mil barris/dia em relação ao volume comercializado. Em 2007, havia sido observado um saldo positivo de US$ 71 milhões na balança da companhia.
Foram exportados, em média, 673 mil barris/dia de petróleo e derivados, crescimento de 9,4% sobre 2007. O volume médio vendido ao exterior é recorde na história da Petrobras. Em valores, as exportações somaram US$ 21,2 bilhões, alta de 42,7% se comparado ao obtido em 2007. As importações cresceram mais, com alta de 49,6% sobre o ano anterior, totalizando US$ 23,1 bilhões.
Das Agências





