MERCADO FINANCEIRO
Bovespa
São Paulo- A Bovespa resistiu mais uma vez à volatilidade e quedas das bolsas pelo mundo todo, especialmente em Nova York, e terminou em alta pelo segundo dia consecutivo. A valorização final de 1,32% zerou as perdas do Ibovespa no mês, embora no ano ainda apure desvalorização de mais de 41%. A inversão da bolsa para o positivo, após cair até 3,47% pela manhã, foi amparada pela redução à metade das perdas dos principais índices acionários em Nova York por volta das 17h30 em relação às mínimas intraday.
Socorro
Os potenciais motivos citados para essa melhora momentânea foram o plano do governo para socorrer os proprietários de imóveis em dificuldade, um movimento técnico, uma mudança repentina no sentimento e os comentários do presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, de que o banco central ainda tem muita munição para ajudar os consumidores e empresas a resistirem à desaceleração econômica. Contudo, às 18h42 de ontem, as bolsas norte-americanas voltavam a cair mais de 2%.
Dólar
O dólar à vista subiu em ajuste à alta externa da moeda ante o euro, mas o giro financeiro foi o menor desde 15 de setembro. Nos juros, as taxas oscilaram muito antes de encerrarem em queda, sob a influência da redução das perdas das bolsas.
Em alta
A uma hora do fechamento do pregão, a Bovespa apagou as perdas registradas até então e passou a subir, graças à redução das quedas nas bolsas norte-americanas. Os investidores aproveitaram a trégua dada por Wall Street para ir às compras, principalmente de ações ligadas às commodities, ainda na esteira do pacotão chinês, anunciado domingo. Vale virou para cima e as siderúrgicas, que já vinham exibindo altas, ampliaram os ganhos.
Ícone
O setor automotivo ilustra bem os efeitos da crise na economia real. As montadoras norte-americanas estão enfrentando problemas severos que terão que contar com a mão estatal para serem solucionados. O ícone desta safra ruim é a General Motors e sua saúde financeira debilitada. Seus papéis foram cotados hoje no menor valor desde 1943 no intraday, a US$ 2,76. Além dela, os investidores também estão preocupados com as fabricantes de autopeças, que podem sofrer com a falta de caixa das montadoras e deixarem de receber em caso de concordatas.
Nebuloso
Por trás desse quadro nebuloso, no entanto, estão as injeções de recursos por parte dos governos para tentar impedir uma recessão e trazer de volta à normalidade às economias. E na brecha que houve ontem, a notícia do pacote bilionário do governo chinês encontrou espaço para ecoar na Bovespa, especialmente nas ações ligadas às commodities. A blue chip Vale, que vinha caindo desde a abertura, virou para cima e fechou com ganhos de mais de 1%. As ON avançaram 1,25% e as PNA, 1,23%.
Câmbio
Os investidores do mercado cambial doméstico reduziram posições compradas em dólar futuro na sessão eletrônica da BM&F, reagindo à volatilidade do dólar ante o euro e das bolsas em Nova York, além da virada para o terreno positivo da Bovespa na última hora do pregão. Por volta das 17h24, o dólar futuro dezembro08 reduzia a correção para 1,46%, cotado a R$ 2,227, ante taxa projetada de R$ 2,240 (+2,01%) às 16h16, informou um operador. Às 18h23, o euro perdia 1,55%, a US$ 1,2540.
Juros
O volume limitado de negócios continuou comprometendo o comportamento dos juros futuros e impedindo que as taxas firmassem tendência durante boa parte da sessão. Pela manhã, os principais contratos operaram em baixa, descolando-se da tensão do cenário externo. À tarde, no entanto, a volatilidade comandou as operações e resultou em vaivém para os DIs. Na última meia hora de negócios após a reabertura do pregão às 16h45, as taxas passaram a cair, sob a influência da desaceleração das perdas das bolsas americanas.
Selic
Segundo operadores, a percepção de que o Banco Central deverá manter a taxa Selic em 13,75% por um bom tempo, diante dos múltiplos sinais que as economias doméstica e global vêm apresentando, ajudou a isolar o mercado de juros do estresse dos demais ativos ontem pela manhã. Mas, à tarde, alguns vencimentos não resistiram ao tombo das bolsas americanas e ao aumento da pressão no dólar e passaram a oscilar. No final da tarde, os principais índices em Nova York reduziram a queda e trouxeram alívio ao mercado doméstico, mas o dólar à vista já estava fechado, em R$ 2,222 (+1,41%).
Carência
Entretanto, como o movimento dos DIs não teve suporte de volume, não é possível afirmar que esse desempenho se repetirá. A carência de liquidez vem marcando as operações há dias e os analistas não estão otimistas em relação a uma melhora. As dúvidas sobre a política monetária só fazem crescer, o que é considerado o principal fator a atravancar os negócios.
Agência Estado





