Recessão mundial
As Bolsas de Valores da Ásia voltaram a cair ontem com o temor dos investidores sobre uma recessão mundial. Contribuíram com a queda na região da Ásia-Pacífico as fortes perdas na Bolsa dos Estados Unidos, as más notícias sobre a economia americana e a dificuldade das montadoras do país em conseguir um pacote de ajuda financeira do governo federal.

União
No Japão, a união do iene forte ante o dólar e dos maus resultados de empresas do setor bancário derrubou a Bolsa de Tóquio: -6,89%, aos 7.703,04 pontos. ''Temos que considerar que podemos cair mais do que em outubro [considerado o pior mês da crise], principalmente se as Bolsas dos EUA e o dólar continuarem caindo'', afirmou Takashi Ushio, da Marusan Securities.


Desacelerou
Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 4,04%. A Austrália caiu 4,32%. Na Coréia do Sul, a Bolsa fechou com recuo de 6,7%. A China desacelerou menos: -1,67%. A principal preocupação do momento para os investidores asiáticos é a saúde da economia dos Estados Unidos. Com resultados cada vez piores em seus indicadores, o país pode ser o próximo a entrar em recessão, segundo analistas.

PIB
O Japão (a segunda maior economia do mundo) e a zona do euro já admitiram recessão, após resultados negativos em seus respectivos PIBs (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre de 2008.


Descolou
A maioria dos mercados da Ásia acompanhou a tendência de Wall Street e fechou em forte queda. A exceção foi a China, que se descolou um pouco das notícias vindas dos Estados Unidos e teve uma baixa menos acentuada por causa da influência de fatores internos.


Queda
Na Bolsa de Hong Kong, a forte queda foi liderada pelos papéis de HSBC. O índice Hang Seng perdeu 517,24 pontos, ou 4%, e fechou aos 12.298,56 pontos. HSBC caiu 4,6% com a perspectiva de piora no cenário econômico dos Estados Unidos e Europa.


Expectativas
Relatório preparado pelo Credit Suisse sobre as expectativas de investimentos de empresas petrolíferas no ano que vem aponta uma queda geral de ''apenas'' 2% no volume em relação ao total investido no ano de 2008. O relatório considera não somente as empresas que já anunciaram seus planos para 2009, mas lembra que nas últimas duas semanas algumas companhias começaram a apresentar mais detalhes sobre o que pretendem fazer no próximo, dando ao menos uma sinalização do que deverá ser feito.


Petrobras
A Petrobras ficou de fora do relatório, porque ainda não anunciou seu plano de investimentos, o que deve acontecer em dezembro. Segundo o Credit Suisse, as maiores reduções de investimentos (de até 50% ou 60% em alguns casos) estão concentradas nas companhias americanas. Entre as majors (americanas e européias, de ação multinacional) a oscilação varia entre uma redução de 20% a um acréscimo de 23%. Os gastos maiores foram mais expressivos na planilha apresentada pela BG, que passaram de US$ 4,3 bilhões para US$ 5,3 bilhões.


Volume
A BG é uma das principais parceiras da Petrobras no desenvolvimento do pré-sal, e vem anunciando que o Brasil tornou-se - após a descoberta das reservas em Tupi - uma de suas prioridades de atuação para os próximos cinco anos. Também projeta aumento nos volumes investidos em 2008, a Exxon Mobil, de US$ 25,9 bilhões para US$ 27,3 bilhões (5%). A Exxon também atua no pré-sal brasileiro, e está no momento perfurando o bloco BM-S-22, que ainda não teve indícios de óleo ou gás informados à ANP. Outras grandes companhias que programam crescimento dos seus investimentos são Chevron, Eni, Total e OMV.

Planos
Se a Petrobras mantivesse seus planos de elevar seu aporte anual, de US$ 22 bilhões para US$ 26 bilhões (aumento de 16%), estaria entre os três maiores investimentos de companhias de capital aberto analisadas pelo Credit Suisse, atrás apenas da Exxon e da Shell. Esta última, por sua vez, está revendo o volume que deverá aplicar no próximo ano, reduzindo em 9% o total a ser investido, em relação a 2008.

Avaliação
Na avaliação dos analistas do Credit Suisse, o fato de os grandes projetos não terem sido adiados, mesmo com a redução drástica no preço do barril de petróleo nos últimos meses, indica dois pontos de observações: um deles é de que há um ''atraso operatório'' estimulado pela expectativa de redução de custos nas indústrias de equipamentos. O segundo é de que as empresas estariam confiantes numa retomada, mesmo que parcial do preço do barril do petróleo.

Preços
''Reflete a sabedoria convencional de que os preços do petróleo deverão retornar em algum ponto. A atual debilidade da commodity, portanto, representa uma oportunidade de desenvolvimento de projetos com um custo mais baixo'', diz o relatório.Para os analistas do Credit Suisse, os principais alvos de cortes são os projetos onshore nos Estados Unidos, além dos investimentos nas areais betuminosas do Canadá, por conta da queda do preço do barril que inviabiliza os novos investimentos.

Das Agências

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