Pacote

São Paulo - O anúncio do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, de que pretende lançar um pacote de investimentos em infra-estrutura para tirar o país da crise turbinou o mercado acionário mundial ontem. As ações dispararam nas mais diferentes praças, também diante da expectativa de que o Congresso americano aprove ajuda financeira às problemáticas montadoras do país. As medidas para fortalecer a economia da Índia e a perspectiva de um novo pacote na China também foram contabilizados nas ordens de compras.

Bovespa

Os ganhos foram altos na Ásia, Europa, Estados Unidos e São Paulo. A Bovespa recuperou os 38 mil pontos, ao fechar em elevação de 8,31%, aos 38.284,91 pontos. A melhora também trouxe de volta alguns investidores e o volume engordou um pouco: R$ 4,788 bilhões. O dólar fechou em alta ante o real, na contramão do comportamento de queda no mercado de moedas. No fechamento, o dólar estava na cotação máxima na BM&F, de R$ 2,500, em alta de 0,81%, sendo que a mínima pela manhã foi de R$ 2,4683 (-0,47%).

Infra-estrutura

No sábado, Obama avisou que vai realizar o ''maior esforço de investimento na infra-estrutura do país desde a criação do sistema federal de rodovias na década de 1950''. Obama também falou sobre a ajuda às montadoras. Embora tenha feito algumas ressalvas, como a de que as fabricantes de veículos passem a produzir carros mais econômicos, ele é amplamente favorável à ajuda financeira, principalmente para garantir milhões de empregos. Obama pretende criar 2,5 milhões de vagas - e a ajuda às montadoras já é um passo nesse sentido, assim como as obras de infra-estrutura.

Apertado

O mercado acredita que a ajuda deve sair logo - uma votação pelo Congresso estaria marcada para hoje, mas a Casa Branca afirma que esse prazo é muito apertado. Na expectativa de uma solução, as ações da GM dispararam mais de 19% às 18h20 e ajudaram as bolsas em Nova York a subirem. Às 18h21, o Dow Jones avançava 4,41%, o S&P, 4,73%, e o Nasdaq, 4,83%. Ásia e Europa também dispararam, repercutindo também outras notícias: a Índia cortou os juros no final de semana, anunciou gastos extras de US$ 4 bilhões no ano fiscal que termina em março de 2009 e um plano de incentivo para os setores de exportação e infra-estrutura; e a China pode lançar um novo pacote de estímulo.


Escalada

Na Bolsa de Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 8,7%. Na China, o índice Xangai Composto avançou 3,6% e o Shenzhen Composto, 3,7%. Na Bolsa de Taipé, em Taiwan, o índice Taiwan Weighted subiu 4,6%. Na Coréia do Sul, o índice Kospi da Bolsa de Seul escalou 7,5%. Na Europa, o índice FT-100 da bolsa de Londres subiu 6,19%. Em Paris, o índice CAC-40 avançou 8,68%. Em Frankfurt, o índice Xetra-Dax subiu 7,63%. O esperado plano da China e as notícias dos Estados Unidos impulsionaram as commodities e fizeram as blue chips domésticas e as siderúrgicas dispararem. Petrobras ON subiu 13,77% e PN, 11,29%.

Vedete

Vale ON avançou 12,53%, e PNA, 10,28%, mesmo com a empresa tendo anunciado ontem mais um corte na produção. A mineradora suspendeu as operações de duas unidades no porto de Tubarão, Espírito Santo, com capacidade total de produção de 7,3 milhões de toneladas métricas anuais de pelotas. O setor siderúrgico, de modo geral, foi a vedete da Bolsa, por causa da China e Estados Unidos, que devem elevar as compras, mas sobretudo diante da disposição dos investidores em ir às compras. ''Acho que ainda é muito cedo para a euforia. Mas o mercado está desacreditado e qualquer notícia para melhorar o humor puxa a bolsa'', comentou Raffi Dokuzian, superintendente do Banif.


Juros

O mercado de juros continuou devolvendo prêmios, motivado pelas expectativas de afrouxamento da política monetária, a despeito da nova alta do dólar, dos preços do petróleo e da aceleração do IPC-S na primeira quadrissemana de dezembro. Por outro lado, outra face do noticiário da crise seguiu alimentando a idéia de que o Banco Central não manterá por muito tempo a Selic em 13,75%, com a forte desaceleração do IGP-DI de novembro, anúncios de suspensão de operações e parada de produção em empresas brasileiras e de demissões na Dow Chemical, previsão de safra agrícola menor, entre outros.

Copom

Na curva a termo da BM&F, o consenso de aposta para a decisão do Copom na reunião desta semana permanece sendo o de estabilidade para a taxa básica, mas o mercado antecipou um pouco mais a previsão sobre o início dos cortes e agora já seria visível na curva a precificação de redução da Selic em janeiro e março.Na BM&F, às 16 horas, o DI janeiro de 2010 estava em 13,13%, de 13,28% na sexta-feira. O DI janeiro de 2012 passou boa parte da sessão em baixa, mas a taxa estava praticamente no mesmo patamar anterior (13,55%) em 13,56%, no final da primeira etapa de negociação. O DI janeiro de 2009 caía de 13,481% para 13,44%.

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