MERCADO FINANCEIRO
Pessimismo
São Paulo - O novo pacote de mais de US$ 800 bilhões de ajuda anunciado anteontem pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) para resgatar os mercados de crédito nos EUA teve efeito positivo para algumas bolsas asiáticas, que fecharam em alta hoje. Outras bolsas da região, no entanto, tiveram perdas -inclusive a principal delas, a do Japão: com a economia americana praticamente em recessão, a perspectiva para as exportações japonesas é de pessimismo.
Asiático
A Bolsa de Tóquio (Japão), a principal do mercado asiático, recuou 1,33%, fechando com 8.213,22 pontos no índice Nikkei 225; já o índice Topix caiu 1,72%, para 817,22 pontos. O índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, subiu 3,81% e fechou a 13.369,45 pontos. O índice Kospi, da Bolsa de Seul (Coréia do Sul), fechou em alta de 4,72%, aos 1.029,78 pontos; já o indicador de valores tecnológicos Kosdaq subiu 8,12 pontos (2,83%), para 295,51.
Jacarta
O índice geral da Bolsa de Xangai (China) fechou com alta de 0,49%, aos 1.897,88 pontos. A Bolsa de Sydney (Austrália), no entanto, teve queda de 2,68%; e a Bolsa de Jacarta (Indonésia) subiu 2,72%.Para analistas, a medida do Fed demonstra a preocupação dos Estados Unidos com a falta de crédito no país, mas lança novo ânimo nos mercados -já bastante voláteis nas últimas semanas com a forte desaceleração das montadoras de automóveis e o pacote de ajuda de US$ 20 bilhões ao Citigroup.
IPCA-15
O IPCA-15 teve alta de 0,49% em novembro, acima do 0,30% registrados em outubro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os alimentos foram novamente os principais responsáveis pela aceleração do índice. No ano, o índice acumula alta de 5,79%, acima de igual período do ano anterior (3,64%). Nos últimos 12 meses, o indicador acumulou alta de 6,54%, acima dos 12 meses imediatamente anteriores (6,26%). O grupo Alimentação e Bebidas passou de variação positiva de 0,05% em outubro para uma alta de 0,90% em novembro; esse grupo contribuiu com 0,20 ponto percentual na composição do índice geral -ou seja, respondeu por 42% da taxa.
Produtos
Também subiram os preços dos itens: feijão preto (7,65%), açúcar refinado (5,13%), carne-seca (4,55%), frango (1,86%), arroz (1,33%) e leite pasteurizado (1,18%).Outros itens tiveram aceleração menos acentuada, como refeição consumida fora do domicílio (de 0,84% para 0,68%), ou se apresentaram em queda, como o feijão carioca (de 3,29% para -2,54%).Em relação ao resultado no ano, a taxa de crescimento de preços dos alimentos chegou a 11,57%, bem acima de igual período do ano passado (8,22%).
Não-alimentícios
Os produtos não-alimentícios tiveram neste mês a mesma variação observada em outubro, 0,37%. Alguns itens tiveram desaceleração, como artigos de vestuário (de 1,24% para 0,56%), artigos para reparos de residência (de 1,89% para 1,50%), salário de empregados domésticos (de 1,11% para 0,85%), e taxa de água e esgoto (de 1,37% para 0,15%). Já itens como energia elétrica (de -0,26% para 0,36%), gasolina (de 0,01% para 0,33%) e condomínio (de -0,15% para 0,30%) aceleraram.
Superávit
Brasília - A economia da União, dos Estados e dos municípios para pagar os juros da dívida, o chamado superávit primário, deixou as contas do setor público superavitárias em outubro, apesar dos efeitos da crise financeira. Segundo dados do Banco Central, o superávit primário acumulado nos dez primeiros meses do ano atingiu o valor recorde de R$ 132,886 bilhões, o equivalente a 5,6% do PIB (Produto Interno Bruto) do período.Desde agosto, o número já havia superado a economia feita durante todo o ano de 2007, que foi de R$ 101,6 bilhões.
Folga
Somente no mês passado, o superávit primário ficou em R$ 14,472 bilhões, puxado pela arrecadação recorde de impostos. O resultado superou o pagamento de juros no mês, que somou R$ 9,249 bilhões.Com isso, houve ainda uma ''folga'' nas contas públicas, ou um superávit nominal. Ou seja, a economia foi suficiente para pagar os juros da dívida e ainda sobraram recursos no valor de R$ 5,222 bilhões (diferença entre o superávit primário e o pagamento de juros), o melhor resultado desde janeiro deste ano.
Taxa de juro
A China informou ontem que cortou a taxa de referência de depósitos e a de empréstimo em 1,08 ponto porcentual, para estimular o crescimento firme do crédito como parte de sua política monetária ''moderadamente afrouxada''. O Banco do Povo da China (banco central do país) reduziu a taxa de depósito para um ano de 3,60% para 2,52% e a taxa de empréstimo de 6,66% para 5,58%. Os cortes, que entram em vigor amanhã, são maiores do que as recentes reduções promovidas pelo banco central, de 0,27 ponto porcentual, e também superam o corte de 0,54 a 0,81 ponto porcentual que o mercado esperava. O banco central também reduziu o recolhimento compulsório a partir de 5 de dezembro em 1 ponto porcentual para seis grandes bancos e em 2 pontos porcentuais para bancos menores.





