MERCADO FINANCEIRO
Juros
A queda da produção industrial brasileira em outubro ante setembro assim como o IPC-Fipe de novembro abaixo do piso das estimativas deram fôlego à queda mais forte dos juros futuros, uma vez que foram enterradas as apostas de retomada do aperto monetário na taxa Selic durante todo o ano de 2009. A alta do dólar, que ontem ultrapassou os R$ 2,40 em dois momentos da sessão, foi relevada pelo mercado de juros, já que os analistas estão céticos quanto à possibilidade de um repasse integral da valorização da moeda para os preços na atual conjuntura de economia debilitada. Além disso, o recuo dos preços de commodities serve de contrapeso à pressão cambial na inflação.
Queda
Os juros futuros voltaram a cair ontem, em que os investidores, especialmente estrangeiros, continuaram a aproveitar os prêmios robustos dos contratos na BM&F. Os dados de produção industrial em outubro divulgados pelo IBGE, assim como o IPC-Fipe de novembro abaixo do piso das estimativas, enterraram as apostas na retomada do aperto monetário na Selic. Após dois dias de baixa expressiva, a curva a termo reduziu significativamente a precificação de alta da taxa básica no ano que vem, e, na conta de alguns analistas, esta possibilidade está praticamente apagada em 2009.
Dólar
O dólar teve forte alta em relação ao real e chegou a ultrapassar os R$ 2,40 em dois momentos da sessão, na contramão da queda em relação a outras divisas de países emergentes e o euro e da volatilidade em relação a libra. No fechamento, o pronto subiu 3,06%, a R$ 2,390 na BM&F, e 3,10%, a R$ 2,391 no balcão. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) terminou a terça-feira em elevação de 0,75%, aos 35.000,34 pontos. Apesar de ter sido registrado um fluxo cambial positivo no mercado doméstico, o dólar foi pressionado por um movimento especulativo de investidores no mercado futuro, afirmou o economista-chefe da Liquidez Corretora, Marcelo Voss.
Espera
Segundo um operador de câmbio de um banco estrangeiro, desde anteontem o mercado esperava um ingresso de recursos, tudo indica de cerca de US$ 1,5 bilhão relativo à venda das ações da Centennial Minas-Rio, pela MMX Mineração e Metálicos para a Anglo American, numa operação que foi fechada em julho mas que só agora os recursos para pagamento teriam entrando no mercado brasileiro. Acontece que esse fluxo positivo já estava ''hedgeado'' no mercado de derivativos cambiais da BM&F, explicou essa fonte, o que justificaria o efeito limitado desse fluxo sobre as cotações à vista ontem, uma vez que não houve aumento da liquidez no spot.
Operação
Quando o mercado percebeu isso e viu que o Banco Central, em vez de anunciar um leilão de venda direta de moeda ontem programou para hoje uma operação de linha de US$ 2 bilhões com garantia em ACC/ACE, os players passaram a comprar dólar a fim de refazer posições vendidas intraday, num movimento que pressionou as cotações à vista e detonou ordens de stop loss de compra na primeira parte dos negócios, confirmou o gerente de câmbio de um banco de investimentos. Por isso, o dólar à vista atingiu a máxima pela manhã de R$ 2,417, alta de 4,23%. Posteriormente, as cotações desaceleraram, mas persistiram em terreno positivo.
Arrancada
Um operador de uma corretora paulista justificou a nova arrancada das cotações à falta de vendedor de moeda no mercado, por causa da retomada da aversão ao risco esta semana diante da confirmação da recessão nos Estados Unidos e de frequentes sinais de forte desaquecimento econômico nos países do Hemisfério Norte. ''O mercado está arisco, descrente sobre o futuro da economia internacional e não enxerga fim para a volatilidade dos mercados'', avaliou.
Mercado acionário
Já no mercado acionário brasileiro, a falta de indicadores relevantes nos Estados Unidos e o noticiário mais leve permitiram uma recuperação das bolsas pelo mundo. A Bovespa, que trabalhou o dia todo em alta, diminuiu os ganhos no final, com a inversão para baixo das ações da Petrobras. Na mínima, bateu em 34.743 pontos (+0,01%) e, na máxima, em 35.734 pontos (2,86%). Em dois pregões, acumula perdas de 4,36% e, no ano, de 45,21%. O giro financeiro totalizou R$ 6,641 bilhões, dos quais R$ 3,173 bilhões referem-se à Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações da Anglo Ferrous Brazil (antiga IronX) e R$ 271,583 milhões da OPA da Petroquímica União. As operações foram feitas para o cancelamento do registro de companhia aberta.
Perdeu fôlego
Em Wall Street, o Dow Jones operava, às 18h13, em alta de 0,62%, o S&P, de 1,20%, e o Nasdaq, de 1,30%. O mercado acionário também perdeu o fôlego agora no final da tarde, com o anúncio, pela General Motors, de um resultado pior que o esperado de vendas de veículos em novembro e diante da queda do preço do petróleo, que reduziu o vigor do setor de energia. As ações do Yahoo! se destacaram no pregão hoje, com a notícia de que o ex-executivo-chefe da AOL, Jonathan Miller, está tentando levantar dinheiro para comprar uma parte ou todo o Yahoo! Inc, de acordo com fontes próximas à questão citadas pelo Wall Street Journal.





