Pânico
Diante do corte de 533 mil postos de trabalho em novembro nos EUA, que ampliou para 1,2 milhão a perda de vagas de setembro a novembro, e do aumento da taxa de desemprego no país ao maior nível desde outubro de 1993, o mercado de câmbio doméstico entrou em pânico e reforçou a busca de proteção. O dólar à vista, que já vinha pressionado desde a abertura, acentuou a valorização e levou o Banco Central a fazer dois leilões de venda de moeda seguidos. Nem assim, as cotações foram contidas e iniciaram a tarde pressionadas até atingirem o pico de R$ 2,620 (4,01%), patamar que ''chamou'' mais uma operação de venda direta e dois leilões de swap cambial.

Ação
No total, a autoridade monetária vendeu cerca de US$ 2,276 bilhões, dos quais pelo menos US$ 950 milhões no spot. Só depois dessa agressiva ação, o dólar zerou os ganhos e testou a mínima de R$ 2,440, pouco antes de fechar em queda a R$ 2,474 no balcão. Nas bolsas norte-americanas e brasileira, o efeito negativo do payroll só foi neutralizado no fim da sessão, quando as ações do setor financeiro começaram a subir nos Estados Unidos e favoreceram a inversão dos índices para cima. Tal movimento se replicou na Bovespa, mas Vale, Petrobras e siderúrgicas contiveram os ganhos. Nos juros, o IPCA de novembro bem abaixo das previsões afundou as taxas futuras, que passaram a precificar um recuo da Selic a partir do segundo trimestre de 2009.


Câmbio
Foram necessários cinco leilões do Banco Central - três de venda direta (dois pela manhã e um à tarde) e mais duas operações de swap cambial à tarde - com negociação de pelo menos de US$ 2,276 bilhões no total - para fazer o dólar à vista no balcão passar da máxima de R$ 2,620 (4,01%) registrada às 15 horas à mínima de R$ 2,440 (-3,14%). No fechamento, o dólar à vista caiu 1,79%, para R$ 2,474 no balcão. Na BM&F, o pronto recuou 1,08%, para R$ 2,480. Na semana e no mês até o momento, o pronto no balcão subiu 6,91%; e no ano, a valorização acumulada está em 39,38%.


Fluxo
Com essa demonstração de força do BC, um fluxo cambial negativo causado por remessas de lucros e dividendos e ainda um aumento da demanda por proteção (hedge), o giro financeiro total à vista disparou: cresceu 442% ante o da véspera, para cerca de US$ 7,460 bilhões (US$ 7,1 bilhões em D+2). Os dólares vendidos diretamente pelo BC em mercado - estimados ontem em cerca de US$ 950 milhões - são contabilizados no giro interbancário em D+2 e também saem das reservas do País.

Leilões
Os dois leilões de venda de dólares do BC pela manhã, num total de cerca de US$ 600 milhões, não impediram a escalada das cotações, que iniciaram a tarde renovando as máximas até atingirem o teto de R$ 2,620 (+4,01%). Nesse momento, por volta das 15 horas, o BC realizou, na sequência, mais três leilões - um de venda de cerca de US$ 350 milhões e outras duas operações de swap cambial, num total de pelo menos US$ 1,326 bilhão. Só depois dessa agressiva atuação do BC, o dólar à vista zerou quase que instantaneamente os ganhos, pisou em terreno negativo e passou a renovar as mínimas. Às 15h44, o dólar à vista bateu no piso de R$ 2,440, baixa de 3,14% no balcão.

Demanda

No mercado de dólar futuro da BM&F, o contrato de janeiro de 2009 fechou com taxa de R$ 2,446, em baixa de 3,07%, após bater máxima de R$ 2,637 e mínima de R$ 2,422, informou um operador de um banco nacional. Sozinho, o dólar janeiro 2009 girou US$ 15,7 bilhões, de um total negociado com seis vencimentos na BM&F ontem e de US$ 15,777 bilhões. Para se ter idéia da forte demanda por dólar futuro para proteção, entre outras operações de cunho especulativo, o giro total ontem aumentou 71% em relação aos US$ 9,215 bilhões movimentados ontem.

Em tempo
O Banco Central anunciou ontem à noite que realizará na segunda-feira pesquisa de demanda para início da rolagem dos contratos de swap cambial tradicional que vencem em 2 de janeiro de 2009. Segundo o BC, vencem US$ 9,6 bilhões em contratos desse tipo no primeiro dia útil do próximo ano. A pesquisa acontece das 17h às 17h30 e o resultado será anunciado a partir das 18h30.

Bolsa
O relatório do mercado de trabalho norte-americano em novembro foi muito pior do que as piores expectativas, mas isso não significou um pregão horroroso no mercado acionário - se bem que as bolsas européias tiveram um fechamento bem pesado. Ao contrário. À tarde, o setor financeiro começou a subir nos Estados Unidos e favoreceu a inversão dos índices para cima. Tal movimento se replicou na Bovespa, mas Vale, Petrobras e siderúrgicas contiveram os ganhos. A Bovespa terminou em alta de 0,63%, aos 35.347,39 pontos. Na mínima, atingiu 34.013 pontos (-3,17%) e, na máxima, foi a 35.435 pontos (+0,87%).


Payroll
O Ibovespa encontrou uma barreira em Petrobras, Vale e siderúrgicas, que recuaram e contiveram uma recuperação mais forte. Os dados do payroll - juntamente com o IPCA internamente - mostraram que a crise atual pode superar a de 1981/1982 em duração e extensão dos estragos. Isso significa que a recessão mais profunda vai reduzir consideravelmente o consumo de matérias-primas, afetando o Brasil em cheio.

Agência Estado

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