Bolsa de Tóquio subiu
Bolsas chinesas desceu

Saída


A piora da crise econômica no último trimestre do ano passado levou o Brasil a registrar em 2008 a maior saída de dólares do país desde 1982. De acordo com dados do Banco Central, a diferença entre os dólares que entraram e saíram do país nessa conta ficou negativa em US$ 48,883 bilhões. Ou seja, houve mais dólares saindo do que entrando. O número considera todas as operações financeiras realizadas no ano e deixa de fora apenas os dólares que entram e saem do país no comércio exterior.

Negativo

Esse é o pior resultado da série histórica do BC, iniciada há 27 anos. O pior resultado, até então, havia sido verificado em 2005, com saída de US$ 32,5 bilhões. Em 2007, a conta ficou positiva em US$ 10,7 bilhões, principalmente por causa do dinheiro que entrou por meio da Bolsa de Valores e dos investimentos no setor produtivo.

Positivo

Na área comercial, o Brasil fechou 2008 com um saldo positivo de US$ 47,9 bilhões, diferença entre exportações e importações. Mesmo assim, foi o pior resultado desde 2004.

Fluxo cambial

Já o fluxo cambial, que considera a soma dos resultados financeiro e comercial, fechou o ano passado com um resultado negativo de US$ 983 milhões. O Brasil não registrava déficit nessa conta desde a crise de 2002, quando o resultado ficou negativo em quase US$ 13 bilhões. Em 2007, o Brasil havia registrado uma entrada de US$ 87,454 bilhões por meio do fluxo cambial.

Títulos

O Tesouro Nacional realizou entre terça-feira e ontem a primeira emissão de títulos da dívida brasileira em dólares desde maio de 2008. Foram captados US$ 1,025 bilhão nos mercados norte-americano, europeu e asiático, que irão para as reservas internacionais na próxima semana. Os títulos vencem em 15 de janeiro de 2019.

Movimentação

A captação de US$ 1 bilhão nos EUA e na Europa foi realizada terça-feira. Na madrugada de ontem, o País fez uma oferta adicional de US$ 25 milhões em títulos na Ásia. Nos dois casos, para emprestar os recursos, os investidores exigiram uma taxa de juros de 6,127% ao ano. É a taxa mais alta desde a emissão realizada em novembro de 2006.

Análise

A taxa obtida pelo Brasil está 3,7 pontos percentuais acima do que é pago pelo governo norte-americano, cujos títulos são considerados os mais seguros do mundo para investimento. Desde 2005, os juros pagos pelo Brasil em emissões com prazo de dez anos vinham recuando, o que se inverteu com a escassez de dinheiro provocada pela crise internacional de crédito.

Taxas

Nas quatro últimas operações, foram pagos juros de 12,75% ao ano (setembro/2005); 6,249% a.a. (novembro/2006); 5,888% a.a. (abril/2007); e 5,299% a.a. (maio/2008). A liquidação da operação será no próximo dia 13. Os investidores também vão receber juros de 5,875% ao ano a cada seis meses, nos dias 15 de janeiro e de julho de cada ano, até o vencimento. Os títulos foram vendidos por 98,135% do seu valor de face.

Oportunidades

De acordo com o Tesouro Nacional, a captação teve como objetivo melhorar o perfil da dívida pública e não apenas conseguir mais dinheiro. Apesar de ser um momento de crise, foram vendidos todos os títulos ofertados. A instituição não descarta fazer novas captações no futuro e diz que ''o Tesouro está atento a oportunidades'' se houver boas condições no mercado.

Sinais

O Tesouro também diz que a operação ''foi positiva'' e que ela sinaliza que há crédito disponível para o País. Para o governo, a operação também pode ser uma 'porta importante para o setor privado' poder buscar crédito no exterior. Essa é a terceira captação feita por um país latino-americano desde julho do ano passado, quando o Panamá realizou uma operação desse tipo. Em dezembro, o México lançou papéis pagando uma taxa maior que a do Brasil agora. Hoje, a Colômbia também fez uma emissão, pagando juros maiores em relação ao Brasil.

Mercado

A Bolsa de Tóquio registrou o sétimo pregão consecutivo de alta, com volume de negócios relativamente elevado, na medida em que as montadoras e o setor de tecnologia continuaram a se beneficiar com a desvalorização do iene. O índice Nikkei 225 subiu 158,40 pontos, ou 1,7%, e fechou aos 9.239,24 pontos.

Bolsas chinesas

Na China, o Xangai Composto caiu 0,7% e encerrou aos 1.924,01 pontos. Já o Shenzhen Composto perdeu 0,3% e terminou aos 584,71 pontos. Os bancos lideraram o declínio do dia, com as preocupações de que mais investidores estrangeiros irão vender suas participações nas instituições financeiras locais, depois da decisão do Bank of America. China Construction Bank deslizou 2,5% e BICC baixou 2,2%. Já as petrolíferas sofreram com a realização de lucros.

Das agências

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