Bolsas
São Paulo - As bolsas norte-americanas acentuaram as perdas à tarde, pressionadas por notícias negativas sobre a indústria automotiva, a queda do petróleo e a recuperação dos preços dos títulos do Tesouro dos EUA. Os destaques de baixa foram as ações dos setores de petróleo, automotivo, financeiro, de materiais e de consumo. A Bovespa foi atingida e ampliou a desvalorização até terminar com recuo de 3,87%, no patamar de 37 mil pontos.


Juros
Os juros futuros também recuaram, refletindo as sinalizações do Relatório Trimestral de Inflação e da Pesquisa Focus para uma inflação menor em 2009 em meio à desaceleração da atividade econômica no País. A expectativa no mercado é de que o processo de afrouxamento monetário comece já em janeiro, mas não ficou claro no relatório a magnitude do corte esperado. No câmbio, o dólar à vista subiu com um fraco volume de negócios, reagindo a saídas de dividendos e à piora no cenário externo.


Bolsa
A Bovespa fechou a penúltima segunda-feira do ano no terreno negativo, influenciada pelas bolsas externas. Um alerta da Toyota acabou minando o humor dos investidores e levou as ações para o terreno negativo. Assim, a esperada recuperação de fim de mês e ano acabou esquecida, e a Bolsa doméstica voltou aos 37 mil pontos. O principal índice acionário doméstico recuou 3,87%, aos 37.618,50 pontos. Na mínima, atingiu 37.478 pontos (-4,23%) e, na máxima, 39.452 pontos (+0,82%). Com a queda de ontem, os ganhos de dezembro foram reduzidos a 2,80%. Em 2008, a Bolsa acumula perda de 41,12%.

Giro
O giro financeiro já mostrou encolhimento, como era esperado para essas duas semanas de ''recesso branco'' na economia brasileira. Ontem, o volume totalizou R$ 2,521 bilhões, e a previsão é de que diminua ainda mais até o fechamento do ano. ''A expectativa é de que os negócios possam voltar a crescer após a posse de Obama (Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos), em 20 de janeiro'', comentou um profissional de renda variável de um grande banco brasileiro.


Transação
Esse giro mais fraco tem parte da culpa pelo desempenho de ontem da Bolsa, já que em dias fracos qualquer transação tem mais força para conduzir o índice. Mas o que pesou mesmo ontem foi o desempenho das blue chips e ações de primeira linha. Às 18h28, o Dow Jones caía 2,41% e o S&P 500 operava em baixa de 3,43%. O Nasdaq operava em queda de 3,85%. Os principais índices do mercado norte-americano de ações aceleraram a baixa, com a recuperação dos preços dos títulos do Tesouro dos EUA.

Referência
Mas, mais do que o índice frágil, a principal causa para o pessimismo de ontem partiu da Toyota - considerada referência de solidez econômica do Japão. A montadora alertou para o primeiro prejuízo de sua história, de US$ 1,68 bilhão no ano fiscal que termina em março. O aviso fez aflorar as preocupações dos investidores com as montadoras mundiais, em especial as grandes norte-americanas, que tiveram, na semana passada, uma mão do governo do país para tentarem sair da crise em que se meteram. O pacote de US$ 17,4 bilhões da Casa Branca usará recursos do Tarp, depois que o Senado vetou a ajuda aprovada pela Câmara.

Pacote

''O pacote de sexta-feira não significa que a concordata para todas as (três de Detroit) foi evitada'', alertou o JPMorgan, em nota para clientes. O banco acrescentou que, embora acredite que o governo norte-americano não deixará que a empresa entre em liquidação, ''uma potencial concordata da GM não deve ser descartada''. O JPMorgan diz ainda que mais especificamente, a Chrysler está em perigo.

Fragilidade
Se não conseguirem se safar, as montadoras dos EUA, principalmente GM e Chrysler, as mais problemáticas, podem engrossar as estatísticas de desemprego do país, que tiveram em novembro a maior queda desde dezembro de 1974 com o corte de 533 mil vagas. De olho nessa fragilidade, Barack Obama já está revisando o plano de criação de empregos, que pretende lançar quando tomar posse. Agora, somam três milhões o total de vagas que devem ser mantidas ou criadas pela nova proposta.






JUROS - Os contratos futuros de juro hoje refletiram a percepção de que a inflação irá ser menor em 2009, o que seria motivo para comemorar não fosse o fato de ela provavelmente vir acompanhada de uma desaceleração significativa da economia, como ficou claro no Relatório de Inflação do Banco Central e na pesquisa Focus, ambos divulgados hoje. Tanto o relatório quando a Focus apontam na direção da convergência da inflação para a meta de 4,5% em 2009.
Na negociação estendida, entre 16h45 e 18h, os DIs para janeiro de 2010 e 2012 tiveram leve ajuste para cima em relação ao fechamento das 16h. O DI de janeiro de 2010 (122.260 contratos), o mais líquido, cedeu para 12,33% de 12,37% no fechamento de sexta-feira e 12,43% no ajuste; o DI de janeiro de 2012 (18.230 ativos) ficou em 12,88% de 12,98% no fechamento de sexta-feira e 13,06% no ajuste; o DI de janeiro de 2009 (11.600 contratos) fechou em 13,50% de 13,49% no fechamento da sexta-feira e 13,51% no ajuste.

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