Bovespa
São Paulo - As ações da Vale do Rio Doce valorizaram com força ontem e contribuíram para a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechar em terreno positivo. O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, teve ganho de 0,49% no fechamento, alcançando os 38.698 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,18 bilhões. Em um pregão com volume financeiro bastante fraco, somente as ações preferenciais da Vale giraram cerca de R$ 580 milhões. A cotação subiu 3,63%, em meio a especulações sobre uma recuperação da demanda chinesa por commodities metálicas.


Standard & Poor's
Entre as principais notícias ontem, o setor imobiliário americano sofreu mais uma vez com uma forte queda nos preços dos imóveis: o índice Standard & Poor's/Case-Shiller apontou queda de 18,2% em novembro de 2008 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O índice se refere aos preços observados nas 20 principais regiões metropolitanas dos EUA. Trata-se do maior recuo desde o início da série, em 2000. No front doméstico, a FGV (Fundação Getulio Vargas) apontou um aumento no nível de confiança do consumidor na economia. O chamado ICC (Índice de Confiança do Consumidor) teve crescimento de 3% neste mês, ao passar de 97,4 pontos para 100,3. Nos três anos anteriores, o índice subiu em média 1,6% no mesmo período.

Juros
Os juros futuros estancaram ainda na manhã de ontem o movimento de realização de lucros e partiram para a queda após a divulgação dos dados das operações de crédito pelo Banco Central (BC). As taxas caíram com força até o encerramento da negociação normal na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), às 16 horas, em um ambiente de liquidez robusta. O DI janeiro de 2010 projetava 11,22%, de 11,39% e 11,38% no fechamento e ajuste de segunda, e o DI janeiro de 2012 estava em 11,68%, de 11,90% no fechamento e 11,77% no ajuste anteriores. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) subiu 0,49%, aos 38.698,92 pontos, com ajuda das bolsas americanas e das ações da Vale. O dólar à vista fechou em alta 0,82%, cotado a R$ 2,3290.

Reaquecer
Os números do crédito reforçaram a percepção de que as medidas adotadas pelo governo para reaquecer o setor ainda não surtiram efeito e o impacto da crise tem prevalecido. E a economia vacilante deve exigir que o BC siga com pulso firme na queda da Selic. Embora tenha havido leve crescimento nas concessões e queda nos juros praticados, chamaram a atenção os indicadores de inadimplência, principalmente o das pessoas físicas, que subiu de 7,8% para 8,1% entre novembro e dezembro, ao maior patamar desde setembro de 2002, quando a taxa atingiu 8,2%. No financiamento a empresas, o indicador variou pouco, de 1,7% para 1,8% no período.

Inadimplência
A taxa de inadimplência do crédito livre avançou de 4,2% para 4,4% em dezembro. ''Mesmo com a liberação de bilhões em compulsórios pelo Banco Central, vemos que o segmento de crédito está demorando para reagir. E, com esse nível de inadimplência, é difícil imaginar uma recuperação. Os bancos devem acentuar a postura conservadora'', avalia um experiente profissional da área de renda fixa.

Spreads
A cautela das instituições financeiras pode ser vista pelo aumento dos spreads. O spread bancário geral atingiu em dezembro o nível mais alto desde agosto de 2003. No mês passado, a diferença entre a taxa de captação dos bancos e o custo cobrado dos clientes foi de 30,6 pontos porcentuais. Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), a alta decorre do aumento da aversão ao risco dos bancos. ''As instituições estão se colocando de forma conservadora, com temor diante do risco de inadimplência'', disse Altamir.


Ações
As ações da Vale subiram ontem, no melhor momento da sessão na Bovespa, mais de 4%, apesar da queda da cotação dos metais no exterior. A ação ON subiu 4,19% e a PNA, 3,64%. Petrobras, a outra blue chip com força para mexer, sozinha, no desempenho do Ibovespa, também não fez feio, apesar do tombo do petróleo no mercado externo. Os analistas não cravaram uma justificativa para a performance dos papéis da Vale, que sobem cerca de 16% no mês de janeiro. Mas consideraram a demanda pelos papéis forte, ainda mais levando em conta a queda dos metais no exterior.


Europeias
As principais bolsas europeias fecharam em leve baixa ao final de uma sessão volátil, ontem, com o nervosismo dos investidores pressionando em especial as ações do setor de seguros, segundo traders e analistas. A alta das ações da Siemens e da KPN, depois de ambas terem confirmado suas perspectivas, ajudaram a contrabalançar a fraqueza do setor financeiro. Em Londres, o índice FT-100 caiu 14,60 pontos (0,35%) e fechou com 4.194,41 pontos; em Paris, o índice CAC-40 recuou 0,84 ponto (0,03%) e fechou com 2.954,53 pontos; em Frankfurt, o índice Xetra-Dax recuou 3,45 pontos (0,08%) e fechou com 4.323,42 pontos.

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