Terreno positivo
A informação da Casa Branca de que estuda utilizar o Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarp) de US$ 700 bilhões para evitar o colapso do setor automotivo norte-americano trouxe alívio aos mercados à tarde, após uma abertura ruim motivada pelo fracasso nas negociações do Senado, ontem, sobre a proposta para aprovar um plano de auxílio à GM, Ford e Chrysler. As bolsas em Wall Street devolveram as fortes desvalorizações iniciais e passaram a oscilar entre leves ganhos e perdas à tarde, enquanto a Bovespa firmou-se em terreno positivo.

Pontuação máxima
Além do fator externo, a recuperação das ações da Petrobras com a redução do declínio do petróleo ajudou o Ibovespa a fechar na pontuação máxima intraday, em alta de 2,22%. Na semana, o índice brasileiro saltou 11,4% e garantiu uma valorização no mês até o momento de 7,59%. O dólar exibiu volatilidade no mercado de moedas, com queda acentuada ante o euro e iene pela manhã que foi revertida momentaneamente à tarde por causa da expectativa de um socorro temporária para as montadoras dos EUA.

Declínio modesto
No mercado doméstico, a moeda norte-americana subiu ontem, pressionada pelo fluxo negativo e o cenário externo, contudo, na semana, acumulou queda de 4,41% no balcão. Nos juros, o declínio das taxas foi mais modesto uma vez que a movimentação intensa relacionada à decisão do Copom nesta semana esgotou o fôlego do mercado. Com volume reduzido de negócios, os principais contratos de DI terminaram em direções divergentes.


Alta da Bolsa
A alta em três dos últimos cinco pregões garantiu um ganho de 11,4% ao Ibovespa na segunda semana de dezembro, contabilizando uma valorização de 7,59% no acumulado do último mês do ano, embora as perdas em 2008 continuem elevadas: 38,37%. Apesar de Nova York não sair do radar dos investidores do mercado acionário brasileiro, as ações da Petrobras representaram um importante suporte para o desempenho do principal índice da Bovespa nesta semana, uma vez que as PN valorizaram-se 24,45% e as ON, 28,37%, no período.


Sair do risco
De acordo com Humberto Guidi, agente autônomo de investimentos e analista gráfico na corretora Magliano, o fato de Petrobras PN ter alcançado níveis de preço bastante inferiores ao que se viu ontem, por exemplo, abriu espaço para alguns players importantes comprarem barato as opções e ''puxarem'' o papel para que os vendidos precisassem zerar para cobrir o prejuízo. E isso ajudou a ação a subir, porque eles precisam comprar os papéis para ''sair do risco''.
De acordo com o profissional, houve movimento de compra por alguns bancos nas opções de Petrobras PN a R$ 24, por exemplo.

Respaldo
As ações da estatal também encontraram respaldo na expressiva recuperação dos preços do petróleo ao longo da semana - que alcançou 13,40% no caso do contrato para janeiro de 2009 negociado na Nymex. Mesmo ontem, o preço do barril para esse vencimento chegou a cair 7,46%, mas reduziu a queda no fechamento para 3,54%, a US$ 46,28, o que aliviou a pressão de baixa sobre os papéis da Petrobras - que fecharam o dia com elevação de 1,21% os PN e de 2,49% os ON. Na mínimas, essas ações recuaram 5,50% e 4,46%, respectivamente.

Volatilidade
Ontem, especificamente, a volatilidade continuou sendo a tônica dos negócios na Bovespa, mas, após uma abertura mais negativa, o pregão brasileiro firmou-se em território positivo à tarde, pegando embalo na reação das bolsas nos Estados Unidos - embora Wall Street ainda fosse oscilar entre os campos positivo e negativo. Em Nova York, os índices acionários continuaram à mercê do noticiário e das incertezas relacionados ao futuro das montadoras norte-americanas, o que se refletiu nas operações domésticas.


Alta máxima
O Ibovespa encerrou a sexta-feira na máxima, aos 39.373,86 pontos, em alta de 2,22% - de 37.014 pontos na mínima (-3,91%). O volume financeiro, contudo, não foi dos mais expressivos, totalizando R$ 3,542 bilhões - no mês, a média diária é de R$ 4,231 bilhões. Nesta semana, incluindo o dado de ontem, a média é de R$ 4,43 bilhões. De acordo com Paulo Rebuzzi, da corretora Ativa S.A., o noticiário relacionado à ajuda, ou não, para as montadoras de Detroit foi, sem dúvida, o que moveu o mercado ontem.


Câmbio
O mercado de câmbio doméstico operou com o dólar em alta e com fraco volume de negócios ontem. Os negócios foram influenciados pela volatilidade do dólar no mercado de moedas - que exibiu forte queda pela manhã ante o euro, a libra e o iene - e um fluxo cambial levemente negativo. A pressão sobre o dólar à vista só foi reduzida em parte à tarde, após um leilão de venda de moeda do Banco Central e a inversão do euro para queda lá fora. No fechamento, o pronto foi cotado a R$ 2,365, em alta de 0,90% na BM&F e de 0,85% no balcão. Na máxima, pela manhã, o dólar no balcão atingiu R$ 2,406 (+2,60%).


Agência Estado

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