Em alta
Apesar de as bolsas européias, norte-americanas e brasileira terem encerrado ontem e a última semana do mês com altas, em novembro elas apuraram quedas, ainda que menores do que em outubro - considerado o pior mês em dez anos para os índices acionários nos EUA e Brasil. Nos últimos dois meses, os EUA e vários países da Europa e Ásia injetaram cerca de US$ 2,3 trilhões por meio de planos de estímulo às economias, na tentativa de evitar que os sinais de recessão e deflação nesses países se transformem na primeira depressão do Século 21.

Socorro
Além desses, outros trilhões de dólares foram usados para salvar empresas e bancos - só o socorro ao Citigroup esta semana somou pelo menos US$ 20 bilhões. E o mercado aguarda agora algum sinal alentador para as endividadas montadoras dos EUA. Também são grandes as expectativas em torno das medidas que estão sendo alinhavadas pela equipe do futuro governo de Barack Obama, que assume em 20 de janeiro. Contudo, há dúvidas se já teria passado o maior impacto da crise financeira global sobre a economia real, os preços das commodities e os mercados.

Bolsa
Inebriada principalmente pelo efeito Barack Obama nesta última semana, a Bovespa chegou perto de apagar as perdas de novembro. Talvez se Wall Street não tivesse fechado mais cedo, por conta do feriado de quinta, sobrasse um pouco mais de investidores dispostos a ir às compras na tarde de ontem, garantindo a interrupção de um ciclo de baixa iniciado em junho. Como não foi o que aconteceu, a Bovespa caiu pelo sexto mês seguido.O índice Bovespa terminou com elevação de 1,06%, aos 36.595,87 pontos, reduzindo as perdas de novembro a 1,77%. Na melhor semana deste mês, a Bolsa doméstica subiu consideráveis 17,10%.

Positiva
‘‘A semana foi bastante positiva, considerando os sucessivos pacotes anunciados pelos governos norte-americano e europeu. Uma das razões é a ajuda ao setor hipotecário (o Fed injetará US$ 600 bilhões neste segmento), já que um dos passos para terminar a crise é justamente acabar com o que a gerou’’, comentou o gestor-gerente da Infinity Asset, George Sanders.Essas bilionárias injeções de dinheiro para tirar a economia global da crise acabaram surtindo efeito sobre a avaliação dos investidores, que começam muito paulatinamente a voltar aos negócios com um pouco mais de vontade.

Valorização
Ontem, em Wall Street - por causa do feriado do Dia de Ação de Graças nos EUA ontem, os mercados fecharam mais cedo ontem -, a Bovespa conseguiu subir com um empurrão das blue chips Vale e Petrobras, embora as siderúrgicas e os bancos também tenham avançado. Esta valorização dos ativos foi garantida também pelas bolsas norte-americanas, que subiram, na esteira das recentes informações de que a Black Friday, enfim, não está sendo assim tão fraca quanto se imaginava.

Expectativa
Conselho Internacional dos Shopping Centers, nos Estados Unidos, havia previsto a pior performance das vendas nas festas de fim de ano desde 2002 no país. Pesquisa da instituição projeta crescimento de 1,7% das vendas das cadeias de lojas para essa temporada, marcando o ritmo mais fraco desde 2002, quando as vendas quase ficaram estagnadas (0,5%). Segundo Sanders, todo esse movimento, entretanto, não indica que a crise é coisa do passado. Ele lembrou que novembro, embora tenha fechado com perdas bem menores do que as vistas nos últimos cinco meses.

Tenso
Dezembro deve começar tenso, diante da agenda carregada de indicadores. Estão previstos dados como o payroll, na próxima sexta-feira, a reunião do BCE para definir a taxa de juros e a entrega de um plano de ajuste, pelas montadoras, para que possam requerer ajuda financeira do governo norte-americano, um dos temas mais prementes. Nesta semana, os papéis das três maiores empresas do setor nos EUA chegaram a disparar por conta da análise de que elas vão, sim, receber recursos - o presidente eleito, Barack Obama, deu uma declaração nesse sentido, mas advertiu que não seria passado um cheque em branco.

Velhos
‘‘Tivemos indicadores ruins nesta semana, mas o mercado ignorou. Preferiu considerar números velhos, que olhavam o passado. Mas a semana que vem está carregada. E o mercado está vivendo um dia de cada vez’’, comentou Sanders. o Dow Jones terminou o pregão em alta de 1,17%, aos 8.829,04 pontos. O S&P subiu 0,96%, para 896,24 pontos, e o Nasdaq, 0,23%, aos 1.535,57 pontos. O índice S&P-500 acumulou cinco dias consecutivos de altas, o que não acontecia desde julho de 2004.

Câmbio
O dólar no mercado à vista encerrou novembro como começou, em alta. O pronto terminou ontem cotado a R$ 2,335 (+2,41%) na BM&F, ante uma taxa de R$ 2,167 (+0,42%) no dia 3/11. No balcão, a moeda à vista finalizou esta sexta-feira a R$ 2,314 (1,45%), de R$ 2,169 (+0,60%) no primeiro dia útil do mês. As valorizações apuradas são de, respectivamente, 8,20% e 7,33% em novembro; e de 31,38% e 30,37% no ano até o momento.
Agência Estado

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