Moeda em alta
São Paulo - O dólar voltou a se valorizar frente ao real no balcão, pela sexta sessão consecutiva, subindo 1,78% e atingindo R$ 2,519, a maior cotação desde 29 de abril de 2005, quando encerrou o dia a R$ 2,529. A moeda norte-americana já acumula ganho de 8,86% em dezembro e 41,92% no ano. Na roda da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o pronto fechou com apreciação de 1,33%, a R$ 2,507. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 0,48%, aos 35.127,77 pontos pressionado pelas bolsas americanas. Às 18h40, Dow Jones e Nasdaq caiam, respectivamente, 3,62% e 4,28%.

Líquidez ridícula
De acordo com profissionais da área de câmbio, a volatilidade nos negócios hoje diminuiu em relação a ontem, e a liquidez foi ''ridícula''. ''O fato de o fim do ano estar próximo afasta do game os players que já atingiram suas metas. E aqueles que não atingiram não têm mais 'de onde tirar'. Falta mesmo vontade de operar'', disse um operador. Conforme outro operador, a aceleração no final da sessão pode ter refletido um movimento de zeragem de posição, daqueles players que teriam assumido posições vendidas na expectativa de que o Banco Central voltasse a atuar ontem. ''Como isso não aconteceu e as bolsas nos EUA pioraram, esses agentes precisaram zerar esse fluxo'', citou.

Fluxo negativo
O profissional, que preferiu não ser identificado, também não descarta um fluxo negativo pontual, ao redor de US$ 150 milhões, para explicar o movimento nas cotações. ''Com a liquidez fraca como está, isso faz preço'', disse. Em relatório enviado no início da semana, o banco BNP Paribas mantém a expectativa de manutenção da fraqueza do real em relação ao dólar no médio prazo. ''Desalavancagem, repatriação de fluxos e ajustes de balanço devem continuar a sustentar o dólar em alta'', argumenta a instituição. Além disso, a equipe do banco cita que o impacto da queda dos preços de commodities na balança comercial também corrobora a debilidade do real.

Operacões domésticas
As operações domésticas praticamente ignoraram a recuperação do euro no exterior frente ao dólar - embora essa trajetória tenha mostrado alguma volatilidade. Às 16h30, a moeda européia era negociada a US$ 1,2794, de US$ 1,2701 no final da tarde de ontem, uma valorização de 0,73%.

Pouco impacto
No noticiário internacional, o corte dos juros por cinco bancos centrais teve pouco impacto nas operações cambiais domésticas. ''No caso do BoE e do BCE, já era esperado'', explicou um operador, referindo-se à decisão do Banco da Inglaterra de cortar o juro naquele país de 3% para 2% ao ano e do Banco Central Europeu de reduzir a taxa na região do euro de 2,50%, de 3,25% anuais. Além de BCE e BoE, também reduziram os juros as autoridades monetárias da Suécia, Nova Zelândia e a Indonésia. ''Já estava no preço'', reforçou outro profissional

Selic
No Brasil, se a expectativa é de que o BC não subirá a Selic, tampouco é de que irá reduzir o custo do dinheiro no País ainda este ano. De um total de 60 instituições consultadas pelo AE Projeções, 58 avaliam que o Copom, que se reúne na próxima semana, deixará o juro básico nos atuais 13,75% ao ano.

Montadoras

As bolsas americanas foram pressionadas pelas ações das montadoras, que caiam em razão de matéria do jornal ''The Wall Street Journal'', de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve rejeitar os pedidos para fazer empréstimos diretamente às empresas, deixando a questão nas mãos do Congresso e do governo Bush. Os executivos das montadoras pediram novamente hoje aos parlamentares uma ajuda financeira e afirmaram que concordam trabalhar sob supervisão de um conselho federal, desde que recebam a ajuda. Os papéis da GM estiveram entre as maiores quedas do Dow.

Investidores
Os investidores também trabalharam na defensiva ao relatório do mercado de trabalho de novembro, a ser conhecido amanhã. As estimativas não são nada boas: menos 350 mil vagas, dando ainda mais peso aos indicadores que mostram fragilidade na maior economia do planeta. Para agravar os piores presságios, várias empresas vêm anunciando cortes de vagas. Só ontem foram Dupont (-2,5 mil, mais 4 mil terceirizados), AT&T (12 mil) e Credit Suisse (5,3 mil internos e 1,2 mil terceirizados).

BOLSAS
O Ibovespa fechou em queda de 0,48%, em 35.127,77 pontos, entre a máxima de +1,83% e a mínima de -0,48%, com volume de R$ 2,6 bilhões. No ano, o Ibovespa acumula queda de 45,01%. Contrato de Ibovespa futuro para dezembro, estável em 35.600.

Benefícios
Para compensar, o dado de pedidos de auxílio-desemprego veio melhor do que o esperado: mostrou queda de 21 mil na semana passada, ante previsão de alta de 11 mil pedidos. O dado foi parcialmente bom, já que a média quadrissemanal de pedidos e os benefícios recebidos há mais de uma semana atingiram o maior nível em quase 26 anos.

Agência Estado

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