MERCADO FINANCEIRO
Tensão
São Paulo- O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou ontem em queda de 1,30% devido ao feriado nos Estados Unidos do dia de Martin Luther King Jr., na véspera da posse de Barack Obama na presidência do país, mas sob a tensão no setor bancário do Velho Continente. O dólar fechou em queda de 0,17%, a R$ 2,3320, e os juros futuros também caíram na aposta de que os juros básicos sejam reduzidos em pelo menos 0,75 ponto porcentual na quarta-feira.
Ibovespa
O Ibovespa fechou em 38.828,32 pontos, numa segunda-feira morna, com volume baixo, apesar do exercício de opções sobre ações. O pacote de socorro ao sistema financeiro do Reino Unido, que levou as bolsas europeias e brasileiras momentaneamente para cima, foi ofuscado pelo alerta de prejuízo do Royal Bank of Scotland (RBS).
Doméstica
Sem o referencial norte-americano, a Bolsa doméstica trabalhou de olho na Europa. Apesar de o Reino Unido ter anunciado o segundo pacote de ajuda ao setor bancário de até US$ 149 bilhões, o alerta de prejuízo emitido pelo RBS assustou. O banco avisou que anunciará uma perda de até 8 bilhões de libras (US$ 11,769 bilhões) referente ao ano passado, devido às condições difíceis do mercado e alertou que ''persistem incertezas significativas'' em seus negócios. A instituição informou ainda que o governo britânico vai substituir os 5 bilhões de libras em ações preferenciais do RBS por novas ações ordinárias.
Européias
Com isso, as bolsas na Europa fecharam em baixa, puxadas pelos papéis de bancos. O índice FT-100 da bolsa de Londres caiu 0,93% e fechou com 4.108,47 pontos. As ações do Royal Bank of Scotland (RBS) caíram 64,27% em Londres. Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 0,90%, aos 2.989,69 pontos; em Frankfurt, o índice Dax-30 teve declínio de 1,15%, para 4.316,14 pontos. No Brasil, ao contrário, o segmento financeiro serviu para conter as perdas, já que subiu em bloco. A maior alta do setor foi de Itaú PN, com +1,46%. Bradesco PN avançou 0,14%, Unibanco unit, +0,81%, e BB ON, +0,28%.
Ações
Ontem, as ações brasileiras valorizaram logo após a abertura das operações, com investidores animados com as notícias de um plano britânico para ajudar o sistema bancário local e estimular a circulação de crédito. Na sexta-feira, o tom dos negócios já estava mais positivo, com a expectativa pelo plano de US$ 850 bilhões da próxima gestão da Casa Branca para combater a recessão nos EUA.
Investidores
Os investidores domésticos aguardam a posse de Obama na presidência dos Estados Unidos, hoje, para ver se um rumo clareia no horizonte. Ninguém, entretanto, espera uma melhora milagrosa, da noite para o dia. Ainda mais porque a temporada de balanços é carregada e os dados que vêm pela frente não devem ser muito animadores. Assim como também não têm sido os indicadores brasileiros.
Caged
Ontem, o Ministério do Trabalho divulgou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que apurou em dezembro o fechamento de quase 655 mil postos de trabalho formais, o pior resultado mensal da série histórica do Cadastro. Embora a bolsa não tenha reagido aos números, os analistas acreditam que eles reforçam um corte mais ousado da taxa Selic pelo Banco Central. O mercado aposta majoritariamente numa redução de 0,75 ponto, mas há quem estime um corte de 1 ponto - e ainda acha pouco, mas não oficializa essa posição. O Copom anuncia a nova taxa na quarta-feira.
Copom
Os indicadores conhecidos ao longo do dia elevaram a pressão sobre o Copom, mas no mercado de juros a reação poderia ter sido mais expressiva. De toda maneira, a aposta de queda da Selic em 1 ponto porcentual não só continua firme nas mesas de operação como tem chances de ainda avançar até quarta-feira, tornando a queda de 0,75 ponto, de fato, piso de apostas. Os contratos de curto prazo, bastante influenciados pelas expectativas em relação às decisões do Copom nos próximos meses, atraíram o interesse, mas sob a ressalva de que a liquidez foi abaixo do normal nesta segunda-feira.
Câmbio
Com o fechamento dos mercados norte-americanos, empresas de comércio exterior praticamente não atuaram e as tesourarias de instituições financeiras que operaram adotaram a cautela, por causa do risco maior de perdas decorrente da liquidez fraca, disse um operador de tesouraria de um banco estrangeiro. No fechamento, o dólar caiu para R$ 2,332 na BM&F (-0,47%) e no balcão (-0,17%).
O giro financeiro total diminuiu 78%, para cerca de US$ 591 milhões, dos quais US$ 560 milhões em D+2.
Negociação
A previsão nas mesas de negociação é de que os volumes financeiros com câmbio podem melhorar um pouco hoje em meio à retomada dos mercados norte-americanos e a posse de Obama. De todo modo, os investidores devem ficar em compasso de espera pela decisão do Copom, amanhã, por causa da grande dúvida no mercado sobre o tamanho da redução esperada da taxa Selic este mês.
Das Agências





