Anticrise

O alívio do mercado financeiro com os pacotes anticrise já anunciados permitiu que o dólar desabasse durante os negócios de ontem. O preço da moeda americana chegou a recuar para R$ 2,284 em seu momento de maior queda, mas encerrou os negócios de ontem a R$ 2,345, o que representa um decréscimo de 3,53% sobre a cotação de ontem. Segundo operadores, pelo menos dois fatores impediram uma retração ainda maior dos preços. Alguns profissionais de corretoras notaram um volume significativo de compras quando a taxa de câmbio caiu fortemente, aproveitando um preço fora das expectativas para este ano. Além disso, houve a ação de alguns agentes financeiros, que detém contratos no mercado futuro em que ganham com a valorização do dólar.

Especulação

Corretoras apontam a ação especulativa desses agentes financeiros como um dos motivos pelo qual a taxa de câmbio brasileira subiu nos últimos dias mesmo nos dias em que o dólar desvalorizou frente as outras moedas. ''Acho que hoje (ontem) o mercado descontou um pouco o descolamento dos outros dias'', comenta Ideaki Iha, profissional da corretora Fair. O Banco Central também não ficou de fora do mercado: vendeu 69 mil contratos de ''swap'' cambial, que oferecem proteção ao agente financeiro contra as oscilações da moeda americana. Os bancos tomaram 24.400 desses contratos. A autoridade monetária também repassou no mercado à vista, a um preço bastante oportuno: R$ 2,285, num horário (entre 14h50 e 15h) em que o dólar era cotada acima de R$ 2,30. A medida teve efeito pontual e a cotação logo sofreu um repique.

Bovespa

Os investidores reagiram favoravelmente aos pacotes anticrise nos EUA e no Brasil e impulsionaram a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ontem, que se manteve positiva durante boa parte do pregão. Perto do fechamento dos negócios, porém, a alta, que chegou a ser de 2,15%, se transformou em queda.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, cedeu 1,24% no fechamento, aos 38.519 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,51 bilhões. Operadores avaliam que a queda, perto do fechamento, pode ser explicada por uma rápida realização de lucros (venda de papéis muito valorizados no curto prazo) que, inclusive, pode ser estendida na jornada de amanhã.


Copom

A demora da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ontem para, no final, divulgar a manutenção dos juros básicos (Selic) em 13,75% ao ano foi vista pelo coordenador de indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, como uma indicação de que a atividade, em termos relativos, passou a pesar mais que a inflação. A decisão, aliás, motivaram críticas tanto do PT quando do PSDB. A reunião de ontem foi a mais longa desde março de 2006 e, ao seu término, o comitê anunciou o que quase todo o mercado esperava: a manutenção da Selic em 13,75% ao ano. ''Isso só mostra o quanto foi difícil a decisão'', observa o economista da FGV.

Ânimo

A queda nas vendas de automóveis nos últimos dois meses mudou o ânimo da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) em relação a 2009. A entidade, que projetava crescimento de um dígito para o próximo exercício, afirmou ontem que reviu suas estimativas para o próximo ano para uma queda de 19% nas vendas de automóveis e comerciais leves. A previsão da Fenabrave é de que sejam comercializadas 2,155 milhões de unidades nesses dois segmentos em 2009. As estimativas para 2008 também foram revistas, de uma alta de 20% para 13%, com um total de 2,661 milhões de unidades.

BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já tem garantia de 70% dos recursos necessários para 2009, quando pretende desembolsar cerca de R$ 100 bilhões. A informação é do presidente da instituição, Luciano Coutinho. De acordo com ele, este ano os desembolsos do banco até novembro somam cerca de R$ 80 bilhões. Ele manteve a estimativa de financiamentos em 2008 em torno de R$ 90 bilhões.''Está tudo caminhando bem. Estamos, em várias frentes, obtendo recursos'', afirmou Coutinho, que participou da abertura do ''Seminário internacional sobre concessão de aeroportos'', realizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em um hotel da zona sul do Rio.

IOF cai

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o governo está reduzindo a alíquota do Impostos sobre Operações Financeiras (IOF) a partir de hoje para pessoas físicas de 3% ao ano para 1,5% ao ano. Em cima desta alíquota ainda continuará incidindo mais 0,38% que foi instituído no início do ano para cobrir parte das perdas na arrecadação com o fim da CPMF. ''Em janeiro aumentamos esta taxa do IOF porque estava havendo o aumento do crédito, e nós queríamos reduzir a expansão do crédito. Agora, estamos revendo esta medida'', afirmou o ministro em entrevista coletiva. Segundo ele, o impacto da redução do IOF no spread cobrado pelos bancos será de 4 pontos percentuais.

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