Bovespa
O entusiasmo dos investidores com o plano do governo dos EUA de US$ 17,4 bilhões às montadoras General Motors e Chrysler esfriou à tarde, em meio a perspectivas sombrias de uma recuperação econômica no curto prazo. Este sentimento induziu vendas de ações e as bolsas oscilaram entre leves altas e quedas no fim da tarde em Nova York. A Bovespa acompanhou em parte esse movimento, mas também perdeu força com o recuo dos preços de algumas commodities metálicas e do petróleo, o que afetou os papéis da Petrobras. Na semana, o índice paulista caiu 0,61%.


Dólar
O dólar sustentou os ganhos intraday no mercado de moedas e em relação ao real, amparado no socorro à indústria automobilística e em uma realização de ganhos recentes do euro. Contudo, na semana, a moeda norte-americana ficou estável no mercado de balcão brasileiro. Os juros futuros tiveram correção de alta, após uma trajetória de queda desde que o Copom discutiu na semana passada a possibilidade de corte da Selic. Esse movimento refletiu realização de lucros, embora a desaceleração do IPCA-15 de dezembro e o aumento da taxa de desemprego no País em novembro tenham reforçado os argumentos do mercado para apostas em redução de 0,50 ponto porcentual.


Casa Branca
A novela da ajuda dos Estados Unidos às três grandes montadoras do País finalmente mudou de capítulo ontem, com o socorro de US$ 17,4 bilhões anunciado pela Casa Branca. Mas, se a notícia deu ânimo aos índices acionários em Wall Street, em São Paulo a história foi outra na Bovespa. Depois de muitas altas e baixas pela manhã, a Bolsa consolidou o sinal negativo à tarde, decorrente das perdas das blue chips e papéis de primeira linha, entre eles bancos e siderúrgicas. Os dados que sinalizam desaceleração da atividade, divulgados hoje, pesaram sobre as ações voltadas ao mercado doméstico, como consumo.

Ganhos
A Bovespa recuou 1,02%, aos 39.131,23 pontos, acumulando perda de 0,61% na semana. Em dezembro, a Bolsa ainda contabiliza ganhos, de 6,93%, mas, em 2008, tem queda de 38,75%. Na mínima do dia, atingiu 38.728 pontos (-2,04%) e, na máxima, 39.785 pontos (+0,63%). O giro financeiro totalizou R$ 3,061 bilhões.
''Hoje teve de tudo um pouco. Queda das commodities, indicadores frágeis, realização de lucros. A notícia das montadoras nos EUA foi boa, mas nem isso deu muito gás às bolsas lá'', comentou Hersz Ferman, gestor de recursos da Um Investimentos.


Montadoras
A principal notícia do dia foi o anúncio, pela Casa Branca, de um plano de US$ 17,4 bilhões para as montadoras do país. A ajuda pelo governo foi necessária depois que o Senado vetou o pacote aprovado na Câmara. Os recursos serão liberados em empréstimos de emergência do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), do Tesouro, a serem disponibilizados em duas etapas, a primeira delas praticamente imediata (entre dezembro e janeiro). O presidente dos EUA, George W. Bush, justificou que seria irresponsabilidade deixar as empresas pedirem concordata com a economia norte-americana em recessão.

Petrobas
A estatal informou no final da tarde que a produção de óleo da Petrobras no mês de novembro no Brasil caiu 1,5% ante o mês anterior, para 1,844 milhão de barris por dia. Com este resultado, a média diária anual da Petrobras está em 1,852 milhão de barris por dia. Segundo a Petrobras, a queda se deve à parada programada nas plataformas do Pólo Nordeste e a problemas operacionais ''já resolvidos'' nos campos de Marlim, Albacora e Jubarte.

Revisão
A reunião do Conselho de Administração da Petrobras terminou ontem sem concluir a avaliação a respeito da revisão do plano de negócios para o período 2009-13, pauta do encontro. Em comunicado, a empresa informou que a pauta será retomada em janeiro, quando o plano poderá ser aprovado, dependendo das novas avaliações. Segundo a companhia, até a aprovação do novo plano, a política de investimentos da Petrobras está mantida.

Consumo
O setor de consumo também esteve na ponta negativa, o que pode ser explicado pelos indicadores divulgados hoje pelo IBGE: a taxa de desemprego teve ligeira elevação de outubro para novembro, de 7,5% para 7,6%, e o IPCA-15 de dezembro ficou em 0,29%, ante 0,49% (em 2008, o índice subiu 6,10%). O dado de inflação seria bom se não reforçasse as análises de desaquecimento econômico. B2W ON recuou 4,31%, Lojas Renner ON (-2,5%) e Lojas Americanas ON (-0,18%).


Câmbio
O dólar no mercado à vista terminou em alta de 0,25%, a R$ 2,365 no balcão, após iniciar a sessão na máxima intraday, de R$ 2,460 (4,28%). Na BM&F, o pronto encerrou com ganho de apenas 0,04%, a R$ 2,360, sendo que a máxima na abertura foi de R$ 2,459 (4,24%). Na semana, a moeda ficou estável no balcão e recuou 0,21% na BM&F. No acumulado do mês, respectivamente, os ganhos são de 2,20% e de 1,07%; e no ano, de 33,24% e 32,79%.

Agência Estado

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