MERCADO FINANCEIRO
Desaceleração
São Paulo- Novos sinais da forte desaceleração econômica mundial ofuscaram qualquer tentativa de reação positiva da Bovespa ao corte de 1 ponto da taxa Selic, para 12,75% ao ano. Na Ásia, o PIB da China diminuiu o ritmo de expansão para 9% em 2008 e a economia da Coreia do Sul despencou 5,6% no quarto trimestre do ano passado. Nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego subiram ao maior nível desde novembro de 1982, as construções de residências iniciadas caíram pela sexta vez consecutiva em dezembro e, no setor corporativo, a Microsoft Corp anunciou queda no lucro líquido e corte de até cinco mil empregos nos próximos 18 meses, além de estimar que o lucro e a receita serão menores no segundo semestre fiscal.
Queda
A queda da demanda global por commodities e o aumento dos estoques de combustíveis norte-americanos pesaram contra o petróleo. No Brasil, a deflação dos IGPs sinaliza para pesada contração da atividade como um todo. Tudo isso perturba os investidores e eleva a aversão ao risco. Em consequência, a Bolsa paulista seguiu as perdas dos índices acionários em Wall Street e na Europa. Os juros futuros ajustaram-se em baixa à decisão ousada do Copom, uma vez que a maioria das apostas era de corte de 0,75 ponto porcentual. E o dólar caiu ante o real, em meio à percepção de que os juros no País continuam atrativos diante das taxas internacionais.
Bolsa
O mau humor externo não deu espaço para a Bovespa comemorar o corte de um ponto porcentual na taxa Selic, anunciado ontem à noite pelo Banco Central. O balanço ruim e a notícia de demissões na Microsoft, os dados fracos de pedidos de auxílio-desemprego e de construção de casas nos EUA e os estoques acima do esperado do petróleo empurraram os índices acionários para baixo. A Bovespa terminou a sessão em queda de 1,68%, aos 37.894,33 pontos.
Microsoft
O setor tecnológico foi destaque de baixa nos Estados Unidos por conta do balanço da Microsoft, que anunciou queda de 11% no lucro líquido do segundo trimestre fiscal (encerrado em 31 de dezembro), para US$ 4,17 bilhões, ante o mesmo período do ano anterior. Não bastasse o desempenho ruim, a empresa também comunicou corte de até cinco mil vagas nos próximos 18 meses em setores como pesquisa e desenvolvimento, vendas, finanças, jurídico, recursos humanos e tecnologia da informação. A empresa informou ainda que, por causa das incertezas do mercado, não vai oferecer estimativas para a receita e o lucro por ação para o atual ano fiscal. Às 18h23, as ações da companhia caíam 10,94%.
Estoques
Os estoques de petróleo e derivados, divulgados no início da tarde de ontem, arremataram a leva de números ruins conhecidos durante o pregão e desagradaram por conta do aumento que revela o impacto da crise sobre a demanda. Na semana encerrada em 16 de janeiro, os estoques de petróleo subiram 6,1 milhões de barris, ante expectativa de aumento de 1 milhão de barris. Os estoques de gasolina cresceram 6,475 milhões de barris (previsão de +1,6 milhão), enquanto os estoques de destilados aumentaram 790 mil barris (previsão de -600 mil).
Despencaram
Os preços do petróleo despencaram após o anúncio dos estoques e levaram a Petrobras a bater nas mínimas cotações do dia. No final, entretanto, fecharam longe do piso da sessão e o petróleo até acabou subindo. O contrato para março negociado na Nymex terminou em alta de 0,28%, a US$ 43,67. Às 18h25, o Dow Jones caía 1,86%, o S&P, 1,88%, e o Nasdaq, 2,82%. As ações da Petrobras recuaram 2,41% a ON e 2,56% a PN, garantindo grande parte da perdas do Ibovespa. Na última hora da sessão, com a diminuição da baixa em Wall Street, os papéis da estatal acompanharam e deram um pouco de trégua ao índice.
Juros
Os juros futuros encerraram o pregão da BM&F em queda, influenciados pela decisão do Copom quarta, de reduzir a Selic para 12,75%. Uma vez que o ciclo de flexibilização monetária começou de maneira mais agressiva do que estava precificado na curva (a maioria das apostas era de corte de 0,75 ponto porcentual), os DIs curtos caíram mais do que os longos. Essa ousadia inicial do Banco Central e a interpretação do comunicado divulgado após a reunião já levantaram as discussões sobre os próximos passos da política monetária.
Relevante
De todo modo, ainda que menor do que nos vencimentos próximos, o recuo dos contratos longos durante a negociação normal surpreendeu, uma vez que no comunicado divulgado após a reunião o Copom sinalizou que a redução feita ontem seria ''parte relevante'' do processo. Uma das leituras foi a de que a abertura do ciclo com uma queda mais forte foi um sinal de que a crise pode ser mais séria do que se imaginava. No fechamento da negociação estendida, as taxas longas acabaram reduzindo o recuo. Nos contratos curtos, a avaliação é a de que haveria espaço para uma queda mais firme se a decisão do Copom tivesse sido unânime. ''Essa curva afundaria'', disse um operador.





