Preocupações

O mercado financeiro começou a semana renovando as preocupações com o futuro da economia global. Em meio à apuração de exposições de algumas instituições à fraude de US$ 50 bilhões relacionada à pirâmide financeira montada pelo consultor de investimentos Bernard Madoff, os investidores venderam ações e dólares reagindo aos indicadores negativos divulgados, que dividiram as apostas em corte dos juros nos EUA amanhã entre 0,50 ponto porcentual e 0,75 ponto.

Quedas

Os destaques foram a queda da produção industrial nos EUA em novembro e a desaceleração da produção na China ao menor nível em nove anos. Como as perspectivas para 2009 são sombrias, a esperada redução da demanda por petróleo se sobrepôs à previsão de forte corte na produção pela Opep e os preços da commodity caíram quase 4%. A situação das montadoras norte-americanas segue indefinida. No Reino Unido e na China, novas medidas de estímulo à economia e ao setor financeiro foram adotadas. Contudo, as bolsas caíram pelo mundo todo, inclusive no Brasil.

Dólar

O dólar reforçou o declínio no mercado de moedas, mas subiu ante o real pressionado pela fraca liquidez e o mal-estar dos players com o cenário externo. Os negócios no mercado de juros também foram reduzidos e as taxas ficaram ''de lado'' diante da precificação de queda da Selic em janeiro e da espera pela divulgação na quinta-feira da ata da reunião do Copom da semana passada.


Bolsa

A Bovespa teve dois pregões ontem que inaugurou a última semana completa de 2008. Pela manhã, o vencimento de opções sobre ações levou o índice para cima, sustentado pelo desempenho de Vale e Petrobras. À tarde, passado o exercício, a Bolsa oscilou ao sabor de Wall Street, o que significou sinal vermelho, apesar de as blue chips continuarem no azul - exceção de Vale PNA, que virou no final. O Ibovespa recuou 2,68%, aos 38.320,19 pontos, na mínima do dia. Na máxima, atingiu 39.735 pontos (+0,92%). Em dezembro, o índice acumula ganhos de 4,71%, mas tem perdas de 40,02% em 2008.

Ações

Pela manhã, o vencimento das opções levou os investidores a 'puxarem' para cima as ações de Petrobras e Vale, já que os comprados estavam mais fortes nestes exercício. Mas findo o movimento, o desempenho das bolsas nos Estados Unidos voltaram a guiar os negócios e o índice passou a recuar sob influência, principalmente, de bancos e siderúrgicas. As blue chips resistiram às perdas e mantiveram os ganhos, apesar de oscilarem muito entre altas e baixas durante a tarde. Vale PNA, no entanto, acabou virando na reta final, ajudando a levar o Ibovespa para a mínima do dia no fechamento.

Positivas

Ontem, o diretor de Relações com Investidores da Vale, Fábio Barbosa, afirmou que as perspectivas para o setor de mineração seguem positivas no longo prazo, apesar da atual retração do mercado. Segundo ele, os fundamentos para minério de ferro e metais são favoráveis porque a oferta neste mercado está passando por uma ''contração estrutural'', enquanto o consumo voltará a crescer, estimulando demanda e preços. ''Ninguém imagina que a China deixará de crescer. Esta combinação nos favorecerá, e muito, no longo prazo'', disse.

Petrobras


A Petrobras, por sua vez, contou em boa parte da sessão com a alta do preço do petróleo no mercado internacional para pressionar os preços. No meio da tarde, entretanto, a commodity virou para baixo, mas as ações ainda garantiram ganhos. ''As ações da Petrobras caíram muito desde a divulgação do balanço trimestral (em novembro) e muitos investidores estão recompondo suas carteiras'', justificou o analista. Segundo ele, a decisão da Opep, que na quarta-feira deve votar a favor de um corte na produção, é dúbia.

Impacto

Em mais uma tentativa para minimizar os efeitos da crise numa economia que já está em recessão, o Federal Reserve anuncia hoje sua taxa básica de juros, ontem em 1% ao ano. A aposta majoritária dos especialistas é de que o BC norte-americano corte a taxa para 0,50%, mas esta tarde os contratos futuros de Fed Funds embutiam um corte maior, para 0,25% ao ano. ''Qualquer corte não deve ter impacto, afinal, a taxa de juros real já está negativa'', comentou o especialista consultado pela AE.


Câmbio

O dólar oscilou muito ante o real até terminar com leve ganho, enquanto no mercado internacional aprofundou as perdas em relação ao euro, a libra e o iene. Com um fraco volume de negócios à vista, os investidores foram guiados pelo comportamento externo de baixa da moeda norte-americana e das bolsas, que refletiu as persistentes incertezas sobre o futuro das montadoras norte-americanas, o declínio da produção industrial nos EUA e a desaceleração da produção na China em meio à perspectiva de corte no juro pelo Federal Reserve hoje.No mercado interno, o dólar encerrou com valorização de 0,93%, a R$ 2,387 na BM&F, e de 0,59%, a R$ 2,379 no balcão. As máximas registradas no início do dia foram de, respectivamente, R$ 2,413 (2,03%) e R$ 2,420 (2,33%); e a mínima, no início da tarde, de R$ 2,350 (-0,63%) na BM&F e no balcão.

Agência Estado

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