MERCADO FINANCEIRO
Bovespa desaba
São Paulo - O noticiário econômico fez a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desabar, com fortes vendas perto do encerramento dos negócios. Ontem, mais um indicador econômico reforçou a percepção de que a maior economia deve entrar em recessão: o indicador de preços no atacado dos EUA teve seu pior declínio em 60 anos. Essa foi a notícia que contribuiu para estragar o humor dos investidores na jornada de ontem.
Giro financeiro
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, recuou 4,54% no fechamento, aos 34.094 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,23 bilhões.
As ações líderes da Bolsa, as preferenciais da Petrobras, desabaram 5,86%, movimentando sozinhas R$ 645 milhões. Em Nova York (Nymex), o barril de petróleo caiu abaixo de US$ 55. E ontem, a diretoria da estatal admitiu que projetos devem ser adiados devido ao cenário econômico de crise.
Ajustes
''Temos que fazer ajustes em projetos que não afetem nossa curva de produção de forma significativa, principalmente para 2009 e 2010. Um pouco mais para a frente, poderá se criar um buraco não muito grande, que vamos recuperar futuramente'', disse o gerente-geral de Novos Negócios da área de E&P (Exploração e Produção), José Jorge de Moraes Junior.
Núcleo
Entre as principais notícias do dia, o Departamento do Trabalho dos EUA revelou que o PPI (índice de preços no atacado) apontou deflação de 2,8% em outubro ante 0,4% em setembro.O chamado ''núcleo'' do indicador, que é a medida mais influente sobre o mercado, foi de 0,4%, acima das projeções de 0,2% dos economistas do setor financeiro. O núcleo é calculado pela exclusão dos preços mais voláteis: energia e alimentos.
Front doméstico
''A notícia sobre o núcleo não é boa, mas a essa altura do jogo, com juros reais negativos e recessão em curso, não há o que fazer'', comentou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves. No front doméstico, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que as vendas no comércio no país cresceram 1,2% em setembro, na comparação com o mês anterior. A inflação medida pelo IPC-Fipe, na segunda quadrissemana de novembro -30 dias até 15/11- teve variação de 0,58% ante 0,57% da leitura na primeira quadrissemana.
Dólar
O dólar no mercado à vista sustentou-se em alta ontem em meio à volatilidade externa das bolsas e da moeda norte-americana, apesar da liquidez assegurada pelo Banco Central e do fluxo cambial positivo. A autoridade monetária vendeu US$ 2,941 bilhões por meio de três leilões - de swap cambial, rolagem de swap cambial e oferta de crédito para comércio exterior - e só não fez operação de venda direta de moeda, segundo um operador, porque o fluxo cambial foi positivo. ''Houve atuação dos exportadores na ponta de venda no mercado à vista, o que provocou desaceleração pontual dos ganhos'', afirmou.
Máximas
Contudo, as cotações da moeda terminaram perto das máximas da sessão, com um volume de negócios um pouco menor que o anterior. No fechamento, o pronto subiu 2,11%, a R$ 2,325 na BM&F e no balcão. As máximas, renovadas pouco antes do encerramento, foram de R$ 2,332 (2,42%) e R$ 2,327 (2,20%), respectivamente. As mínimas, registradas na primeira parte dos negócios, foram de R$ 2,280 (0,13%) e R$ 2,283 (0,26%). O giro financeiro total à vista encolheu 19%, para cerca de US$ 2,6 bilhões (US$ 2,450 bilhões em D+2).
Volume
No mercado de dólar futuro, o volume de negócios também diminuiu, mas os investidores seguiram apostando no avanço das cotações. Os sete vencimentos negociados projetaram novas valorizações. O giro financeiro até às 16h18 somava cerca de US$ 8,95 bilhões. O dólar dezembro08, que movimentou US$ 8,72 bilhões do total, indicou ganho de 1,50%, a R$ 2,317. Parte da demanda por moeda no mercado doméstico reflete o mal-estar entre os investidores com a falta de perspectiva de um fim para a crise financeira global.
Dominado
Corretores apontam que os negócios com a moeda americana estão dominados por movimentos especulativos, num ambiente de nervosismo sobre a economia global. ''Hoje, o mercado está dominado principalmente pelo mercado futuro e pelas tesourarias de bancos'', comenta Luiz Carlos Baldan, da corretora Fourtrade.
Agentes financeiros que detém contratos de dólar no mercado futuro influenciam a formação de preços no mercado à vista conforme ganham com a alta ou a baixa das cotações da moeda americana.
Fluxo negativo
Num mercado de giro financeiro bem mais estreito, em que boa parte dos dias o fluxo é negativo, importadores e exportadores têm pouca influência na formação das taxas, afirmam profissionais das mesas de câmbio. Nesse cenário, as atuações do Banco Central têm tido efeito limitado sobre as operações. Ontem, os bancos tomaram US$ 1,155 bilhão do montante de US$ 1,5 bilhão oferecido pelo BC em leilão de venda de dólares, com o compromisso de que os recursos sejam usados para financiamento de operações de comércio exterior.





