MERCADO FINANCEIRO
Mau humor
São Paulo - O humor dos investidores mudou para pior nos mercados à tarde, após a animação inicial com o pacote da China de US$ 586 bilhões para estimular a economia do país. Alertas preocupantes sobre a General Motors no início da tarde abalaram os preços das ações da companhia na Bolsa de Nova York e também afetaram os papéis da Ford. A volatilidade dos preços do petróleo também influenciou a mudança de ânimo. A commodity chegou a romper os US$ 60 por barril à tarde, mas encerrou em alta.
Bovespa
Notícias de que os bancos suíços Credit Suisse e UBS fecharam alguns fundos de bônus em conseqüência do grande volume de saques solicitados pelos investidores e a concordata pedida pela rede varejista de produtos eletrônicos Circuit City também pesaram negativamente. Por isso, as bolsas em Wall Street terminaram no vermelho. A Bovespa foi contagiada e, após avançar mais de 5% no começo do dia, terminou com tímida alta de 0,30%. O dólar à vista também zerou as perdas da manhã e subiu ajustando-se às oscilação dos índices acionários e do petróleo.
Pacote
Ontem, o governo chinês anunciou um pacote de estímulo econômico de US$ 586 bilhões até 2010 para impulsionar a demanda doméstica, atualmente em desaceleração por causa da crise mundial. Os recursos serão destinados principalmente para investimentos em infra-estrutura, bem-estar social e outros importantes setores do país. O pacote levou as bolsas da Ásia e da Europa a fecharem em alta, mas não conseguiu apagar o mau humor de Wall Street.
Montadoras
No início da tarde de ontem, os índices acionários lá viraram para baixo e não voltaram mais. As montadoras - principalmente GM - e as empresas do setor financeiro - exceção para AIG - pesaram sobre os negócios. A AIG subiu ontem depois que a empresa fechou um novo acordo com o governo americano para um pacote de ajuda maior. Já a GM despencou, depois que o Deutsche Bank alertou que a montadora não será capaz de financiar suas operações depois de dezembro, prevendo um futuro semelhante a uma falência. As ações da Ford também perderam, mas bem menos.
Socorro
É óbvio que essas duas (Ford e GM) vão precisar de algum tipo de socorro para continuarem, disse Ryan Detrick, estrategista da Schaeffers Investment Research. Elas vão precisar de alguma ajuda grande para evitar a falência. Na mínima do dia, as ações da GM tocaram o menor nível em mais de 50 anos. Às 18h30, o Dow Jones tinha baixa de 1,94%, o S&P recuava 2,40%, e o Nasdaq, 2,57%.
Commodities
No Brasil, a análise inicial com o pacote chinês foi a de que, garantida a continuidade do crescimento da China, a demanda por commodities se manteria elevada, beneficiando a Bovespa, formada por ações de empresas vendedoras de matérias-primas. Mas essa visão não é uniforme. Já estamos ouvindo análises de que um pacote dessa magnitude sinaliza que a situação é muito grave, e os investidores estão olhando pelo viés negativo, comentou a sócia-gestora da Global Equity, Patrícia Branco.
Juros
O mercado externo serviu de parâmetro ao segmento de juros futuros, enquanto o noticiário doméstico ajudou a reforçar as dúvidas em relação ao futuro da política monetária. Após uma manhã de taxas em queda, a tarde de ontem foi de volatilidade nos principais contratos, que chegaram pressionados à parada da sessão regular às 16 horas, mas na reabertura dos negócios devolveram os ganhos e encerraram em baixa. Em mais um pregão esvaziado, o DI janeiro de 2010 (86.600 contratos) projetava 15,15%, de 15,21% na sexta-feira, enquanto o DI julho de 2009 (38.135 contratos) fechou a 14,58%, de 14,60% na sessão anterior.
Migração
Ao longo da tarde de ontem, a migração das bolsas americanas para o terreno negativo pesou sobre os DIs e desanimou os poucos aplicadores presentes às mesas. A inversão do sinal de alta em Nova York foi influenciada pela reversão dos ganhos do petróleo e pela aceleração das perdas das ações do setor financeiro. No final da tarde, os preços de petróleo voltaram a subir no sistema eletrônico da Nymex e as bolsas americanas arrefeciam o recuo, o que recolocou os DIs na rota de baixa. Na Nymex, o contrato para dezembro terminou a US$ 62,41 por barril, em alta de 2,24%.
Câmbio
O dólar no mercado à vista fechou perto das cotações máximas intraday, após recuar pela manhã até R$ 2,110 (-2,13%) no balcão em meio à animação dos investidores causada pelo mega pacote econômico do governo Chinês de US$ 586 bilhões. O dólar à vista zerou os ganhos e passou a subir no início da tarde de ontem, ajustando-se à virada para o terreno negativo do petróleo e das bolsas norte-americanas, enquanto o euro perdeu força ante o dólar no mercado de moedas. No segmento de commodities, o petróleo até voltou a subir após o fechamento do dólar à vista, mas os índices acionários em Wall Street persistiram no vermelho.
Agência Estado





