MERCADO FINANCEIRO
Bolsa
São Paulo- O primeiro pregão da semana foi marcado pela confirmação de que mais uma economia central caiu em recessão: o governo japonês confirmou ontem a contração do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano. A Bolsa brasileira acompanhou de perto o mau humor predominante em Wall Street, em mais um pregão bastante esvaziado, com giro inferior a R$ 4 bilhões. O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, teve perdas de 0,20% no fechamento, aos 35.717 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,88 bilhões.
Patamar
Desde o final de outubro, a Bolsa brasileira tem patinado no patamar de 35 mil pontos e analistas não acreditam que o panorama se modifique até o final deste ano. ''Aquele desespero inicial com a crise gerou muita reação exagerada [em setembro e outubro] mas parece que agora, o mercado encontrou um patamar meio sustentável entre 35 mil, 37 mil pontos. Eu acredito que a Bolsa, agora, entrou em uma fase de ''andar de lado' [oscilar sem firmar tendência] e deve ficar até o fechamento do ano'', comenta João Carlos Bercher, gerente de operações da corretora Petra, que aposta num Ibovespa abaixo dos 40 mil pontos no final deste ano.
Japonês
Entre as principais notícias do dia, o governo japonês comunicou que o PIB (Produto Interno Bruto) nacional sofreu uma contração de 0,1% no terceiro trimestre, tecnicamente colocando o país em uma recessão. No setor financeiro, o banco Citigroup anunciaria ontem, segundo a imprensa americana, uma demissão de até 50 mil pessoas, em mais um desdobramento da crise dos créditos ''subprime'. No front doméstico, a companhia aérea Gol informou um prejuízo de R$ 474,3 milhões no terceiro trimestre deste ano, como resultado do impacto da brusca valorização do dólar sobre o caixa da empresa. No terceiro trimestre do ano passado, a companhia havia apurado ganho de R$ 49,41 milhões.
Dólar
O dólar no mercado à vista pisou em terreno negativo à tarde, mas rapidamente retomou a alta exibida desde a abertura. No fechamento, o pronto subiu 0,31%, a R$ 2,277 na BM&F e no balcão. A máxima pela manhã foi de R$ 2,325 (2,42%) e a mínima à tarde, de R$ 2,265 (-0,22%) no balcão. A venda pelo BC de cerca de US$ 494 milhões em contratos de swap cambial no início da tarde de ontem ajudou a aliviar a pressão inicial sobre o dólar à vista, disse o gerente de câmbio do Banif Investment Bank, Jairo Rezende.
Recessão
A segunda-feira reuniu todas as variáveis para as ações caírem. Recessão no Japão, queda das commodities, indicadores débeis nos Estados Unidos, notícias de cortes de empregos e um encontro pouco produtivo do G-20. Domingo à noite em Brasília, chegou a notícia de que a economia japonesa tinha também entrado em recessão - seguindo Reino Unido e zona do euro. No terceiro trimestre, depois de amargar uma queda de 0,9% de abril a junho -, o PIB japonês se contraiu 0,1%.
Produção
Nos EUA, a produção industrial dos EUA em outubro até que veio forte, mais do que era esperado (+1,3% ante 0,4% estimado), mas o problema foi no dado de setembro, que foi revisado de um número ruim para um ainda pior. Passou de uma queda de 2,8% para uma baixa de 3,7%, a maior desde fevereiro de 1946. O outro dado divulgado lá ontem também foi fraco: o índice Empire State de atividade industrial caiu para -25,43 em novembro, nível recorde de baixa - embora ligeiramente melhor do que os -27 previstos pelos economistas.
Fraqueza
Na economia real, o mercado de trabalho mostrou sinais de fraqueza, pelo menos nos fragilizados bancos. O Citigroup vai diminuir seu quadro de funcionários em 50 mil e o HSBC já cortou 450 empregos em suas operações em Hong Kong. E a minerador australiana BHP Billiton informou que houve um adiamento de pedidos de compra de minério de 5% de sua produção, o que parece ter sido patrocinado pelas siderúrgicas chinesas, segundo analistas.
Recuo
Na Bovespa, com a queda das commodities, as blue chips Vale e Petrobras recuaram - Vale ON, -1,29%, PNA, -0,82%, Petrobras ON, -0,16%, PN, -1,49%. Na Nymex, o contrato para dezembro do petróleo perdeu 3,66% e fechou em US$ 54,95.As siderúrgicas tiveram recuo um pouco mais firme e ajudaram a sustentar o Ibovespa em baixa. Gerdau PN perdeu 3,29%, Metalúrgica Gerdau PN, -2,99%, Usiminas PNA, -0,73%. CSN ON foi exceção ao subir 1,72%.
Maiores baixas
As maiores baixas do Ibovespa, no entanto, foram do setor de construção civil. Gafisa ON liderou as perdas ao cair 8,23%, seguida por Rossi Residencial ON, -7,88%, e Cyrela ON, -6,76%. Resultados fracos no terceiro trimestre, revisão das metas de lançamentos e vendas para 2008 e 2009 e a renovação dos temores de que a recessão das economias desenvolvidas vai contaminar o mercado doméstico explicam o forte desconto do setor, segundo operadores ouvidos pela reportagem.
Das Agências





