Fôlego
A ata da reunião do Copom da semana passada deu fôlego ontem à queda dos juros futuros. O mercado enxergou no documento disposição do BC de iniciar gradualmente o ciclo de flexibilização, que poderá ser mais longo do que o previsto diante da agressiva mudança na política monetária nos EUA esta semana. O dólar subiu no mercado internacional de moedas e também em relação ao real, amparado pelo tombo do petróleo, expectativas em torno de um gigantesco pacote de estímulo econômico que estaria sendo costurado pelo presidente eleito Barack Obama.

Juros
Ainda que tenha antecipado anteontem em boa medida o tom da ata do Copom, o mercado de juros renovou o fôlego de queda com a leitura do documento, que impôs mais ajustes à curva. A partir do texto, fechou-se consenso que a Selic começa a cair em janeiro, mas o mercado corrigiu algumas expectativas. O trecho em que o Banco Central detalha que a possibilidade de queda da Selic de 0,25 ponto porcentual foi aventada na reunião da semana passada pela maioria dos diretores levou à idéia de que o ciclo de desperto monetário começará de forma gradual, possivelmente com corte do juro de até 0,5 ponto.

Recuo
O recuo das taxas foi mais forte nos contratos de longo prazo. O DI janeiro de 2010 (253.855 contratos) encerrou em 12,30%, de 12,51% no fechamento de ontem com ajuste a 12,50%; e o DI janeiro de 2012 (61.345 contratos) recuou a 12,93%, ante 13,27% no fechamento de ontem com ajuste de 13,28%. Segundo cálculo de operadores, com a queima de prêmios desde o início do mês, interrompida por realizações de lucros apenas pontuais, os DIs já embutem queda de cerca de 2 pontos porcentuais para a Selic no ano que vem.

Selic
O que mais o mercado queria ver na ata era o detalhamento da discussão entre os participantes sobre o corte da Selic já em dezembro. O parágrafo 26 diz que a consolidação das condições financeiras restritivas ''por um período mais prolongado poderia ampliar de forma relevante os efeitos da política monetária sobre a demanda e, ao longo do tempo, sobre a inflação''. Diante desse entendimento, o documento observa que a maioria dos membros do Copom, ''tendo em vista o balanço de riscos para a atividade econômica e, consequentemente, para o cenário inflacionário em 2009, discutiu a opção de realizar, neste momento, uma redução de 25 pontos-base na taxa de juros''.

Copom
Para os analistas, a possibilidade avaliada pelo Copom de começar o ciclo com corte de 0,25 ponto sinaliza a disposição do BC de iniciar o processo de forma lenta, como recomenda a conhecida prudência da autoridade monetária. Há que se considerar ainda os sinais expansionistas da política fiscal para o próximo ano, com queda de arrecadação e aumento de despesas, o que limitaria movimentos mais bruscos da política monetária.

Estabilidade
Essa percepção, somada à indicação do Fomc esta semana de que os juros nos EUA devem permanecer baixos por um longo período, permite imaginar que o ciclo de cortes da taxa básica doméstica pode ser mais longo do que o previsto. Depois disso, é possível prever estabilidade da taxa básica por muitos meses antes que um novo processo de aperto se inicie. Pelo menos, essa foi uma das leituras que se fez da forte pressão para baixo vista ontem na curva longa.

Velocidade
Mas é certo também que a velocidade e a magnitude dos cortes da Selic vão depender dos próximos dados sobre a atividade econômica. A ata deu, como esperado, bastante ênfase na questão da atividade e, além disso, o próximo encontro do Copom só será nos dias 20 e 21 de janeiro. A ata também aguçou a curiosidade em relação às previsões do Banco Central para a inflação, que só serão divulgadas na próxima semana, com o Relatório Trimestral de Inflação.

Estimativas
Na ata, os diretores afirmaram que as projeções de IPCA 2009 caíram em relação ao documento anterior, tanto no cenário de referência quanto no de mercado. No primeiro, as estimativas estariam ainda acima do centro da meta de 4,5% e, no segundo, ''em torno'' do centro do centro da meta.A grande questão é que a taxa de câmbio utilizada no cenário de referência subiu na comparação entre esta ata e a de outubro, de R$ 2,25 para R$ 2,40.

IPCA-15
Hoje, a divulgação do IPCA-15 de dezembro pode continuar sustentando o ânimo do mercado em espremer prêmios dos contratos, especialmente se o indicador vier abaixo de 0,40%. Segundo o AE Projeções, o intervalo das estimativas está entre 0,26% e 0,49%, com mediana de 0,41%. Em novembro, o IPCA-15 ficou em 0,49% e o IPCA, em 0,36%.


Câmbio
A perda de força do dólar no mercado internacional de moedas no fim da tarde em sintonia com a ampliação das perdas nas bolsas norte-americana provocou ajustes de posições compradas e a ampliação dos ganhos de contratos de dólar no mercado futuro da BM&F. O dólar janeiro de 2009, que concentrou a liquidez, terminou acima de R$ 2,40, cotado a R$ 2,435, em alta de 2,55%, segundo um operador, ante uma taxa de R$ 2,369 (+0,32%) por volta das 16h16.


Agência Estado

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