Recessão

- A contração anualizada de 0,5% do PIB dos EUA no terceiro trimestre reacendeu ontem o medo da recessão no país e neutralizou o impacto positivo inicial do anúncio de US$ 800 bilhões em medidas do Federal Reserve com o objetivo de ampliar o crédito ao consumidor e injetar confiança no mercado imobiliário. Os investidores conheceram novos nomes da equipe do governo de Barack Obama.

Bovespa

Diante de um cenário de recessão combinada com deflação e perspectiva de ampliação dos déficits gêmeos nos EUA, os investidores reduziram posições em petróleo e dólar, que caíram, e intercalaram compras e vendas de ações, num movimento que levou as bolsas em Wall Street a oscilarem entre quedas e altas durante à tarde. A Bovespa foi contagiada e depois de muito vaivém subiu 1,83%, favorecida pelas ações de siderúrgicas, bancos e construtoras. O dólar persistiu em baixa também em relação ao real e contribuiu para novo declínio dos juros futuros de longo prazo. As taxas curtas foram pressionadas e subiram amparadas por fatores técnicos.


Euforia

A euforia da véspera foi substituída pela volatilidade no pregão de ontem da Bovespa, embora o sinal positivo tenha sido predominante na maior parte do tempo, conseguindo se manter no fechamento. A ajuda ao Citigroup na segunda recebeu ontem o reforço de um novo pacote de ajuda do governo norte-americano, de US$ 800 bilhões, ao sistema financeiro. Mas os indicadores econômicos conhecidos no final da manhã vieram ruins e provocando muito sobe-e-desce nos índices norte-americanos e brasileiro.


Fed

O Federal Reserve anunciou que dará até US$ 200 bilhões em empréstimos para os detentores de títulos lastreados em ativos que têm como colateral empréstimos a consumidores e pequenas empresas. Isso envolve desde o crédito estudantil e a compra de automóveis até empréstimos via cartão de crédito. Além disso, a autoridade monetária fará um programa para adquirir até US$ 100 bilhões em obrigações diretas relacionadas a imóveis das agências hipotecárias Fannie Mae, Freddie Mac e do Federal Home Loan Banks; e também até US$ 500 bilhões em ativos lastreados por hipotecas garantidos pelas agências durante vários trimestres.

Disponibilidade

Segundo o Fed, a decisão visa a ''reduzir o custo e aumentar a disponibilidade de crédito para a compra de imóveis, o que, por sua vez, irá sustentar os mercados imobiliários e alimentar condições melhores nos mercados financeiros de modo geral''. Os especialistas gostaram principalmente da ajuda aos consumidores, já que, até então, eram as instituições as principais beneficiadas da ajuda do governo. Ao colocar o consumidor como beneficiário, o Fed está de olho no reaquecimento econômico, visto que os gastos deles correspondem a 70% da atividade econômica do país - e haviam caído no terceiro trimestre.

Índices

A notícia puxou as bolsas para cima, mas os índices conhecidos ontem, entre eles a revisão do PIB, fez o rumo se inverter. O desempenho da economia norte-americana no terceiro trimestre foi revisado em baixa, de -0,3% para -0,5% na taxa anualizada no terceiro trimestre. Já o índice composto de preços de residências Case-Shiller registrou queda recorde de 18,6% para dez cidades em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado e declínio recorde de 17,4% para 20 cidades. E o índice de atividade industrial na região coberta pelo Federal Reserve de Richmond caiu para -38 em novembro, de -26 em outubro.


Barack

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, deu sua segunda entrevista em dois dias, ontem anunciando a escolha do chefe do Escritório de Orçamento do Congresso, Peter Orszag, como diretor do Escritório de Administração e Orçamento (OMB, na sigla em inglês). Obama também nomeou o conselheiro do governo Clinton Roberto Nabors como vice-diretor do OMB. Em entrevista em Chicago, o presidente eleito disse que Orszag e Nabors partilham sua opinião de que é necessário um trabalho agressivo para reduzir o orçamento federal, com foco sobretudo em áreas como a reforma dos programas de saúde.

Bons olhos

''As declarações e anúncios de Obama têm sido vistos com bons olhos pelo mercado financeiro. Os investidores estão querendo ver a situação de uma forma melhor e os novos sinais podem dar confiança para o fôlego de compras retornar'', comentou Fausto Gouveia, analista da Alpes Corretora. Ele lembrou que o novo presidente norte-americano se mostrou favorável a uma ajuda às montadoras, além de estar trabalhando num pacote amplo para tirar o país da crise.



Câmbio

O mercado de câmbio doméstico registrou forte volatilidade ontem, em que o dólar à vista terminou com leve queda, cotado a R$ 2,325 na BM&F (-0,26%) e no balcão (-0,13%). Na sessão, o pronto no balcão oscilou 3,64%, da mínima de R$ 2,283 (-1,93%) à máxima de R$ 2,366 (+1,63%). As cotações à vista da moeda se movimentaram de acordo com o fluxo cambial do momento e o vaivém externo do dólar e das bolsas norte-americanas.


Agência Estado

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