Ritmo lento

São Paulo- O feriado do Dia de Ação de Graças, em razão do qual os mercados nos EUA não funcionaram, imprimiu um ritmo lento aos ativos locais, especialmente ontem à tarde. Pela manhã, a repercussão da informação do empréstimo de R$ 2 bilhões que a Petrobras acertou com a CEF no final de outubro deu mais dinamismo ao noticiário do que à Bovespa em si, que movimentou somente R$ 1,74 bilhão. As ações PN da estatal recuaram 2,78%.

Pregões

A Bolsa fechou uma sequência de três pregões de alta e caiu 0,70% e, por sua vez, o dólar terminou em alta, após três sessões seguidas de queda. A realização de lucros nas ações e no câmbio, entretanto, não convenceu, dada a liquidez fraca de ontem. O mercado de juros também ensaiou um ajuste aos recuos recentes, mas a falta de parâmetro de Wall Street igualmente afetou a consistência do movimento. Também com giro reduzido, as bolsas européias encerraram no azul, impulsionadas pela expectativa de um corte de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) na próxima semana.

Bolsa

Como era esperado neste feriado norte-americano de ontem, e depois de três pregões em alta, a Bovespa engatou uma realização de lucros. Mas o movimento foi muito tímido e pautado por baixo volume de negócios, além da fraca vontade dos investidores em se desfazer de papéis. O Ibovespa registrou com desvalorização de 0,70%, aos 36.212,65 pontos. Oscilou entre a mínima de 36.114 pontos (-0,97%) e a máxima de 36.817 pontos (+0,95%). No mês, acumula perdas de 2,80% e, no ano, de 43,32%. O giro financeiro foi o menor de novembro, ao somar meros R$ 1,739 bilhão.

Investidores

Apesar de ter subido mais de 16% em 3 pregões, reduzindo consideravelmente as perdas de novembro até ontem, os investidores ontem não se mostravam muito entusiasmados para engatar uma forte realização de lucros. As notícias positivas dos últimos dias lá fora - ontem, o governo Espanhol anunciou que vai aprovar um pacote de estímulo de Ç 11 bilhões para reativar a economia - suscitaram a vontade de que a crise pode estar dando indícios de melhora, o que leva à manutenção e também à compra de papéis. Ainda é cedo para fazer prognósticos, mas explica a queda tímida do Ibovespa nesta sessão.

Apatia

Embora os investidores estrangeiros tenham estado inexpressivos na Bovespa, a ausência de negócios em Wall Street congela as operações aqui por causa da falta de uma referência, que também não deve ser muito forte amanhã, quando as bolsas encerram o expediente mais cedo nos Estados Unidos (às 16 horas de Brasília).Diante da apatia justificada pela folga de um feriado, foi amplificada a notícia de que a Petrobras pegou um empréstimo de R$ 2 bilhões da Caixa Econômica Federal para recompor seu caixa.

Descapitalizada

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou que a operação fosse um sinal de que a estatal estivesse descapitalizada. ''Foi um problema imediato de caixa'' para pagar impostos, segundo ela. E a própria estatal minimizou a operação. Agora no finalzinho da sessão da Bovespa, o diretor de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, disse que a operação com a CEF é trivial e que, como essa, a estatal fez 21 outras iguais ao longo do ano com outras instituições.


Petróleo

Os papéis da Petrobras recuaram 2,48% os ON e 2,78% os PN. No pregão eletrônico da Nymex, o petróleo para janeiro operava, às 18h30, em baixa de 0,72%, a US$ 54,05. A outra blue chip, Vale, fechou em baixa de 1,96% a ON e de 0,94% a PNA. TIM esteve entre as maiores altas do Ibovespa ontem. Os investidores continuam acreditando na venda da empresa por sua controladora, a Telecom Italia. Anteontem, as ações ON e PN da TIM registraram valorização de 18,44% e de 11,45%, respectivamente.


Moedas

No mercado de moedas, às 16h45, o euro recuava 0,12%, a US$ 1,2886; a libra subia 0,32%, a US$ 1,5394; e o dólar perdia 0,31% a 95,43 ienes por dólar. Segundo apurou o jornalista Flavio Leonel, as incertezas e preocupações sobre o comportamento da inflação em 2009 marcaram as reuniões que o Banco Central realizou com economistas do mercado financeiro ontem, uma por volta das 10 horas e outra ao meio-dia, na cidade de São Paulo, de acordo com participantes dos eventos.

Polêmicas

Analistas que participaram da reunião do meio-dia destacaram que a questão do câmbio ganhou um espaço maior do que nos encontros do final de agosto, justamente porque, naquela ocasião, o dólar estava abaixo do nível de R$ 2,00 e era um fator de alívio para a inflação. ''O pessoal se mostrou preocupado com o impacto do câmbio na reunião que durou praticamente uma hora'', comentou um dos participantes.

Juros

O mercado de juros ensaiou uma realização de lucros no período da tarde, que não convenceu, uma vez que a liquidez esteve ontem ainda mais comprometida pelo feriado norte-americano do Dia de Ação de Graças. O movimento coincidiu com a piora no câmbio, no momento em que o dólar acelerava para as máximas do dia. A moeda americana fechou em alta de 0,62%, a R$ 2,2810, no balcão. No fechamento, as taxas rumavam para direções diversas.

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