Resgate Citigroup
  Um plano bilionário de resgate para o Citigroup, um pacote de estímulo fiscal do governo britânico de 20 bilhões de libras (US$ 30,24 bilhões) e a confirmação de Timothy Geithner como secretário do Tesouro do governo de Barack Obama garantiram ontem fortes valorizações às bolsas européias, norte-americanas e brasileira. As commodities também atraíram os investidores e o preço do petróleo subiu mais de 9%, apesar de ainda estar abaixo de US$ 55 o barril. Em Nova York, o Dow Jones recuperou o nível de 8 mil pontos e, às 19h05, subia 4,83%. As ações do Citigroup dispararam 57,8%.

Euforia
  A Bovespa acompanhou a euforia externa e saltou 9,40%, maior ganho diário desde 28 de outubro. O dólar caiu ante o euro, a libra e o real com a migração de investidores para as ações e matérias-primas. No mercado doméstico, o fluxo cambial positivo e os leilões do Banco Central também justificaram a queda de 5,52% da moeda, a maior num único dia desde 13 de outubro. Os juros futuros também devolveram prêmios, reagindo às boas notícias externas e a manutenção das expectativas de inflação na pesquisa
UUFocus do BC.

Bolsa
  As notícias vindas dos EUA e Europa permitiram à Bovespa ‘colar’ nas bolsas externas e recuperar o atraso de sexta-feira em relação a Wall Street. O Ibovespa subiu perto de 10%, carregado por Petrobras, Vale, bancos e siderúrgicas, embora tenham sobrado ordens de compras para todos os segmentos.
Entre outras razões, puxaram os ganhos das bolsas ao redor do mundo o pacote de ajuda do governo do Reino Unido, a confirmação de Timothy Geithner como secretário do Tesouro do governo Barack Obama, nos EUA, e a injeção de US$ 20 bilhões que o Tesouro do país fará no Citigroup.

Giro
  A Bolsa paulista subiu 9,40%, aos 34.188,83 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 31.255 pontos (+0,02%) e a máxima de 34.382 pontos (+10,02%). No mês, acumula perdas de 8,23% e, no ano, de 46,48%. O giro financeiro totalizou R$ 3,595 bilhões. Às 18h39, o Dow Jones subia 5,89%, o S&P, 7,32%, e o Nasdaq, 6,42%. A notícia sobre Geithner havia vazado na sexta-feira, quando a Bovespa já estava fechada, mas pegou Wall Street funcionando, o que significa que os investidores correram às compras. Hoje, com um pregão de atraso, a Bolsa doméstica repercutiu o anúncio, confirmado pelo presidente eleito, Barack Obama, em entrevista esta tarde. Geithner é o atual presidente do Fed de Nova York.

Audaciosamente
  Os investidores também gostaram da fala de Obama na qual afirmou que o país deve agir ‘‘rápida e audaciosamente’’ para confrontar a crise econômica, que tem ‘‘proporções históricas’’. ‘‘Não temos um minuto a perder’’, acrescentou. Segundo José Manuel Teixeira, que dá suporte à área de gestão da Um Investimentos, o novo governo dos EUA emite bons sinais de que pretende assumir com plano já pronto de combate à recessão.

Estragos
Mas, até janeiro, o atual governo também tenta se mover e minimizar os estragos da crise. Hoje, o governo Bush acertou -pelo menos o mercado financeiro gostou - ao concordar em garantir em até US$ 306 bilhões os ativos do Citigroup, além de injetar US$ 20 bilhões em recursos no banco. As ações da instituição dispararam mais de 50%, causando uma onda de compras de papéis de bancos ao redor do mundo - e também no Brasil. Unibanco unit liderou os ganhos do Ibovespa ao subir 17,54%, Itaú PN, 15,86%, Bradesco PN, 12,69%, BB ON, 9,55%, e Nossa Caixa ON, 0,87%.

Avanço
Na Europa, além da equipe econômica dos EUA, os negócios tiveram razões locais para avançar. O governo do Reino Unido anunciou um pacote de 20 bilhões de libras (US$ 30,24 bilhões) que, entre outras coisas, reduz de 17,5% para 15% o Imposto sobre Valor Agregado. Com isso, as bolsas dispararam: em Londres, o índice FTSE 100 subiu 9,84%, para 4.152,96 pontos, registrando o maior ganho porcentual em 21 anos; o índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, avançou 10,34%, para 4.554,33 pontos; em Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 10,09%, para 3.172,11 pontos.

Câmbio
  Após subir 8,55% nas cinco sessões da semana passada, o dólar no mercado à vista oscilou em terreno negativo ontem e caiu no fechamento 5,52%, para R$ 2,328 no balcão. Esta é a maior baixa diária da moeda no balcão desde 13 de outubro passado, quando o pronto declinou 7,76%, a R$ 2,14, de acordo com levantamento do AE Taxas. Nesse dia, a Bovespa subiu 14,66%, em reação à decisão de líderes políticos da União Européia de fazer um plano coordenado para injeção de bilhões de euros nos bancos da região em um esforço para recuperar a confiança no sistema financeiro. Na BM&F, o pronto escorregou hoje 5,63%, para R$ 2,331.
Agência Estado

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