Quedas

As bolsas pelo mundo todo iniciaram dezembro com fortes quedas, a exemplo de algumas commodities como o petróleo, por causa da aversão ao risco realimentada ontem por novos índices negativos de atividade industrial nos Estados Unidos, na China e na zona do euro. Nos EUA, o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica norte-americano (NBER)confirmou que o país entrou em recessão em dezembro de 2007, encerrando um período de expansão econômica iniciado em novembro de 2001.

Bovespa

Os investidores não titubearam diante do futuro desalentador da economia global em meio à expectativa de uma nova rodada de cortes de juros este mês e venderam ações. A Bovespa tombou mais de 5%, assim como os índices acionários em Wall Street e na Europa. A baixa do Ibovespa foi puxada principalmente por Petrobras, Vale e siderúrgicas. O dólar fortaleceu-se em relação ao euro e a libra, mas caiu ante o iene que é considerado um porto seguro.

Sinal positivo


No Brasil, a moeda norte-americana operou com sinal positivo na maior parte da sessão, mas o fluxo favorável à tarde conduziu as cotações para fechamentos desiguais, com queda na BM&F e alta no balcão. A volta do investidor estrangeiro ao mercado de juros assegurou firmes quedas às taxas em meio aos sinais de recessão global.

Indicadores ruins

A leva de indicadores ruins divulgados no mundo nesta segunda-feira arrastou as bolsas de valores mundiais para baixo. Com a Bovespa não foi diferente, com o agravante de que o giro financeiro piorou ainda mais neste início de mês, dando peso maior às ordens de vendas vistas no pregão.Conduzido principalmente por Petrobras, Vale e siderúrgicas, o Ibovespa terminou a segunda-feira em baixa de 5,07%, aos 34.740,50 pontos. Na mínima do dia, atingiu hoje 34.396 pontos (-6,01%) e, na máxima, 36.596 pontos (estabilidade).

Acumulado

No ano, a Bolsa acumula perdas de 45,62%. O giro financeiro totalizou R$ 2,736 bilhões. O final de semana melhor do que o esperado nas vendas pós-feriado do Dia de Ação de Graças norte-americano (quinta-feira) acabou ofuscado pelos números fracos divulgados pela China, Europa e Estados Unidos. Foram vários recordes, todos negativos, que reforçaram a percepção da desaceleração econômica global e, por isso, arrastaram os preços das commodities para baixo.

Fechamento misto

Com exceção das bolsas da Ásia, que tiveram um fechamento misto, as perdas nos mercados europeus e americanos superaram os 5%. Em Londres, o índice FT-100 recuou 5,19%, aos 4.065,49 pontos; em Paris, o índice CAC-40 recuou 5,59%, para 3.080,43 pontos; e em Frankfurt, o índice Xetra-Dax perdeu 5,88% e fechou com 4.394,79 pontos.Em Wall Street, às 18h27, o Dow Jones perdia 5,81%, o S&P recuava 6,91%, e o Nasdaq, 6,89%.

Confirmados

Vale registrar que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, confirmou a senadora Hillary Clinton (Partido Democrata/Nova York) como secretária de Estado de seu governo. O atual secretário da Defesa, Robert Gates, permanecerá no cargo. A governadora do Arizona, Janet Napolitano, será secretária de Segurança Doméstica, e o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca será o general reformado Jim Jones, do Corpo de Fuzileiros Navais (marines). Susan Rice, que foi secretária-assistente de Estado para Assuntos Africanos de 1997 ao início de 2001 (fim do governo Clinton), será a embaixadora dos EUA junto à ONU.

Ontem, o petróleo em baixa derrubou as ações da Petrobras. Os papéis PN 8,28%, com o maior giro do Ibovespa (R$ 480,4 milhões) e os ON recuaram 8,38%. O segundo maior giro foi de Vale PNA (R$ 324,8 milhões), que teve desempenho igualmente ruim: perdeu 6,61%. A ON recuou 7,37%. Ontem, a mineradora Xstrata e sua parceira na exploração de cromo Merafe Resources disseram que suspenderam a produção em mais cinco altos-fornos, por causa das condições mais fracas do mercado.




Em tempo: a Bolsa divulgou ontem o balanço das atividades em novembro, mês no qual o giro financeiro médio diário na Bovespa ficou em R$ 3,773 bilhões, 29,2% abaixo do registrado em comparação ao mês anterior (R$ 5,327 bilhões). O volume é o menor desde março de 2007, quando a média atingiu R$ 3,493 bilhões. O encolhimento reflete a aversão ao risco dos investidores e a saída de capital estrangeiro da Bolsa paulista.

Juros

Após semanas de ausência, o fluxo estrangeiro reapareceu hoje no mercado de juros e garantiu forte queda para as taxas neste primeiro dia do mês e da semana pré-Copom. O noticiário expôs com veemência a fragilidade da economia global, colocando as preocupações inflacionárias em segundo plano, o que derrubou a curva a termo.

Agência Estado

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