Recessão
São Paulo- A entrada da zona do euro em recessão, as quedas recordes das vendas no varejo e do índice de preços das importações nos Estados Unidos em outubro, resultados trimestrais desapontadores das varejistas norte-americanas e anúncios de cortes de empregos pelo Citigroup e Sun Microsystems refletiram ontem o efeito da crise financeira sobre a economia real.


Ânimo
Apesar do pessimismo sobre o futuro da economia e da demanda global, uma vez que não se enxerga horizonte para o fim das turbulências, os investidores encontraram ânimo para comprar ações nas bolsas européias, que subiram nesta sexta-feira mas acumularam quedas na semana. Os índices acionários em Wall Street e São Paulo seguiram voláteis e também tiveram uma semana marcada por perdas, ainda que tenham ensaiado recuperação em alguns momentos. O mercado cambial doméstico realizou lucros e o dólar caiu mais de 4% nesta sexta-feira, mas ainda contabilizou valorização semanal superior a 5%.

Bolsa
As bolsas norte-americanas novamente conduziram o comportamento da Bovespa ontem, mas a disparada dos papéis em Wall Street depois do fechamento doméstico, ontem, permitiu que o principal índice local perdesse menos. Os indicadores fracos sobre a economia norte-americana e os números igualmente débeis das empresas se mantiveram como justificativas para as quedas deste pregão. A Bolsa de Valores São Paulo terminou o dia em baixa de 0,57%, aos 35.789,10 pontos, acumulando -2,38% de queda na semana. No mês, o desempenho é negativo em 3,94% e, no ano, em 43,98%.

Norte-americanas
Ontem, as bolsas norte-americanas deram uma arrancada no final da tarde e a Bolsa doméstica acompanhou apenas em parte. Conseguiu subir 4,7%, mas o Dow Jones, por exemplo, avançou 6,67%, e sem motivo aparente que justificasse. Segundo um operador, um dos argumentos para ontem pode ter sido o fato de amanhã ser a data-limite para os cotistas de hedge funds pedirem resgate de recursos para o final do ano. ''Muitos anteciparam esse movimento e engordaram seus caixas. As vendas podem ter sido exageradas, o que levou os fundos de volta às compras ontem'', comentou um experiente operador do mercado de renda variável.

Na Europa
Na Europa, as bolsas conseguiram driblar os dados da recessão e fechar em alta. O PIB da zona do euro no terceiro trimestre encolheu 0,2% ante o segundo, depois de ter contraído também 0,2% no segundo trimestre frente ao primeiro. A França escapou da recessão, mas viu o PIB do terceiro trimestre minguar para 0,1%. Na Espanha, houve contração da economia de 0,2% no mesmo período. Em Londres, o índice FT-100 subiu 1,53% hoje e caiu 3,02% na semana. Em Paris, o índice CAC-40 avançou 0,67% (-5,12% na semana). Em Frankfurt, o índice DAX-30 subiu 1,31% (-4,62% na semana).


No Brasil
No Brasil, não houve um segmento específico a puxar a Bolsa para baixo hoje. As maiores baixas ficaram com Eletropaulo PNB (-9,22%), TAM PN (-8,45%) e Lojas Renner ON (-6,01%). As maiores altas foram Vivo PN (+8,8%), TIM Participações PN (+8,08%) e Cosan ON (+5,58%).Vale ON, -0,88%, Vale PNA, +1,07%. Ontem, o diretor-executivo de Finanças da mineradora, Fábio Barbosa, admitiu que a empresa não esperava um ajuste tão rápido na demanda por aço na China, o que afeta diretamente o mercado da Vale. ''Hoje é fácil falar, mas foi muito repentino, não medimos do jeito que deveríamos'', disse.


Câmbio
O dólar no mercado à vista caiu para R$ 2,270 ontem, uma baixa de 4,72% na BM&F e de 4,62% no balcão. O forte recuo resultou de um fluxo cambial positivo na sessão combinado com ofertas de moeda para realização de lucros, uma vez que o dólar pronto subiu mais de 10% nos últimos quatro dias. Apesar do declínio acentuado hoje, a moeda no balcão ainda apurou ganho de 5,29% na semana, que é a mesma valorização apurada em novembro até o momento. Isso mostra um descompasso do comportamento na semana do dólar no mercado à vista e no exterior. No ano, o pronto apura ganho de 27,89% ante o real.


Juros
Os juros futuros resistiram à contaminação do mau humor externo, com taxas em queda firme nos vencimentos até 2010 e quase estáveis no longo prazo. O DI janeiro de 2010 encerrou em 15,16% (132.785 contratos), ante 15,31% ontem e 15,21% na sexta-feira passada. O DI janeiro de 2009 (64.805 contratos) projetava 13,63%, de 13,68% ontem, enquanto o DI janeiro de 2012 (38.960 contratos) fechou quase estável, em 16,22% (16,21% ontem). Porém, o volume negociado voltou a decepcionar, dizem operadores.

Agência Estado

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